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12 novembro 2014

Sumiço com propósito


Estranho não é sumir.
Estranho é ficar parado, fazendo a mesma coisa, até você mesmo perder o interesse por você.
Eu sumo pra aparecer ali adiante.
Eu não sei porque a vida nos dá essa imensidão de possibilidades pra escolher. É perigoso, exaustivo, mas também delicioso tentar descobrir aonde podemos chegar. Eu vou, e quanto mais eu ando parece que a minha capacidade de fôlego aumenta. Pego tudo o que vejo e coloco numa espécie de carrinho de mão. Olho para trás às vezes, em momentos em que me permito parar para descansar de cavar o novo e sinto saudade, que quase sempre vem colada com tristeza. Não consigo ainda desatar essas duas. Mas não dá pra descobrir isso pensando, tem coisas que só aprendemos no dia certo, então é preciso seguir.
Hora de abastecer. Estudo escrita, roteiro de filmes! E vivo filmes, sem parar. A combinação me parece perfeita. Só não está dando pra ler e pra assistir os filmes dos outros, tão necessário, mas deixei essa parte pra quando o cansaço chegar. Claro, preciso de algo pra fazer quando parar. Por enquanto não dá, a vida está me tomando todo o tempo agora.
Leva muito tempo ser personagens, ver personagens, incrementar personagens, criá-los e recriá-los.
Tomara que eu consiga,  pari-los todos em estórias, com os seus jeitos tortos, seus olhares dúbios, seus desejos preguiçosos e tudo que destoa, que não faz sentido, que desmente os seus discursos, que deixa escapar as fraquezas que os tornam quase humanos.
Estou amando todos eles. Tudo que mais odeio nas pessoas estou amando nos meus personagens. Porque eles revelam as hipocrisias que nós, pessoas, vivemos. Natural, possível e livremente! Porque eles ilustram a ingenuidade para amar que nós, pessoas, não desistimos de ter. Porque eles nos faz rir das tragédias e chorar nas comédias do cotidiano da vida de toda a gente. Porque eles nos fazem sentir o que deixamos passar desapercebido.
Agora que o primeiro semestre do curso já foi, que a mudança já foi,  que a lista interminável de pendências foi pro fundo da gaveta (pra ser irritantemente correta e não dizer pra onde elas foram realmente), e que a ansiedade só aumentou, estou voltando pro blog, esse nosso canal. Porque sinto muita falta. Porque a IF tem o dom de me fazer sentir um pouco menos ordinária. Ela é a melhor parte de mim, sou eu mais colorida, como devem ser os personagens.
Me permitam trazer umas novidades, pegar uns palpites. Mesmo sabendo que nunca dá muito certo, vocês gostam das conversas de mão única, em que derramo todas as minhas alegrias, confusões e lamúrias de uma vidinha incrivelmente comum.
Dá tudo no mesmo! As minhas histórias e as dos personagens que saem de mim, inspirados em todos nós. O importante é escrever, continuar, qualquer coisa, em qualquer formato. Se assumir falível e assim dizer sem medo. Retornar sempre, adiante, depois das pausas necessárias.


14 fevereiro 2014

O que aconteceu com a empregada que estava aqui?


O que aconteceu com a empregada que estava aqui? Foi embora? De novo? Marcos, eu não sei mais como lidar com isso. Já é a quarta empregada que arrumo só nesse início de ano. Você e essa sua nova obsessão pelas camisas dispostas por cores, esse pavor de fios de cabelo no chão. O que foi que você implicou desta vez, Marcos? Parecia tão boa, essa D. Antônia. Meio pesada, é verdade, quando ela estava na pia eu não conseguia passar para chegar na geladeira. Mas veio com referencia da síndica, e fazia uma sopa boa, que merda Marcos! E agora, você tem alguma ideia? Você chamou o seu pai pra vir comer aqui amanhã, eu já tinha combinado pra D. Antônia fazer um cozido que ele gosta. Até falei pra ele do cozido. E agora? Você vai fazer o cozido Marcos? Puta merda! Desde que a Sônia saiu, não tive sossego. Olhou pra mim porque? Quê que tá pensando? Com essa lei nova ficou mais caro e mais difícil de conseguir empregada. Hein? A Sônia de novo? Não, não dá. Ela já estava ficando muito a vontade, a síndica me alertou que isso não é bom. E eu nem tenho muita intimidade com a síndica. Não, a Sônia não. E ela já deve estar até trabalhando em algum lugar. Hein? Não tá? Como você sabe? Será que ela voltaria? Ai, como eu odeio o trabalho doméstico... Anda, levanta daí, vai, tira essa toalha da cama, olha a camisa no chão! Vá colocar sua roupa na maquina e trate logo de comprar a carne pro cozido do seu pai.



Resultado do exercício do curso de Escrita Criativa em que deveríamos escrever em 20 minutos um texto com o título sugerido pelo professor.

Quando ele acordou, o dinossauro continuava lá


Faz três anos que o Mario se separou. Logo que aconteceu, alguém falou pra ele que a dor da saudade não duraria mais que um ano. Era só vencer um calendário inteiro e passar por todas as datas comemorativas, que tudo ficaria bem. E desde então já se passaram três natais, três reveillons, e tudo três vezes, e o Mario segue em direção ao seu quarto aniversário sem a Lílian, e ainda com a mesma saudade enorme e pesada, a qual ele compara com um dinossauro, um certo tipo de amigo imaginário jurássico que não se extingue para lhe fazer companhia.
A Lílian já estava com outro, um professor que ela conheceu na internet. A Lílian sempre se queixava da superficialidade do Mario, de que ele não saía da revista Placar. Ela foi uma presa fácil para o professor munido de citações literárias e de poesias do Neruda decoradas estrategicamente. A Lílian achou isso o máximo, e está até hoje com ele. De vez em quando ela liga pro Mario pra saber se ele está bem, se fez a revisão no urologista, se encontrou alguém. Na verdade ela adora fazer ciúme para o professor, dizer que o Mario está a disposição dela e assim alimentar a intenção dele na viagem das poesias do Neruda.
Nos aniversários e natais era certo, ela sempre ligava. Era a melhor parte do dia para o Mario. Nestas ocasiões ele procurava encontrar pessoas e ir à lugares animados, mas era sempre a ligação da Lílian que provocava a maior emoção.
Estava chegando o seu aniversário. Ele se preparou para receber a ligação de Lílian e aproveitar para mostrar pra ela a poesia de oito versos que escreveu, num esforço danado, sobre o que seria amar a ausência de alguém, algo mais ou menos assim. Desta vez, ele teria coragem.
Chegou. Mario acordou checando o telefone. Olhava para ele o tempo todo no escritório e nada, com a poesia lá na carteira. Mario saiu para o happy hour com os amigos achando uma ótima ideia atender o telefone em um lugar bem barulhento. O tempo passou e os amigos foram deixando o lugar, um a um. Mario voltou pra casa sozinho, com o telefone e um resto de bolo na mão. Por sorte e por conta das cervejas que tomara, dormiu no final do jogo de uns times que ele não dava a mínima.
No outro dia acordou mais cedo do que o de costume, abriu os olhos já com o celular na mão. Nenhuma ligação perdida, nenhuma mensagem. No quarto, apenas o dinossauro, um pouco maior, um ano mais velho.



Segundo texto de 20 minutos do curso de Escrita Criativa na Escola São Paulo.

29 outubro 2013

Reencontro com o ponto de partida



Estou participando de um curso de interpretação em Shakespeare com Harildo Déda, uma oportunidade de receber os valorosos ensinamentos deste mestre querido. Entrei meio sem saber o motivo, acho que foi porque Shakespeare com Harildo é sempre uma boa ideia, uma excelente desculpa para retomar o contato com textos tão ricos e com a dinâmica do teatro.

E hoje, depois de três meses de aulas, ou melhor, depois de anos, eu apresentei uma cena. E assim que terminou, após ver a reação dos poucos colegas presentes e principalmente o sorriso do mestre, me veio à cabeça um pensamento; como foi que eu consegui abrir mão desta emoção?
Me lembro bem. Sempre achei esta profissão dura demais no Brasil e principalmente na Bahia. Para fazer teatro aqui você não pode viver sem o teatro. Se não for assim, como explicar a perseverança dos atores em um clima de total instabilidade, onde não existe incentivos suficientes do governo nem educação para que  as pessoas conheçam o valor da cultura? Por conta disso as oportunidades são extremamente escassas e elas se tornam disputadas a tapas pelos mais fortes. São raros os que vencem, os que alcançam o trio fantástico do talento mais oportunidade e trabalho, os que conseguem viver de maneira confortável exclusivamente da arte. A maioria segue se equilibrando com outras fontes de renda em uma corda bamba com malabares de êxtases, dificuldades e incertezas. E os mais frágeis simplesmente não sobrevivem, ficam pelo caminho, deixando os sonhos pelo chão.
Esse foi o meu caso, aos dezenove anos engravidei e achei que não poderia mais brincar de ser atriz, que a insegurança da profissão não combinava com as responsabilidades de uma mãe, principalmente de uma mãe solteira. Tratei logo de me casar, ter mais filhos e investir mais na família, para reforçar a minha escolha. E nunca me arrependi, colho dia a dia os frutos dos filhos que criei como quis. O papel de mãe é de todos o que mais me dá sentido.
Só que eu conheci o teatro, eu me formei em uma escola de teatro. E o seu "bichinho" ficou aqui, adormecido, alimentado pelas peças e filmes que assistia, com a admiração pelos bravos colegas que perseveraram e disfarçado na escrita, esta linguagem "segura" que encontrei para expressar a minha emoção.
Esperando por uma oportunidade, mais possível agora com os filhos crescidos, que cada vez mais dispensam a minha companhia. Lembro-me de quando morei em Los Angeles, via na escola de dança das meninas os cartazes com os anúncios das audições acontecendo todos os dias, para todas as idades e perfis. Afinal, quantos canais de TV existem nos Estados Unidos? Uns cinquenta? E quantos estúdios e produtoras de cinema? E quantos teatros?
Aqui quem quer fazer TV ou cinema precisa ir pro eixo Rio/São Paulo e para subir no palco tem que partir para a luta, pra produção. E que luta! Tentei uma vez, ai que dureza. Tem que colocar na lei de incentivo, com tanta burocracia e lentidão, o dinheiro não sai, você coloca do seu para poder estrear no dia, da poupança ou no cartão porque você não tem, pede uns apoios, precisa lidar com tanta gente sem palavra e sem compromisso, as pessoas que você chama para participar muito cobram e pouco agregam e você ainda precisa manter o ânimo lá em cima de todos os que esperam por um belo resultado, já que você os convidou.
Tomei medo de inventar, de convidar e de produzir, fiquei esperando que alguém me convidasse,
tadinha. Mas ocorreu algo hoje em minha espera, aconteceu uma ceninha para algum público, aconteceu o teatro. O verso do soneto quatorze que apresentei nesta noite ainda ecoa em minha cabeça; "Que a verdade e a beleza darão frutos se em ti deixas de tanto reservar-te." Sem audições e convites ouço atentamente a este chamado de Shakespeare, do curso, do mestre, do teatro e da vida. Talvez seja a hora de deixar de me reservar e tentar de novo. Saber se a maturidade contará a favor desta verdade e beleza para que este dom, enfim, frutifique. Mostrar a cara e ver qual é, mesmo se, mesmo com, mesmo com todos os poréns. Deixar o bichinho virar um dragão e tomar conta de tudo, até eu enfim, como os outros, não querer nunca mais viver sem ele. Às vezes, precisamos voltar para o ponto de partida dos nossos sonhos, e para isso, é necessário gritar aos quatro ventos para atrairmos um bom time. Penso que desta forma, depois de dar vida à umas pessoas, eu poderei começar a dar vida a uns personagens. Acho que os filhos irão gostar disso.




01 novembro 2012

O caminho é o mestre


Se tem algo que me deixa feliz e esperançosa com a vida é perceber as setas da equipe lá de cima e a sincronia das pessoas aqui na terra que vibram na nossa frequência para o bem. Basta estar atento(a) aos sinais e pedir apoio a quem nos estima, que a força de qualquer desejo se potencializa.
O Cau Trigo é um amigo peregrino que muito me ensina sobre os índios, os símbolos e as vozes da natureza, o Xamanismo, o calendário Maia e várias outras coisas. Há uns dois meses ele me procurou para me mostrar algo. Quando o vi, abri um grande sorriso ao vê-lo chamar meu nome com muito entusiasmo e os braços abertos. Achei a sua forma especialmente interessante naquele dia. Tinha deixado o cabelo e a barba crescerem, vestia colete e calças com bolsos cheios de papéis. Carregava uma mochila cheia, uma sacola e um guarda-chuva destes enormes que não dobram.
Depois de um abraço de verdade, fomos até a livraria. Lembro-me que pedi um cartão de visita para poder divulgar o trabalho dele como terapeuta e ele não tinha. Achei graça, como não ter um cartão de visitas no meio desta papelada toda? Mas este é o meu querido amigo Cau. Daí, com muita satisfação, dizendo as palavras perfeitas em um tom muito doce, ele anunciou: - Val, é com imensa alegria que quero te mostrar o meu livro. - Uau! Que ótimo Cau, que prazer! - E eu nem sabia que ele estava escrevendo um. Não pude evitar a comparação comigo, que não conseguia sair do lugar com o meu.
Então, ele pegou a mochilona, abriu-a e tirou um envelope de dentro. Imediatamente abri o envelope procurando o material, pensando que deveria ser muito fino pois estava bem leve. - Não Val, o livro tá aí! - Onde? - Falei sacudindo o papel e olhando ao meu redor.- Está escrito no envelope. Tratava-se de uma lista de tópicos escritos a caneta no envelope todo amassado. - Aí estão os 20 capítulos do meu livro, o número dos cavaleiros, que representa a totalidade da lenda maia. - Sei. E eu posso ler um? – perguntei. - Ah, eu ainda não digitei. Está tudo aqui na minha mente e nos escritos que fiz ao longo dos anos. Cada capítulo revela uma experiência transformadora para mim. Vou começar a digitá-lo, pretendo publicar o livro em novembro.

Eu que me considero uma Incrível insegura superexigente, captei atentamente aquilo, para pensar depois se seria uma loucura ou um ensinamento.
Resposta b, soube esta semana. O homem terminou o livro. Já registrou e encomendou para a editora, estará pronto em quinze dias, tinindo pra virar presente de Natal. E achei isso fantástico. Virou meu novo símbolo de coragem. Estava enrolando o ano todo, sem acreditar, procurando encontrar algo genial primeiro; daí, me aparece esse rapaz e diz: - Val, se você tem uma informação para compartilhar e não o faz, você está sonegando para o universo, está impedindo algo que precisa se manifestar. Não podemos deter o movimento do mundo que está em constante aceleração, o seu livro está pronto, assim como o meu!
- Hã? Como assim?? Que vergonha. Que pretensiosa eu sou. O cara não tinha nem uma linha digitada e eu tenho uns duzentos textos. Desde então, tudo se iluminou.
"As palavras que vêm das mentes constroem muros e as que vêm do coração constroem pontes." Assim ele terminou de me colocar no lugar, citando um provérbio eslavo. O lugar de uma aprendiz que também quer compartilhar o que a transformou em seu caminho de peregrina. Assim como estou fazendo agora. Nada mais. Nada demais. Só abrindo o coração.




05 dezembro 2011

caretinhas =)


Já faz um tempo, eu estava esperando me recuperar do trauma, :$ para contar do dia em que resolvi comentar na aula que escrevo um blog. Até eu, a princesa das Polianas inocentes do pau ôco, sabia que os blogueiros eram discriminados pelos outros escritores, mas nunca pensei que fosse tanto. Escracharam mesmo, disseram que só existia lixo na internet \o/, que não há comparação entre blogs com um processo de escrita de livros ou artigos :*(

Um colega disse que as pessoas que escrevem blogs não elaboram seus textos. Pode ser. :-\ Pelo menos comigo as vezes é, mas não se pode generalizar. São vários os escritores renomados que escrevem blogs como o Carlos Heitor Conny, o Rubem Braga e o Luis Veríssimo. Eu confesso que sempre escrevo à noite, fico ansiosa para publicar e no dia seguinte quando leio saio consertando um mooooonte de erros. Atenção, letrinhas repetidas que reproduzem a forma com que falamos são exconjuradas por lá. E diminutivos desnecessários tipo "letrinhas" também.

Mas meus leitores me conhecem assim IF e me perdoam. ;-) Esse é o lado bom; o contato e o feedback imediato deles. Eu nunca escrevi um livro, mas não vejo como conseguir com um essa emoção diária que sinto ao ler os comentários dos posts. Por isso não abandono meu bloguito! :D

No livro estou tentando escrever mais sério do que no bloguito que por sua vez é mais sério (mas não muito mais) do que eu escrevo ou falo coloquialmente. Por exemplo, aqui eu resisto horrores para colocar as carinhas :), mas às vezes é mais forte do que e uma ou outra escapole. ;) Essa de danadinha então é a que eu mais gosto.



E tenho que confessar, gosto mesmo. Acho que elas comunicam emoções nesta vida corrida em que precisamos responder  à muita gente com pouquíssimo tempo. Eu gosto muito de imagens, e se as ilustrações acrescentam aos textos, porque então não deixarmos as caretinhas incrementarem as palavras? :-)



São os novos tempos! Eu me comunico com meu filho adolescente via mensagem de texto mesmo ele estando no quarto do lado. Pois se é assim que eles funcionam? E coloco todas as carinhas que tenho direito. 8^)

E convenhamos, sabemos que os sinais e as figuras existem desde muito antes da escrita formal, então porque não usá-las? Vale tudo para comunicar!

Hahaha (risadinha assim então é o fim), e o melhor de tudo é que eu me divirto. E eles, os tais escritores formais? Tem um lá que está há vinte anos escrevendo um livro sem previsão de terminar. Enquanto isso, eu pinto, bordo, grito, invento, viro tudo de cabeça pra baixo, dou cambalhota e gargalhada, tento daqui e dali, escorrego, levanto, experimento, erro, conserto, arrisco e aprendo. Vivo! Escrevo a vida e vivo o que escrevo.

E desse jeito eu sei e já me conformei, acho que nunca vou conseguir escrever livro de gente grande. Mas o bom é inimigo do ótimo, como diz o outro. (Não citei o autor da frase? :-O) Às vezes esperamos para ficar perfeito e não fazemos nada. Eu pelo menos assumo o meu jeito IF de ser e me disponho a romper barreiras, ser cafona, piegas, infantil, quebrar regras, ampliar horizontes, misturar estilos, reunir tendências, inovar e fazer o que for preciso para escrever o que me faz feliz.

Fica aqui  registrado então o meu protesto de blogueirasimcommuitoorgulho anti caretice. Humpf! :P


01 dezembro 2011

Eureka!



Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato.
 (Trecho de Alice no país das maravilhasLewis Carroll)
Há muito tempo não me sinto tão feliz e excitada. Finalmente descobri para onde quero ir.  Além de saber que quero escrever descobri o que eu quero escrever.
O feed-back do post passado foi Incrível, foi o que me fez encontrar o rumo. Nada de um livro com uma história compriiiiida e cheia de drama. Pelo menos não por enquanto. Deixa eu com meus textinhos curtos, as tais short stories que a minha querida Tia/coach Lena me sugeriu tanto pesquisar para desenvolver. Vou fazer isso titia, prometo! Mal posso esperar para ter paz e tempo para mergulhar nos livros e no teclado. 
O tema já está escolhido- Relacionamentos. Encontros e desencontros, prazeres e desventuras de histórias de amor, percepções e evoluções nessa área, abordando todos os tipos de relações. (Teve uma leitora que me lembrou de incluir os gays, achei o máximo! Eu até tentei mas foi muito sutil, vou explorar muito mais sobre isso, of course!)
E vamos combinar assim; as histórias completas com as personagens que citei (e muitas outras) vão para o livro IF e aqui no blog eu continuo escrevendo o que dá na telha, percepções do dia a dia e mais o que ocorrer. All right? Afinal, eu tenho que um dia ganhar uma tetéia com esse negócio, não é mesmo? Esse vai ser o meu trabalho.
E digo mais, meta que é meta tem prazo. Anota aí: UM ANO e vai estar pronto ou eu não me chamo Valéria Cristina Incrível Falível. Sabia dessa? Pois é, eu também não tenho a menor idéia de qual é o sentido de dois nomes grandes como esses para uma pessoa só, vá entender a cabeça de Dona Didi!
Sim, mas vamos voltar ao que interessa, em um dos comentários maravilhosos que recebi (para ler na íntegra clique aqui e desça até o final), a minha mais nova leitora Incrível Maria Luíza Feijo, psicóloga especialista em Terapia familiar, disse que um livro assim pode ajudar pessoas a lidar com questões sobre separação e me sugeriu coletar depoimentos, montar um blog ou até um grupo terapêutico para trocar experências sobre o assunto.
Primeiro demorou uns vinte minutos para eu conseguir descer de onde eu estava e processar tanta coisa linda vinda de alguém que eu nem conhecia. (Ai como eu amo esse blog!)  Depois eu respondi que se eu conseguir com as minhas palavras ajudar uma pessoa que seja a se encontrar, tudo terá valido a pena. 
Isso chegou para mim como mais uma grande seta. Quanto a um blog coletivo, acho que não funciona porque não é todo mundo que gosta de soltar o verbo abertamente como essa maluca da IF. Eu já tentei e as pessoas têm muita reserva (e muita preguiça também) de escrever. Quanto ao grupo eu achei o máximo e eu topo na hora... SE ELA ESTIVER COMIGO, haha, lógico.
Agora, quanto aos depoimentos... EU QUERO! Eu tenho uma meia dúzia de casos pra contar, mas eu preciso de muito mais. Por tanto estou aceitando histórias via e-mails (aincrivelfalivel@gmail.com), telefonemas, bate papos em mesa de bar, suquinho na sala de casa, através de chat, mensagens inbox no Facebook, como preferir (ou como der com essa distância toda).  Além disso, aceito de muito bom grado sugestões de livros sobre o assunto, de cursos, críticas, conselhos, contatos, idéias e aquele empurrãozinho que só vocês sabem dar quando estou me sentindo a mais falível das mortais.
Juro sigilo absoluto, como manda o parágrafo número um da ética das escritoras do bem. Vou contar os milagres em uma versão IF (mudando, incrementando), mas guardarei os nome dos santos no meu baú de tesouros.
E aí queridíssimos, agora que vocês são gatos que sabem aonde a Alice quer chegar, podem me ajudar a encontrar o caminho?
Ah, e não esqueçam nunca, se hoje eu estou com esta ousadia toda e se um dia eu chegar lá, a culpa é toda de vocês. Muito obrigada meus amores. 


29 novembro 2011

Você compraria este livro?



Eu sou uma especialista em divórcio. Não tenho orgulho de dizer isso mas nem um pingo de vergonha também. Tanto admiro casais seguem a vida de mãos dadas quanto admiro os que têm a coragem de sair de um estado infeliz para buscar uma nova chance.

Sou separada, filha de pais separados e cujo único irmão é separado. Além disso, sou a caçula de dezenove primos dos quais dez já chutaram os baldes dos seus casórios. Outro dia eu soube que uma das primas até procurou um centro espírita para saber se se tratava de um "karma familiar".

Hum hum, eu não acredito. Isso nada mais é que reflexo dos novos tempos. As pessoas estão se importando menos com as convenções, conveniências e consequências dos divórcios e pagando o preço necessário para seguir a voz do danado do coração. Preço muitas vezes caríssimo, eu que o diga, a especialista.

Atenção, longe de mim ao menos tentar dizer o que é certo ou errado, até porque eu não tenho a menor idéia do que seja. Eu só quero contar umas historinhas divertidas. Conheço casais felicíssimos e solteiros idem. Conheço sobre as dores e as delícias de estar casada e também de estar solteira. E como boa observadora que sou (sabia que isso um dia iria valer alguma coisa!), conheço um pouco sobre o universo das mulheres que nunca provaram deste enigma do amor chamado casamento.

E pensando nelas, em mim, na mulherada da minha família e em tantas outras bem e mal casadas, ou bem e mal separadas, que resolvi apresentar para vocês algumas garotas espetaculares Incríveis e falíveis.

Você vai conhecer a Nádia que põe o seu casamento em primeiríssimo plano. Está sempre atenta para movimentar a relação com viagens e jantarzinhos especiais. Considera o seu marido Sergio e seus filhos o seu maior triunfo, a foto da família sai sempre linda. Ela administra todas as dificuldades, dribla o tédio e se mantém bem longe das tentações porque acha que deitar no ombro cheiroso do seu amado em um domingo a noite faz tudo valer a pena. 

Tem também a Bianca, que não se casou porque perdeu o timing. Uma garota bonita que achava que os candidatos não eram suficientemente bons, que sempre poderia aparecer um melhor. E agora que está no final da ladeira dos trinta, o número de possibilidades minguou. Nesse momento ela tenta se convencer que se não tiver um filho "tudo bem" e fez uma lista do que ela poderá fazer com toda a sua liberdade. Achou por enquanto três opções; virar monja e escrever um livro, viajar pelo mundo e escrever um livro ou se assumir tia da centena de crianças que nasceram ao seu redor nos últimos tempos e ficar feliz da vida ao devolvê-los para as mães nos momentos de birra. Ah, e escrever um livro sobre o poder do silêncio, feng shui, sexo tântrico ou algo do gênero.

A Alais se separou e despirocou de vez. No melhor dos sentidos. Mudou o cabelo, as roupas, pintou a casa com cada parede de uma cor e começou a falar palavrões naturalmente. Primeiro tentou namorar uns três caras separados com filhos e conciliar as coisas no padrão "os meus, os seus, os nossos". Agora nem isso ela quer. Ela só quer o romance. Está saindo escondido dos filhos com o seu personal trainner ao som de "Ne me quitte pas" em noites de muitas performances e um tanto de vodka.

Já a Cíntia se separou também mas não há um dia em que ela não se arrependa disso. Acha a missão de cuidar dos filhos sozinha pesadíssima. Assim que saiu de cena o Marcio casou-se com outra e é para os filhos dela que ele dedica o seu tempo. E a dor de cotovelo de Cíntia cresce na mesma proporção do seu saldo devedor no cartão de crédito. Ela vive insegura, tem medo de sair a noite sozinha e acha que namorar só vale a pena se aparecer alguém que a proteja, como o Marcio, ai ai ai. Só que até agora nada, nenhumzinho príncipe salvador da pátria bateu em sua porta. E o resultado disso está em três quilos a mais por ano. 

A Marina prefere continuar casada e viver umas aventuras por aí. Acha que esta é a fórmula de um casamento feliz. Agora ela encasquetou que quer ter uma história com uma mulher, só que ainda não conseguiu seduzir nenhuma. De noite em sua cama, enquanto o bonachão do Aroldo dorme (e ronca) ela assiste filmes a la "Henry e June" e histórias efervecentes passam pela sua cabeça, só que quando o dia chega e com ele todo o aborrecimento do cotidiano a sua fantasia vira... fantasia.

A Adriana, no entanto...


E por aí vai. Fique a vontade para  divertir-se, identificar-se ou para conhecer um pouco mais sobre o louco mundo das mulheres no século XXI, os seus relacionamentos complexos, as suas experiências fascinantes e perceções incríveis sobre uma vida que pode até ser dura, conflitante e exigente. Mas comum e sem graça,  isso nunca. Palavra de mulher.