09 abril 2013

Meu livro, meu marido



Demorou, mas enfim caiu o mito dos contos-de-fadas. E, cá pra nós, não tenho do que reclamar, já vivi a Cinderela, a Bela Adormecida e tive a minha fase Pocahontas, só que não há a menor condição de sustenta-las para sempre; ainda bem, porque seria um saco.
Chega de expectativas. E, ah! Que alívio!! Isso, agora, primeiro doeu. A dor de destruir o sonho: sempre quis estar casada. Até outro dia achava que fosse encontrar alguém para reconstruir a família e até (que tal?) que fosse amar meus filhos como um pai. De todas as pessoas que conheci nesta vida, sabe quantas vezes eu vi isso acontecer? Duas. A primeira foi um querido amigo chamado Pedro, que é o melhor pai que já vi, com o detalhe de não ter gerado as filhas. E o outro foi o meu marido, que amou e cuidou do meu filho de tal forma que não conseguiria descrevê-lo sem chorar um balde, o que não estou nem um pouco a fim agora. Sim, eu tive essa sorte uma vez, já não está de bom tamanho?
Quem já viu alguém acertar na loteria duas vezes? Tá, pode ser, e universo, meu rei; estou abertíssima para ótimas surpresas! Mas em tempos de criaturas saindo do armário em larga escala, uma profusão de homens comprometidos desesperados por aventuras e outros seres inacreditavelmente complicados, eu decidi que vou me casar agora é com meu livro.
Chega de "ficar", de paquera, já não dá mais pra enrolar. Tivemos até a nossa fase supercomprometidos, mas depois eu dei uma geladeira no bichinho; ai que volúvel eu sou. Eu no lugar dele teria dado um ultimato, mas ele, não, continuou me esperando, nunca me exigiu nada, acredita? Acho que é amor de verdade.
Agora embalamos de vez. Cada curso que faço são caminhadas de mãos dadas para um novo lugar, as nossas conversas são inacreditáveis, ele compartilha os meus pensamentos. Planejamos novidades para termos mais experiências para escrever. Ele adora teatro e cinema como eu. Nos deliciamos ao falar de amor com as palavras que aprendo em outros idiomas e, ah! Temos tido noites inacreditáveis de prazer com os livros que tenho lido.
Simples assim, cada dia com sua dose de satisfação, esperando cada vez menos dos outros e mais de mim. Se a liberdade é o lado bom da história, então que eu a use em sua totalidade ao meu favor. E toda vez o coração começa a apertar e a fragilidade de ser humana, e mulher (e ainda por cima romântica, argh!) bate na porta, eu balanço, quase me deixo levar, e eis que olho e ele está lá, de braços abertos para que eu o toque: o teclado. Todas as letras à minha disposição, todos os sentimentos, os pensamentos, os sonhos, as possibilidades, tudo é possível com este amor.
E mesmo que não seja para sempre, e até mesmo que ninguém nos leia, está valendo. Ele está me fazendo feliz. E que eu aprenda com ele a me relacionar comigo mesma, que ao deixar tudo aqui eu nunca me perca, que ao me livrar das expectativas esteja, enfim, liberta das frustrações, que, ao perceber o valor do que a vida nos oferece a cada instante, eu deixe o futuro para depois. E que, enfim, ao abandonar os contos das fadas eu esteja pronta para viver simplesmente a minha história.



2 comentários:

  1. E que venha o Livro, logo, logo.

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  2. Andreya Nascimento9 de abril de 2013 12:49

    Queremos debruça-lo sobre ele.Vai dividir esse marido aí?!?
    Aventura, paixão ,romance... como será para suas leitoras?
    A expectativa é nossa!

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