12 setembro 2013

Boazinha uma p...!


 "- Ela é mansa, passa uma paz né?" ou "Você é sempre calma assim?" Outro dia ouvi de um: "- Eu não consigo falar palavrão perto desta mulher, ela me deixa sem graça!"

Ô coisa irritante! Os rótulos! Boazinha, educada, caridosa, atlética e bonita. Atenção, PERIGO! Ai de quem tentar fazer por merecer isso tudo, vira escravo. É como correr uma maratona iron man sem linha de chegada. Não vale a pena, há não ser que você tenha alguma pretensão política ou comercial com a sua imagem ou haja um sério interesse em comprar um apartamento de cobertura com vista pro mar no céu.
Isso porque estamos falando dos rótulos "bons", merecedores de muitas aspas. Imagine os rótulos negativos, esta redundância sem tamanho, tentar se libertar de um estigma, apagar um código de barras que tatuaram em você.
Ter um nível básico de ética é suficiente ser catalogada quase como um santo? Qual é o parâmetro? Desde quando honestidade e caráter são considerados elogios? É muito fácil ser fazer um trabalho social e malhar todos os dias quando não se precisa trabalhar. Eu sou forte como um touro, eu medito para controlar uma ansiedade imensa e só eu sei como gosto dos prazeres mundanos, eu adoro a vida! Esta sou eu, nós somos incrivelmente falíveis e é importante não nos enganarmos para não enganar ninguém.
Tudo bem, eu não carrego um grande repertório do baixo escalão das palavras, mas quem é íntimo já me viu esbravejar e falar o que for preciso pra desabafar. E tenho amigos que falam palavrões naturalmente, são divertidíssimos, e o mais importante, são autênticos! Além do que falar palavrão é uma arte, não é pra qualquer um.
Eu gostaria de ser mais espontânea e há quem diga que gostaria de ser "phyna” como eu (o termo assim, com o deboche que lhe é de direito). Como se o fato de ser tímida ou de falar palavrões agregasse alguma coisa.
O que não quer dizer que eu não possamos mudar se quisermos. Somos humanos e o mais fantástico dessa condição é justamente a sua complexidade. Nós não somos, nós estamos em contínuo processo de desequilíbrio e transformação, sob o aspecto físico, mental, emocional e espiritual, influenciados por inúmeros fatores genéticos, sociais e naturais.
Nós nos reinventamos o tempo todo! E usar a opinião dos outros para isso é opcional. É maravilhoso buscar por novas versões e para isso nada melhor do que o nosso próprio desconfiômetro! De vez em quando é válido nos desconstruirmos para ver se conseguimos montar algo mais legal.
Então como rotular? Como alguém pode saber quem somos agora, neste exato momento? Nem nós nos conhecemos direito, o que dizer dos outros!
E cuidado com as aparências. Elas são as cores e os formatos dos rótulos, não dizem nada sobre os produtos. Estes podem te decepcionar ou surpreender. Eu por exemplo, na próxima vez que ouvir que eu sou boazinha e mansinha e fofinha eu vou falar grosso e garanto, não não vai ser só:
- Boazinha uma p..., uma pinóia!



4 comentários:

  1. Adoreii!!! Me identifiquei muito...

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  2. Todos nós recebemos rótulos o tempo todo. Isto é mesmo chato, mas o desagradável mesmo é perceber que mesmo sem querer, também colocamos rótulos em quem nos cerca...

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  3. Estava sentindo falta dos seus belos escritos. Coincidentemente, escrevi ontem em meu face como me sinto, como resposta às pessoas que insistem em me rotular e me confundir com o que não sou. Penso que você consegue fazer isso muito melhor que eu. Afinal, está vocacionada para uma escrita mais "fina". Olha só que que escrevi:

    O companheiro Apio Vinagre costuma dizer que sou uma pessoa única, que precisaria nascer de novo para existir alguém igual a mim. Penso que Ápio, depois de tantos anos de convivência, percebeu que eu apenas não saio de mim mesma para ser outra pessoa, em nenhuma circunstância. Se gosto de alguém ou algo, falo. Se não gosto, falo também. Se penso errado, digo o que penso sem medo de rever os meus pensamentos.
    Lamentável é que nem todo mundo seja assim. Tem pessoas que conseguem sair de si mesmas e incorporar múltiplos personagens, a depender de suas conveniências momentâneas. Por que será que existe gente como eu e gente tão diferente de mim? Dizem que é porque os opostos se atraem e, portanto, é preciso existir os opostos. Mas essa regra não vale pra mim: afinal sou diferente!

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A INCRÍVEL falível espera ansiosamente por um comentário seu: