14 agosto 2015

MultiplicAção do Bem e Frutos de Mães - Como tudo começou pra mim.


Hoje, quando cheguei na creche, encontrei a Mirian diferente, estava com um sorriso um pouco maior. Quis logo entrar na arrumação do escritório, mas ela me pegou pela mão para ver as suas panelas. Tinha frango ensopado com legumes, arroz, feijão, e mamão cortado para a sobremesa. Nada fora do normal, se isso fosse pelo menos um pouco fácil para ela de conseguir. Mirian, que é a presidente da Creche Frutos de Mães, em Massaranduba, é herdeira da empreitada da mãe, que começou essa história ficando com os filhos das vizinhas mais pobres do que ela, na antiga Palafitas, há 28 anos. Mirian agora está cozinhando cinco refeições (quando tem), para 100 crianças, porque ela não pôde pagar o salário de R$500,00 que a cozinheira pediu. Na segunda-feira, ela me disse que eles estavam comendo soja há semanas, por falta de outra proteína e de feijão. Não havia bolachas ou pães, por isso a opção do café da manhã era sempre mingau, e às vezes tinha que pular os lanches, e ir direto pro almoço ou pra sopa. A doação que ela buscou da prefeitura essa semana foi composta de algumas mangas bem maduras e um monte de iogurtes a dois dias de vencer. Entregamos R$264,00 à Mirian, o que foi suficiente para garantir a complementação da alimentação da semana, e a receptividade sorridente da presidente.

Acho que todos pensam um pouco sobre isso, eu nunca entendi porque sempre tive tanto, uma vida, mais três filhos com saúde, fartura, amor, tempo e oportunidades, tudo com tão pouco esforço. Mas algo me dizia, e não foi ninguém, outro dia eu vi no livro de Lucas 12: 47 e 48, "Pedir-se-á muito àquele que muito recebeu, e prestará contas aquele a que foram confiadas muitas coisas.", mas eu já sabia. No começo tentava ajudar algumas pessoas, mas não era isso. Entrei em um grupo, o Voluntários de Coração, que faz eventos e ações em prol de instituições beneficentes de Salvador, no qual sou muito feliz com meus amigos há 8 anos, mas não foi suficiente. Juntei então outra galera e formamos o MultiplicAção do Bem, que tinha o intuito de fazer melhorias estruturais e administrativas pelo período de uma ano em cada instituição. Passamos um com a Creche Béu Machado, com um resultado, digamos, razoável. No ano passado fomos para a Frutos, e aí sim, foi feito um bocadinho mais, através de reformas. Havia problemas com o telhado, com a calha, com o esgoto, infiltrações, era uma doideira, quando chovia muita água entrava e pra sair era um sufoco. Resolvemos isso em parceria com o grupo do Voluntários e foi tão bom ficar lá, que esticamos por esse ano e reformamos a cozinha, vamos inaugurá-la no próximo dia 22 /08, e você é o nosso convidado!

Tinha acabado de chegar o mês de Agosto, era o dia 05. Por oito meses estávamos remoendo a decisão, olhando outras creches para mudarmos, fazendo outras coisas, eu estudando e lançando o livro, foco nenhum. Até que, a gosto de Deus, eu espero, resolvemos: vamos ficar na Frutos de Mães até que ela se torne sustentável. Afinal, ver que a chuva não traz mais transtornos é bom, mas não adianta muito se toda vez que vamos lá, encontramos o freezer vazio. Fui dizer na reunião que não tínhamos meta de saída dessa missão, e o grupo todo riu, lembrando da Dilma, que tinha acabado de se embananar com as metas dela. Espero que sejamos bem diferentes, no nosso caso não ter meta ou prazo é até bom. Quando se trata de MultiplicAção do Bem, sabemos mais ou menos como começar, mas como imaginar aonde isso vai nos levar?

Desde esse dia não durmo direito, pensando em possibilidades e escrevendo, fazendo sonhos virarem projetos. Coisa de mulher apaixonada. Já estamos nas redes sociais, e em breve vamos divulgar as formas de participar e multiplicar algumas sementes de solidariedade. Muito trabalho, justificadíssimo pelo segundo puxão pela mão da Mirian, dessa vez pra eu ver os meninos comendo, aquela centena de pratinhos com o mesmo tanto, com todos em silêncio, sem bagunça, ninguém diz que não gosta de feijão, ou de mamão. Até os de um ano de idade pegam na colher direitinho e satisfeitos. Quando olhei pra eles hoje, pros meus pequenos mestres, eu senti: até que enfim estava no lugar certo.




19 julho 2015

40NOW


Aproveitei o primeiro domingo pós férias pra ficar em casa e dar uma olhada em várias pendências, entre elas, um livro que ganhei no natal, o Guia de estilo 40FOREVER, da Ana Cecília Lacerda, Bebel Niemeyer e Maria Montenegro.  Acho que demorei tanto por causa do "guia de estilo" no título, afinal quem tem estilo mesmo, não precisa de guia. Ou talvez, quem sabe, lá no fundo, pela outra parte, a que trata-se de um livro para as mulheres de 40 que querem ter 40 pra sempre. Não, nem venham dizer o contrário; que seja fácil mudar de década. É gratificante, é importante, é emocionante, é tudoante, menos fácil. Eu acabei de virar. Quer dizer, já tem uns três meses, digo, quatro, mas a ficha, assim como o metabolismo, vai ficando cada vez mais lenta.
O livro começa dando umas dicas de cremes, de maquiagem que até mereceram umas sublinhadas. Até que chegou nas roupas, onde uma das autoras disse que minissaia nem pensar para as mulheres de 40. Eita! Eu já vinha sentindo, me desfazendo aos poucos das bichinhas, deixando passar batido nas araras e olhando com mais atenção para o comprimento de tudo o que vestia, mas ver ali no quesito 27 do manual das quarentonas, foi duro. Sim, sofrem muito mais as vaidosas que procuraram a vida inteira alternativas mirabolantes e sacrificantes de modalidades de malhação das pernocas.
Há quem diga com propriedade um bom dane-se e vista o que dá na telha. Tudo bem, afinal cada vez eu percebo mais que as pessoas reparam menos na gente. A questão é, até quando vai a liberdade de fazer o que se quer, usar minissaia, e onde entra a não aceitação de um novo tempo, um novo corpo, e uma nova postura?
O não enfrentamento do processo de envelhecimento me parece bem mais aterrorizante do que o julgamento e a ridicularização dos outros. Foram 40 anos de minissaia por aí, será que não está bom? Olhar mais para o corte e a elegância do que para a forma que roupa nos dá, mostrando aqui ou apertando ali, acho que é uma boa troca.
Assim como trocar a euforia pela perseverança, a instabilidade pelo equilíbrio, a busca pelo auto preenchimento, a superstição pela fé, a força pela estratégia, a paixão pelo amor, e a resistência pela aceitação, entre tantas outras.
Trocas, mudanças de fases, evolução. Largando aqui pra ganhar ali. Até ficar velhinha e ficar "invisível", o que também não é de tudo ruim, tenho uma sábia tia que diz ser uma total libertação! Dos olhares, das cobranças, poder enfim largar pelo caminho o peso, o tempo e o preço que nos custa a vaidade. Já pensou nisso?
Pois bem, acho que vou seguir a leitura das senhoras colegas. Mesmo ainda discordando do título. Da mesma forma que não dá pra usar minissaia, também não dá pra ter quarenta pra sempre. Que venha a próxima década, com suas perdas e ganhos. Aliás, pode vir, mas sem pressa, ok? ;)




Com eira e beira - FLIP 2015


Faz tempo que não via algo tão interessante como a Flip, a Feira Literária Internacional de Parati. São palestras e debates com gente muito boa, intercalados pelo turismo charmoso que a cidade oferece. Além da programação oficial, de onde é possível assistir, de forma confortável e gratuita, às entrevistas, já que eles disponibilizam telões e cadeiras  do lado de fora.  Além das opções nas ruas da cidade, como os stands da Folha, do Sesc, e a Casa de Cultura.
Pra não fugir do meu jeito, é lógico que marquei umas bobeiras por não ter pesquisado melhor, como reservar um hotel afastado da cidade e não me inscrever online nas palestras e workshops maravilhosos que aconteceram. Corri pra procurar por qualquer pousada no centro histórico, pois um dos baratos de Parati é esquecer o carro, e foi difícil, mas consegui. Também chegamos na hora de início das apresentações e as perdemos porque não pegamos as senhas. Afinal, estávamos com crianças e não dava pra conciliar tudo. Tudo bem, se acabei de decidir que esse evento entrou no meu calendário como favorito, outras Flips virão!
Pegamos uma desculpa com as crianças e subimos em uma charrete para um passeio, puxada por um velho cavalo com o interessante nome de Kinder Ovo. Tratava-se, segundo o guia, de um animal, cheio de surpresas. Não entendi também até ele empacar diante de uns cabos elétricos que cruzavam a rua, cobertos por uma proteção, que parecia um quebra-molas. Sabe-se lá o que o Kinder pensou ser aquilo,  já que Parati, com aqueles paralelepípedos enormes, não precisa de quebra-molas. O simpático guia fez o que pôde, mas o animal não quis conversa, deu a volta e foi por outra rua. Em uma dessas ruas, o guia nos mostrou os telhados com eiras e beiras nas casas, um acabamento que demonstrava o poder aquisitivo dos residentes. O que deu origem à expressão: "sem eira nem beira", sobre os não tão bons partidos para se casar. 
Assim passei meus quatro dias, passeando pra ouvir gente inteligente e pensar coisas novas. Observando, curtindo e percebendo Parati, com um final de palestra aqui, o meio de outra ali, um grupo cantando na esquina, uma peça de teatro mais adiante,  um almoço na praia, um vinho no friozinho à noite, e em ótima companhia, comendo uma tapioca em um dos cafés da cidade. Definitivamente, Parati nos faz sentir afortunados. Com eira, beira, e sobra.













Notaram o vestido? ;)



25 maio 2015

A viagem do adolescer


Estava em um bate papo animado com umas amigas, quando aparece o assunto de filhos adolescentes. Uma delas me contou que certa vez ouviu de um amigo:

- Socorro! Suspeito seriamente que apareceu uma nave espacial em minha casa.
- Como assim? - Ela falou.
- Só pode ter sido, Camila!! Entraram aqui de madrugada, levaram meu filho e deixaram outro no lugar. Eu quero meu filho de volta!!!

Na hora eu ri muito. Primeiro, pela forma espirituosa com que ela contou. E depois, pela rápida identificação.

Ele conseguiu descrever o que acredito que a maioria dos pais passaram, inclusive os nossos. De repente o(a) nosso(a) filhinho(a) tão carinhoso(a) que nos perguntava tudo, nos oferecia desenhos, beijos e abraços sem limites, e fazia tanta questão de sua presença, dá o lugar (sem a nossa permissão, lógico) à um ser à beira de um ataque de nervos, que bate portas para sempre ficar sozinho(a) no quarto, e quer fazer, se vestir, e escolher tudo conforme o oposto do que você orienta.

Essa é a lição de número 178 para a valorização dos nossos pais quando nos tornamos um.

Aí haja leitura! Gosto do Stephen Covey, apesar de ter bastante resistência aos métodos globalizados para "o sucesso pessoal", e desconfiar bastante de quem chama carinho e cuidado de "depósitos na conta bancária emocional", credo. Porém, encontro algumas coisas bem boas nas entrelinhas dos seus manuais. No livro Os 7 hábitos das famílias altamente eficazes, ele diz que a maneira com que nós, pais, desempenhamos o nosso papel de mentor (com exemplo, empatia, partilha, valorização e orações e sacrifício, ufa!!) especialmente perante o filho que mais nos desafia, exerce um profundo impacto no nível de confiança da família inteira. É esse filho que testa a nossa capacidade de amar incondicionalmente. Quando o mostramos amor incondicional, os outros filhos também concluem que nosso amor por eles é incondicional.

Amor incondicional, esse tipo tão profundo e raro que brota naturalmente e vive renascendo nos corações de pais e mães. É o que fornece a paciência, a vontade de fazer o melhor possível em cada situação, e a serenidade de esperar o tempo necessário para o adolescer. Camila disse que outro dia encontrou o mesmo amigo e ela perguntou pelo ET, quer dizer, pelo adolescente:

- Ah, já destrocaram e devolveram o meu filho, graças!!!!

Ela riu feliz com a notícia, e eu também. Com a tranquilidade de quem já foi ET. Se essa viagem dolorosa chamada adolescência precisa ser feita, que os nossos filhos saibam que existe uma base amorosa para onde voltar. E que não demorem!!!




20 março 2015

Uma fila cheia de história


A minha amiga Mel, que mora longe e não pôde vir, pediu para eu descrever o lançamento do livro no blog. É bem possível que eu não alcance com palavras a intensidade do que senti, mas vamos lá! O evento foi do tamanho da força do meu maior trunfo, o que me faz sentir realmente Incrível: as pessoas à minha volta.
Só pode ser por conta de uma conexão com o Divino. Quanto menos eu penso em quem “poderia ser o melhor”, e simplesmente deixo a cargo de quem está próximo, de quem apareceu naturalmente, em quem mais eu conheço e confio, mais dá tudo certo.
Como será que fica então, um livro revisado e prefaciado por uma doutora em letras, que também é a minha tia, ilustrado por um talentoso artista que é o meu melhor amigo, diagramado por uma equipe que gostou das estórias, e impresso com tanto cuidado por amigos de minha mãe que me viram criança?
Isso, num evento produzido por uma amiga irmã, iluminado por outra, fotografado pela mesma pessoa que fotografa a minha família há vinte anos. Onde os seguranças são amigos, a equipe de manobristas idem, do cabeleireiro ao músico, todos estavam afinados, vibrando! O caixa ficou por conta do meu grupo de voluntariado, que vai dar um bom destino ao dinheiro arrecadado. A divulgação, por amigos que se mobilizaram de toda parte do Brasil e também de fora. O George, amigo da California e leitor das antigas, conseguiu de lá a minha primeira entrevista na TV. Seus colegas jornalistas não me conheciam, eu não tinha livro pra mandar ainda, mas ele os convenceu que valeria a pena.
Pelo menos pra mim valeu, e muito! Me senti muito mais à vontade nas entrevistas de radio e TV do que no teatro, ou falando em público. Engraçado que um dos meus pesadelos recorrentes é o de estar no palco, abrirem-se as cortinas e eu não saber o texto ou o que fazer. Imagina o terror. Mas ali, eu falava do que eu mais sei, esse livro brotou de meus sentimentos e foi ruminado centenas de vezes, eu poderia falar dele por horas! 
Diga-me você, Mel, se imagina a emoção que senti ao chegar naquele espaço, com a junção de toda essa energia. Vou deixá-la imaginar também, o que foi sentar naquela cadeira, pegar uma caneta e ver surgir uma fila na minha frente, de personagens dos meus quarenta anos de história, com o livrinho amarelo tão sonhado nas mãos. Amigos de meus pais, amigos de infância, da universidade, da época de casada, os que vieram depois que eu separei, do RH onde trabalhei, uma grande parte da minha família e até uns estranhos, atraídos pelas entrevistas!
Mas, de todos, os que mais vibraram foram os leitores do blog. Quem, como você, viu a idéia nascer, os que me conheceram ou se aproximaram por aqui, que são os amigos que a Incrível Falível me deu!
O evento estava marcado para às 16:30, e quando eu cheguei às 16:00 já tinha gente me esperando. Passei cinco horas escrevendo, abraçando os queridos e tirando fotos, com só uma parada pra um pipi rápido. E terminei tão feliz e abastecida que ainda saí com uma turma pra ouvir música e celebrar! Foi nesse bar, que vi o relógio do celular marcar 00:02. Eu tinha feito 40 anos e esse livro foi o melhor presente que eu ousei ganhar. Será, escritora falível que sou, que consegui me expressar? Então esqueça tudo, dê uma olhada no tamanho desse sorriso, e diga você: sabe como foi?


Foto: Carlos Alcântara


3, 2, 1, gravando!


O simpático Dalmir, radialista da Bandnews, acabou de me ligar pra gravar uma entrevista. Perguntou se poderia ser agora, eu falei: lógico! Tirei o cabelo da toalha e sentei no sofá pra prestar bem atenção. Tinha ido dar uma corrida no Parque Ibirapuera e a chuva me pegou, chuva daquelas de dar medo, fiquei ensopada, e pensei na hora: depois da tempestade vem a bonança, nem só de trapalhadas passa-se o dia de uma IF. Ele perguntou se tinha um tel fixo pra melhorar a qualidade, eu disse que não, expliquei que estou no ap do filho e esses rapazes não sabem pra que servem os tels fixos, agora vou dizer pra ele que se ele quiser falar na rádio vai precisar de um, rs. Ele disse que iria gravar pelo cel mesmo. 3, 2, 1, gravando: - Estou aqui com a escritora Valéria Figueira.... Parei. Vi outro raio clarear tudo, mesmo dentro do pequeno ap. Eu já sou uma escritora? Basta escrever um livro para virar uma escritora? Ninguém tinha me dito isso! Será que já posso colocar no campo "profissão" das fichas de hotel? Inspirei e me joguei, se ele está dizendo que eu sou, é porque eu sou! Ele começou assim: - Quer dizer que você vai lançar o seu livro no dia 14 de março... - Kkkkk, esse é farinha do meu saco, pensei. Daí ele consertou, e eu entrei na hora pra ajudar, pois eu acho que todos os distraídos do mundo deveriam se unir: - Já passou o lançamento, mas está na hora de comprar o livro, que está chegando nas livrarias... ... ... Posso falar os nomes das livrarias, Dalmir? - Fiquei na dúvida, não tem um lance que não pode fazer propaganda de outras empresas? Ele disse que poderia, bacana, o Dalmir. Então mandei ver, patati, patatá... foi!!! Acabei de descobrir que eu adoro esse negócio de falar na rádio. Do sofá de casa, então... Pois bem, se alguém se interessar em ouvir a entrevista de um experiente repórter, às vezes falível, com uma novata escritora, às vezes Incrível, é só sintonizar na Bandnews, 99.1, no sábado, às 9:00hs!

11 março 2015

Convite IF - Casa de Castro Alves


Emoção essa é a palavra, depois de um longo caminho. Primeiro me lancei para um desafio e nele me descobri, depois senti vontade de me expressar. Para isso criei um blog fechado para os conhecidos. Depois o abri, mas coloquei uma personagem de desenho me ilustrando. Com o tempo, coloquei o meu rosto, os meus aprendizados e os meus sentimentos. Me despi de amarras e me vesti de coragem. Aí está o resultado, o meu primeiro livro. 



08 março 2015

Pra todas as IFs!


Pra quem precisa ser forte, mas não larga a doçura.
Pra quem não se acomoda, mesmo com tantos puxões pra trás.
Pra quem se apega aos impulsos.
Pra quem entrega pro mundo o produto que tem, o que conseguiu realizar até agora, e mostra a cara, com medo, mas mostra.
Pra quem tem posição, se assume, se aceita,
E depois pode mudar de idéia, experimentar, e recomeçar.
Pra quem aprende com as crianças.
Pra quem não quer ser melhor do que os outros, e sim, de quem já foi antes.
Pra quem consegue se libertar dos julgamentos alheios.
E dos internos.
Pra quem não fala dos outros porque tem muito assunto.
Pra quem enfrenta uma situação dura inimaginável, e deixa pra chorar depois.
Pra quem não planejou a sua vida assim, mas reconhece cada passo que deu.
Pra quem ainda acredita no amor, mesmo com tanta dor, tanta falta e tanto desencontro.
Pra quem tem que ser mãe, dona de casa, amante, profissional, filha, amiga, etc, etc, etc, e ainda tem que estar com a unha do pé feita! (Essa é da amiga Magaly Evangelista​)
Pra quem, como o Djavan, não tem, e tem que ter pra dar. 
Pra quem cai na cama morta e amanhece nova.
Pra quem desabrocha com a idade que tem.
Pra quem ainda erra muito, mas se perdoa, assim perdoa os outros, e segue.
Pra quem sabe rir de si. Das bobagens, de orgulho, de nervoso, de qualquer coisa.
Pra todas mulheres que se descobrem Incríveis, mesmo sendo assim, falíveis,
Pros homens também, nesses tempos de papéis embolados,
Parabéns!
Um feliz dia, e um feliz viver.



Laercio Luz




01 março 2015

Vai meu peixe aí?


Nem só de dúvidas, cansaço e dificuldades vive-se uma recém escritora. Mesmo após dez horas em frente a esse computador, mandando releases e convites para todo lado, mesmo me sentindo culpada por não ter ido ao cinema com as filhas, mesmo com uma alergia danada e mesmo sendo domingo à noite...

Eu me sinto profundamente feliz.

Porque a gente nunca sabe a quantidade de amor que temos plantado por aí, até que chegue o momento da colheita. É impressionante o retorno que estou recebendo dos amigos para a divulgação do livro. Não só dos amigos irmãos, daqueles até que foram co-responsáveis pra eu me sentir Incrível a ponto de inventar essa história. Nem dos amigos fiéis que vejo de vez em quando. O que me causou uma deliciosa surpresa foi receber mensagens de quem eu não vejo há 1, 5, 10, 20 anos, para se colocarem à disposição, pedirem material para falar com um jornalista conhecido, dizerem que lêem e gostam do que eu escrevo e que, vão sim, lá no dia do lançamento.

Mesmo se não forem, elas já vieram. Chegaram no meu coração. 


Friozinho na barriga!!!





27 fevereiro 2015

Caruara


Um artista não pode ser mesmo um ser humano normal, como é que faz para sair ileso de um processo criativo? Pior, da propagação de um resultado criativo? Algo tão íntimo, particular, sendo colocado à venda. E pior é se não vender, ai!!

Por tanto tempo esperei pelo lançamento do livro e agora, o que eu queria mesmo, o que infinitamente mais me faria feliz nesse momento, seria nunca, jamais, sob nenhuma hipótese, ter inventado essa história. E o pior é que eu não inventei. A história é minha, real! Sem realeza nem nada demais, vivida com todas as células do meu ser e dos co-birutas que convivem comigo. É a minha vida em 180 páginas, disponível em formato digital e impresso, como se isso pudesse interessar a alguém!

Oh céus, já devia ter começado a tomar um remedinho pra distúrbio de personalidade. Uma mulher incrivelmente falível com surtos de autoestima. Pode ser esquisofrenia isso. Ou encosto.

“Escrever deve ser uma necessidade, como o mar precisa de tempestades - é a isso que eu chamo respirar." disse a Anais Nin. Começo a entender um pouquinho a Anais. Escrever é abrir as jaulas do julgamento para que os pensamentos possam voar!! Essa é minha, rs. A tempestade mal começou e eu quero voltar para as cobertas, pegar um saco enorme de balas e ser esquecida por 15 dias até passar tudo isso.

A minha dentista confirmou. Também a minha tia, e o dono da gráfica, esse disse que vai em todos os lançamentos dos livros que ele faz. Pelo menos isso, eu soube escolher a gráfica.

26 fevereiro 2015

Um novo eu


- Alô, Valéria? É a Gio, do livro. A revisora pediu pra fazer uma alteração, disse que “uma nova eu” está errado, que como o “eu” é um pronome pessoal masculino, o certo é colocar “um novo eu”.
- Jura? Mas não fui eu que fiquei nova? Quer dizer, não foi a eu, uma mulherzinha, que tentou criar uma nova versão de si?
- Hã? Não, você tentou criar “um novo eu” pra você. A não ser que você queira usar da liberdade poética do artista, e assim deixar errado mesmo.
- Não, pode alterar. Muda meu eu pro masculino. Quem sabe assim ele não fica mais objetivo? E com mais personalidade…
- Quem?
- O meu eu, a nova eu acabou de virar um novo eu agora, é trans.
- Ah ta, agora deixa eu ir que falta muita coisa, tchau!
- Tchau… … … euzinha, foi bom te conhecer.


20 dezembro 2014

Disfarce de Papai Noel


Há uns dias, uma amiga me viu arrastar a caixa da árvore de Natal e comentou: - Daqui a pouco não vamos mais precisar desmontar a árvore de um ano pro outro, do jeito que o tempo está passando cada vez mais depressa…
Era exatamente aquilo que eu pensava e não sabia, estava com tanta preguiça, por obrigação, só porque consta no manual da mãe perfeita em negrito que casa com crianças tem que ter árvore de Natal. Chamei as meninas pra me ajudarem mas ninguém topou, numa prova de como os adolescentes mudam de um ano pro outro. Pensei em intimá-las, mas sou fraca em forçar a barra pras coisas. Pensei em deixar pra depois, mas aquele trambolho já estava há uma semana no meio da área de serviço, e em mais uma piscada o Natal já teria passado.
Outro dia, que já deve fazer uns dois meses, cheguei a sentir antipatia dos shoppings nos empurrando as decorações cafonas e um espírito de Natal que não teve tempo pra descansar, não é possível. Não vi graça nas luzes da cidade, as propagandas da TV estão mais forçadas ainda e eu não estava a fim de comprar presente pra ninguém. Tem um livro que ganhei no ano passado que ainda não abri, os cartões ainda estão por cima de uma gaveta e a vontade de comer peru não chegou.
Respirei e perseverei, como nos finais das corridas, quando nos dá uma fraqueza e é preciso fabricar energia pra chegar no fim. E olha eu sou dessas que amam desculpas pra encontros, roupas bonitas e festas. Mas ter aquela trabalheira toda, e com garantia pelo menos um quilo a mais... Mesmo assim segui na empreitada, escolhi os melhores enfeites, que são os que foram feitos pelas crianças ou com fotos delas. Olhar para aquelas carinhas deu um aperto, eles estão tão diferentes! Torci para as luzes estarem ainda boas e remendando aqui e ali, salvei 60% delas, era o suficiente. Chamei as meninas pra ver. - Ah, legal! – Ficou bonito, mãe! - a outra disse, de passagem, com o celular na mão.
Pra tentar aumentar a graça do momento, e diminuir o pesar que dá quando percebemos a vida passar muito rápido, comecei a enumerar  o que realizei este ano. Muito, até para uma hiperativa zen ansiosa proativa, reconheço. E agradeço. Num instante os 60% de luzinhas recicladas brilharam um bocadinho mais. Fui lá, estirei os galhos e dei mais uma desamassada nos laços. Coloquei a árvore mais pra frente, mais pra fora, e um pouco mais pra perto de mim.
Assim senti o primeiro sopro desse tal espírito natalino de 2014. Ele não passa de uma oportunidade de exercer a gratidão e a união, disfarçada num figurino bem brega. E não vem mesmo, não adianta, da TV, dos presentes, das árvores, nem das luzes na rua. É um estado de consciência, e como os outros não precisa de nada, nem motivo, nem companhia. Pode chegar em nossos corações em qualquer época do ano. Mas, vamos reconhecer, reunidos em família, com uma mesa cheia de delícias e cercado de vermelho com luzinhas brilhando, fica melhor ainda.

01 dezembro 2014

Meus dois vestibulandos


Depois do tempo mínimo necessário pra saber se o negócio tinha chance de vingar, estava na hora de contar pro filho da existência do novo namorado. Especialmente porque os dois moram na mesma cidade e eu estava sem ter como explicar as minhas desaparecidas. Imagina, logo a mãe.
Pensei em algo que eles tivessem em comum, esperei uma hora calma, enquanto ele lanchava, olhando pro celular, lógico, pra puxar o assunto:

- Filho, sabia que eu estou namorando?
- Hum - essa é a palavra que mais ouço nos nossos diálogos, não sei precisamente qual é o significado, mas pelo menos ela indica que ele me ouviu.
- Pois é, depois de tanto tempo né? Porque você sabe, não tá fácil. Primeiro eu pensei que fosse pela má qualidade dos homens, sabe?
- Hum.
- Lembra que eu comecei até a meditar e a orar pra mudar a frequência, melhorar a energia que eu estava emitindo?
Dessa vez não teve "Hum", só a mordida num biscoito de chocolate.
- Então, depois eu vi que não eram eles, eu é que estava ficando problemática...
- Pciso stdá! - ele disse, levantando.
- Hã?
- Preciso estudar Val!! - Ele me chama assim, vê se pode.
- Ah ta. Olha, ele vai fazer o mesmo vestibular que você no domingo!
Ele parou, engoliu sem beber o suco, e, pela primeira vez em dois dias, olhou pra mim.
- Quantos anos ele tem, Val? - dessa vez ele articulou. Fiquei até emocionada, fazia tanto tempo que ele não me fazia uma pergunta!
- 23, por que? Achou que fosse da sua idade? - Não resisti, ele ficou mais branco do que é.
- Brincadeiraaaaaaa!!!!! Ele tem 42, inventou agora fazer outra faculdade.
- Hum - Dessa vez com uma piscada de olhos demorada, um gole no suco, e eu quase pude ouvir um suspiro.

O alívio foi tamanho que ele até perguntou pra qual o curso, e depois da prova, como foi o resultado do digníssimo. Eu achei a maior graça da situação, torci dobrado no dia, quase copio e colo a mesma mensagem de boa sorte no zapzap. Acompanhei o resultado e para essa primeira fase, parece que os dois passaram. Coisa boa é estar cercada de homens inteligentes e nem um pouco acomodados.
E o melhor, espirituosos. Que bom, porque com bom humor fica bem mais fácil de levar o amor.


30 novembro 2014

Uma bicicleta por uma boa lembrança


Era um domingo de março de 1992, em Vitória da Conquista. Já tinha combinado tudo, o Deda iria emprestar a pampa. Ele me pegou em casa com a Mó e antes das 10h passamos de casa em casa acordando o pessoal. Todos indevidamente em pé na carroceria do carro, na época em que cinto de segurança só servia pra cair no chão e atrapalhar na hora de fechar a porta. No som, o axé que ainda era uma criança, entrava com simpatia em qualquer domingo de sol. Assim passamos o dia do meu 17º aniversário, de bar em bar, subindo e descendo da pampa, eu pagando as contas com uns cheques que eu não tinha a menor ideia de como iria cobrir. Isso era um problema para a segunda feira. Sim, seria o dia seguinte, mas inebriada pela cerveja que era vendida livremente, me parecia que teria tempo suficiente pra arrumar um trabalho, ganhar na loteria ou receber uma verba extra muito merecida pelo meu dia. Eu dizia: - Deus proverá! – assim, na maior cara de pau, como se Deus fosse se importar em bancar a minha farra. O tour acabou no clube da AABB da cidade, num show da banda Mel, com todos girando com o dedo pra cima, cantando: “Vou dar a volta no mundo, eu vou, vou ver o mundo giraaaarr…” Em uma dessas voltas, a Nanda arriscou um passo mais ousado e acabou rompendo o ligamento do joelho. Mas isso ela só apurou depois. Antes, na segunda feira que teimou em chegar, na ida para o colégio, ela teve uma idéia brilhante:
     -  Nega, cadê a sua bicicleta?
Uma bicicleta branca meio cafona com cestinha, mas novinha. Quem precisa de uma quando se tem amigos que dirigem? Desta forma, a loja de bijuterias do tio Fernandão, o pai dela, abriu as portas com uma bicicleta no passeio com um papel oficio grudado escrito: R$250,00. E antes do banco fechar, o depósito foi feito, o valor batia incrivelmente com o total dos cheques que eu tinha passado.
Acho que na minha vida quase tudo aconteceu meio assim, como se tivesse uma equipe no céu que me protegesse. E protegesse os meus amigos também. Todos dirigiam sem carteira, mas não me lembro de uma blitz ou batida, de alguém se machucar (só do joelho de Nanda, mas aí foi ela sozinha e a pé mesmo). Nós nunca fomos assaltados, nunca nos metemos em uma confusão, nunca nos ofereceram drogas, além da bebida e da lança perfume na micareta, sem também, graças, piores consequências.
Não posso me lembrar da equipe do céu e esquecer da equipe da terra, liderada pelos queridos Tio Deri e Tia Yara, os pais de Mó e Deda, que davam um jeito de estarem em todas as viagens e se tornarem nossos amigos. Eles nos hospedavam, nos acolhiam e nunca perdiam a oportunidade de nos dar um bom conselho.
Nas voltas do mundo desses quase 23 anos, muita coisa mudou. Meu filho tem 19 anos, carteira de motorista, mas nunca me pediu o carro. Não bebe e prefere conversar com os amigos pelo whatsapp. Ele não sabe nem como funcionam os cheques, e é incomparavelmente mais bem comportado do que eu. A Banda Mel saiu da mídia e o joelho da Nanda nunca ficou bom, até hoje ela sempre diz que tem mais uma cirurgia pra fazer. Entraram os cintos de segurança, a lei seca, o crescimento da violência, e muito mais do que nos protege e do que nos impede.
Outras coisas não mudam. Desde outubro viajo pelos aniversários de 40 anos destas mesmas amigas, em encontros cheios de crianças, músicas daquela época e muitas risadas de histórias como essa. Uma é designer de luz e se casou com uma mulher, a outra é médica, foi morar em Ilhéus e já pode se candidatar a vereadora por lá, de tão querida. Tio Deri e tia Yara seguem animados entre nós nas festas. Tem uma amiga que encalhou, mas não desiste, está tão metida agora que emagreceu, que faz de cada suspiro um flash pra postar no Face. A outra se casou com um mato grossense, e eu fui parar em Campo Grande pra sua festa, e aproveitamos pra tomarmos uns belos banhos de cachoeira e conversarmos de noite na cama com a luz apagada até o sono chegar. Sem maridos, sem filhos, só nós, como antes, como somos.
Não nos faltam assuntos e nos sobram cumplicidade, confiança e intimidade. Nós não ouvimos as nossas estórias, nós estávamos lá. Presenciamos os vestibulares, as formaturas, as desilusões amorosas, os bebês chegando, as barras, as conquistas, as mortes e os recomeços. Fomos madrinhas de casamentos umas das outras, madrinhas dos filhos também. Esses meninos de todos os tamanhos, sexos e jeitos diferentes nos provam, a cada ano, quando se juntam, que filhos de grandes amigas, amiguinhos são.
Já nos despedimos centenas de vezes, e a vida nos mostrou que não importa quanto tempo passe, na hora do reencontro é como tivéssemos pulado pra fora da pampa no dia anterior. Os tamanhos dos nossos quadris não são os mesmos, apesar do esforço, mas os sorrisos são. Atrás das mães, das profissionais, das cicatrizes de cada uma e de todas as capas que precisamos colocar pra sobrevivermos, os risos frouxos nos denunciam. Eles entregam as meninas meio fora da regra, espontâneas, farinha de um mesmo saco conquistense, fascinadas por emoções genuínas, tão amorosas, e talvez por isso, tão abençoadas por Deus.

12 novembro 2014

Sumiço com propósito


Estranho não é sumir.
Estranho é ficar parado, fazendo a mesma coisa, até você mesmo perder o interesse por você.
Eu sumo pra aparecer ali adiante.
Eu não sei porque a vida nos dá essa imensidão de possibilidades pra escolher. É perigoso, exaustivo, mas também delicioso tentar descobrir aonde podemos chegar. Eu vou, e quanto mais eu ando parece que a minha capacidade de fôlego aumenta. Pego tudo o que vejo e coloco numa espécie de carrinho de mão. Olho para trás às vezes, em momentos em que me permito parar para descansar de cavar o novo e sinto saudade, que quase sempre vem colada com tristeza. Não consigo ainda desatar essas duas. Mas não dá pra descobrir isso pensando, tem coisas que só aprendemos no dia certo, então é preciso seguir.
Hora de abastecer. Estudo escrita, roteiro de filmes! E vivo filmes, sem parar. A combinação me parece perfeita. Só não está dando pra ler e pra assistir os filmes dos outros, tão necessário, mas deixei essa parte pra quando o cansaço chegar. Claro, preciso de algo pra fazer quando parar. Por enquanto não dá, a vida está me tomando todo o tempo agora.
Leva muito tempo ser personagens, ver personagens, incrementar personagens, criá-los e recriá-los.
Tomara que eu consiga,  pari-los todos em estórias, com os seus jeitos tortos, seus olhares dúbios, seus desejos preguiçosos e tudo que destoa, que não faz sentido, que desmente os seus discursos, que deixa escapar as fraquezas que os tornam quase humanos.
Estou amando todos eles. Tudo que mais odeio nas pessoas estou amando nos meus personagens. Porque eles revelam as hipocrisias que nós, pessoas, vivemos. Natural, possível e livremente! Porque eles ilustram a ingenuidade para amar que nós, pessoas, não desistimos de ter. Porque eles nos faz rir das tragédias e chorar nas comédias do cotidiano da vida de toda a gente. Porque eles nos fazem sentir o que deixamos passar desapercebido.
Agora que o primeiro semestre do curso já foi, que a mudança já foi,  que a lista interminável de pendências foi pro fundo da gaveta (pra ser irritantemente correta e não dizer pra onde elas foram realmente), e que a ansiedade só aumentou, estou voltando pro blog, esse nosso canal. Porque sinto muita falta. Porque a IF tem o dom de me fazer sentir um pouco menos ordinária. Ela é a melhor parte de mim, sou eu mais colorida, como devem ser os personagens.
Me permitam trazer umas novidades, pegar uns palpites. Mesmo sabendo que nunca dá muito certo, vocês gostam das conversas de mão única, em que derramo todas as minhas alegrias, confusões e lamúrias de uma vidinha incrivelmente comum.
Dá tudo no mesmo! As minhas histórias e as dos personagens que saem de mim, inspirados em todos nós. O importante é escrever, continuar, qualquer coisa, em qualquer formato. Se assumir falível e assim dizer sem medo. Retornar sempre, adiante, depois das pausas necessárias.


01 agosto 2014

Muito bem acompanhada

Nos domingos a noite eu sempre sinto falta de um namorado. Nos dias dos namorados sinto muita. Sinto falta quando saio com os casais de amigos, e também sinto quando vejo garrafas de vinhos no supermercado.
Mas raramente sinto nas sextas, dificilmente na rotina da minha casa e nunca, nunquinha quando viajo de férias com meus filhos. 
Eles estão ficando cada vez mais legais. Fazem as próprias pesquisas de onde querem ir, me chamam atenção pra eu não dormir no ponto, contam piadas, brincam e brigam o tempo todo, posso estar mais relaxada floreando demais as coisas, mas me parece que até as brigas estão ficando um pouquinho mais maduras. Os nossos quartos de hotel viram festas de pijamas, primeiro tem uma disputa pra ver quem fica com quem, e ainda há uma escala para dormir com a mamãe e ficar ao meu lado no avião, é, eu ainda estou com essa bola toda.
Quantas experiências inesquecíveis tivemos, nós cinco. Acho um privilegio viajar com a minha mãe, poder curtir vitrines bonitas com ela pelo mundo sem pressa. Ouvi-la tocar nos pianos que encontramos pelo caminho, poder deixar os meninos com ela pra dar uma escapulida e depois comentarmos a vida nas poltronas do avião.
Demorou pra eu entender que a minha família não tinha um buraco que deveria ser ocupado por um homem, a minha família é integra como ela é. Com a participação especial de dois homens bacanérrimos, o meu filho e o meu irmão que nunca viaja com a gente porque alguém tem que trabalhar nessa família!
É estranho para uma ex super ansiosa fcar tranquila, sentir como se tivesse ainda outros 40 anos para viver, numa boa. Sem remédios, sem nunca ter fumado nada, sem terapia. Simplesmente acalmei. Sei que estes momentos com essa galera que saiu de mim estão contados, eu tenho que aproveitar. Algo me diz que por ter começado a vida cedo demais ainda vou ter tempo de casar de novo sem filhos por perto, mais na frente. E se… Ah, e se! Se não tiver, tudo bem. O que vivi ate agora foi tanto que tudo bem. Tudo bem se eu for e se eu ficar. Nada mais importa, curtir a vida com meus filhos é hoje o meu melhor programa.