Mostrando postagens com marcador Do fundo do ♥. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Do fundo do ♥. Mostrar todas as postagens

05 fevereiro 2013

Era uma vez...


- ... E entrou pelo pé do pinto e saiu pelo pé do pato e quem quiser que conte mais quatro.

A minha mãe sempre terminava as histórias e os casos que contava para mim assim, me arrancando do estado de fantasia e me fazendo aterrissar rapidinho pois já era a hora de tomar a sopa, de dormir ou de ir fazer qualquer outra coisa. Ela diz que não me passou nenhum dos romances que leu na infância, para não me contagiar com o sonho romântico que tanto a atrapalhou.

E para quem me conhece há algum tempo já sabe, não adiantou muito. Sou uma quase uma Pollyana, ingênua, romântica e totalmente entregue a quem me oferece qualquer punhado carinho.

Não sei quantas histórias ouvi ou presenciei daqueles tempos para cá, mas uma coisa é certa, todas tiveram um final e se não tiveram ainda irão ter. Mas eu sempre me esqueço que existe final nas histórias. E até hoje, quando estou em um final que me deixa inebriada, nostálgica ou meio perdida eu ligo pra para ela, acho que é para ouvir da sua voz: "Aí entrou pelo pé do pinto..." Ela não fala mais essa parlenda mas é como se eu a ouvisse. A minha mãe sempre me surpreende mesmo que seja com a mesma mensagem, ela sempre me faz acreditar em mim e nas alegrias que virão com a próxima história, a minha mãe sempre me faz acreditar no futuro.

Hoje também orei e ao abrir a Bíblia da minha avó, o meu oráculo, estava lá: Eclesiastes 3:1-2: Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: Há tempo de nascer, e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou... Primeiro fiquei triste pois esse texto me faz lembrar a morte de pessoas queridas, ele sempre está presente em cartões de velório e em santinhos de missa. Só que a morte para o cristão é apenas um estágio para o renascimento e eu preciso entender o real significado dessa passagem bíblica assim como para a morte e também para os finais das histórias.

Na semana passada estive na casa de uma amiga que tem a sorte de ser amiga do Gilberto Gil. Ela se separou após trinta anos de casamento e foi desabafar com o seu sábio e talentoso amigo. E já chegou para ele assim:

- Pois é Gil, eu e o Arnaldo não demos certo...
- Hein? - ele interrompeu - (Ai, eu daria tudo para ver a cara do "hein" dele, com as sombrancelhas levantadas) - Como assim não deu certo? Vocês viveram juntos por trinta anos!!! Então deu certo por trinta anos! Quem disse que é para sempre?

Ai, como eu sou fã do Gil. Como eu sou fã das pessoas que entendem claramente isso, que tudo tem seu tempo, que depois que entra pelo pé do pinto vem outras quatro e que nada é para sempre.

Mas para quem adora o final dos contos de fadas o fechamento das histórias da vida sempre trazem decepções. O clássico "E foram felizes para sempre......" (assim, com reticências a perder de vista) pode parecer seguro e confortável, pode ser mais bonito e nos deixar na emoção da melhor parte da história por mais tempo, ignorando os pontos finais, mas é uma ilusão. Doce, mas é só faz de conta.

A gente decide; pode viver os sonhos e as frustrações quando os ciclos se fecham ou adotar a versão de mainha, embalada pela filosofia de Gil e tão bem descrita no livro de Eclesiastes.

Tentemos então:

"... E então a mulher que há muito tempo não era mais uma menina, não parava de olhar as ondas irem e virem. Até que levantou-se do banco, respirou fundo e olhou para frente. Começou a andar bem devagar prestando atenção para não tropeçar nas pequenas pedras do passeio. Passou pelo vendedor de caldo de cana, percebeu que as pessoas não podem dar o que não tem. Olhou para o mar de novo e entendeu que o amor transcende, muda de forma, pode ir e voltar sem a nossa autorização. Olhou para os pássaros voando em direção ao sol e sentiu que é possível amar de outro jeito, ou em outro tempo, o importante é não deixar de amar nunca. Passou por um menino tentando se equilibrar na bicicleta e viu que o amor nos enobrece, nos faz querer ser melhor, tentar e aprender. Nos faz ceder, vencer nosso orgulho e vaidade. Nos permite descobrir potenciais que não enxergávamos antes e às vezes nos absorve de tal forma que nos faz esquecer de todos os nossos potenciais para viver só o amor. Viu duas meninas correndo e se lembrou que o amor nos faz rir sem medida e nos faz chorar muito também. Viu o corredor muito veloz e suado e se lembrou que o amor pode ser uma aventura radical apenas para os que tem coragem. Ou pode ser mais calmo, que bom, pensou, enquanto um cãozinho parou para cheirar o seu pé. E ao passar por uma mãe sentada balançando um carrinho para o filho dormir, ela sorriu bem de leve enquanto entendeu que todo amor vale a pena ser vivido, que amar é um privilegio e agradeceu por esta grande oportunidade que a vida nos dá a todo instante, todos os dias."

E entrou pelo pé do pinto, saiu pelo pé do pato...




PS: Feliz ano novo, estava com saudade! :)

12 agosto 2012

Pai


Já faz tempo que esta palavra me incomoda. Há mais de quinze anos. Sofri muito quando meu pai morreu, todas as vezes que ouvia alguém chamar alguém de pai sentia um aperto.

A carência de pai é algo comum aqui em casa. E na medida do possível, bem resolvida. E quando não está na medida eu procuro ajuda. Nesta semana estive em um psicanalista novo e ao me queixar (e me gabar também) de como é duro ser pai e mãe e ter que assumir todas as responsabilidades tive uma ótima sacudida. Ah, como eu adoro (e preciso de) terapia!

Ele disse que eu não posso ser pai porque não conseguiria, que a relação da mãe com o filho é tão intrínseca que por mais que ela queira ela não consegue desempenhar o papel de um pai que vive uma relação mais distanciada, é quem que faz a ponte do filho para o mundo.

Perguntou se eu tinha alguém que representasse essa figura. Respondi que SIIIIMMMM!!!!! Porquê Deus nunca me deixou no frio sem cobertor... mais casaco, cachecol, luvas e botas. Eu tenho um irmão que vale por dez, que nos ampara e que segura muito bem comigo a onda dessa galera toda.

Mas nada tira a saudade. Estava agora passando a vista no Facebook e vendo dezenas de fotos das pessoas penduradas nos seus pais. Morri de inveja. Tenho a minha foto do dia de hoje na cabeça. Meu pai sentado, eu e meu irmão atrás da cadeira (eu grudada do pescoço dele), minhas filhas no colo, uma em cada perna (disputando o pescoço), meu filho de um lado e o meu sobrinho do outro.

Por que né? Uns tem que ir pros outros chegarem. Eu não conheci meu avô e minhas filhas não conheceram o delas. E por mais que eu o descreva elas nunca vão saber como ele era de verdade.

Ao pensar nisso lembro-me depoimento que li da filha de um homem muito famoso recentemente homenageado. De como ela estava orgulhosa do legado imenso que ele deixou. E ao ler aquilo eu só me identifiquei na parte em que ela falava da saudade, percebi que eu não queria o legado, que o que eu queria de verdade era mais uma tarde com o meu pai.

Apresentar os meus filhos, dizer como tudo está bem e como ele foi importante em minha vida.

Percebi que o que fica no coração dos filhos não é o tamanho da obra, das grandes realizações. E sim os pequenos gestos. Eu queria ouvir meu pai me chamar de Sinhá, ver ele destampar a panela para me mostrar a comida deliciosa que estava fazendo. Eu queria ver ele chegar com um saco na mão, ele tinha mania de trazer coisas gostosas da rua pra mim. Queria ver o brilho nos olhos dele quando ele me apresentava para alguém, sempre senti que ele me achava a coisa mais linda do mundo!

É, não dá pra ter tudo, não dá mesmo pra colocar os pais com as filhas em uma foto aqui em casa. Mas dá pra guardar no coração uma certeza. A de que fomos muito amadas. Seja com um tempo maior ou menor, os pais que nos trouxeram para este mundo nos queriam. E isso, provado com os mais singelos gestos, nos traz a base que precisamos para seguirmos felizes.

Então, nesse fim de domingo de dia dos pais eu queria dizer pra ele que ele conseguiu. Que ele me fez sentir amada e importante e me ensinou como amar os meus filhos. E que esse é o maior legado que alguém pode deixar nesta vida. Fazer com que bem querer transborde até outras gerações, com que aconteça a perpetuação do amor!

25 julho 2012

Viva os amigos que ficam!



Volta e meia vem alguém me reclamar de uma decepção. Com amigos, com a mulher, com um funcionário. Outro dia um me perguntou: -Você acha que vale a pena acreditar nas pessoas?
Siiiiiiiimmmmm!!!!!!!! Penso assim mesmo sofrendo decepções, algumas bem duras. Isso me faz lembrar o meu irmãozinho IF que tem uma tática para quem lhe faz ou lhe trata mal. É interessante, ele recebe uma fechada no trânsito e fala: "- Que Deus abençoe". É uma bater o telefone na cara dele e ele imediatamente diz "Deus abençoe" E não é que corta a raiva na hora? Aprendi e peço a Deus que abençoe a todos que um dia me decepcionaram, traíram ou julgaram mal.
Perdoar sempre, cumprimentar civilizadamente também. Continuar como antes às vezes não dá. Excluir do convívio às vezes é necessário. 

Acredito que existem fases evolutivas distintas, graus de maturidade para saber se relacionar também. Vou ficar quebrando a cabeça para entender, para julgar ou perder meu tempo para me vingar de alguém? Eu não, tô nem aí para quem não vale a pena.
Fui até puxar no arquivo o botão do  quem lembra? É isso ai, não estou nem chegando para o que pensam ou falam quem não me interessa.
Acho que penso assim porque não para de chegar gente nova e boa. Não seca a fonte. Pessoas maravilhosas estão a nossa volta e se aproximam de acordo com a frequência com que vibramos. Se você é da paz, sabe amar e deseja o bem a vida dá voltas em espiral e as pessoas certas chegam.
Comecei a fazer uma conta de quantos amigos fiz nesses últimos dois anos, contando com quem conheci nos States, os amigos virtuais e o resgate de uns queridos que tinha perdido o contato. 
Muitos. 
Certo que me movimentei bastante para isso, gosto mesmo de viajar, de conhecer gente, adoro alimentar as amizades de sempre, até futucar o face para achar uns amigos extraviados... Adoro promover encontros, acho até que isso é uma missão. Não é a toa que vou começar a trabalhar com isso, quem sabe ainda não ganho algum?
E é como se diz por aí, "é que nem biscoito, vai um e vem dezoito". Esse um que foi, com certeza não merecia ficar, e que Deus o abençoe. Os de valor nunca vão. E nos dezoito que chegam, há de vir surpresas boas.
E pelos que importam vale tudo. Viva quem merece, eles valem a nossa energia! Por eles superamos ausências e mal entendidos. É sempre um desafio aceitar as limitações do outro e reconhecer as nossas, querer o pacote completo, harmonizar as diferenças, esquecer o que não vale a pena lembrar. Isso é amor né? Mas por muito sisso vale muito a pena, afinal tem algum incrível infalível aí?
Só fica difícil de resolver quando alguém deixa estremecer o alicerce da amizade, a confiança. Esses possivelmente irão ficar pelo caminho. E para eles o quê? Isso, rs, Deus abençoe. E bola para frente!
Por isso, de presente de dia do amigo IF... isso é, dia do amigo atrasado, ou de dia qualquer pois todo dia é dia de amar os amigos, queria dizer VIVA OS AMIGOS QUE FICAM! Eles são a maior prova que amar vale a pena. Viva os amigos que nos aguentam há anos. Viva os recém-chegados! Viva os amigos que estão por vir. Viva as pessoas com quem a gente adora estar aqui, na rua, na chuva ou na fazenda. A família que pudemos escolher. E não posso fechar sem lembrar que eu me acho "a Incrível" por ter conseguido encontrar, conquistar e manter amigos como vocês. Fiquem para sempre, please!


10 julho 2012

Pão De Cada Dia


Estou vindo de umas férias na roça, passei três semanas por lá. No último amanhecer daqueles dias senti uma vontade absurda de agradecer à Deus. Comecei orando o Pai Nosso, mas a parte do "O pão nosso de cada dia nos dai hoje" me pareceu muito pouco, nem sequer conta com a palavra "agradeço" para começar a frase! Daí fiz uma oração espontânea utilizando todas as palavras do meu repertório de gratidão, mas mesmo assim me pareceu muito fraco.

Joelhos no chão, mãos entrelaçadas sobre a cama, cabeça baixa. Respirei fundo. Aí sim, lentamente consegui me sentir suficientemente grata. O coração em paz. E chorei ao lembrar de alguns motivos:

Porque eu amo. Intensamente, algumas vezes incondicionalmente. Porque eu penso e percebo que a cada dia tenho mais cuidado com as palavras para não ferir os outros. Porque eu respiro e posso pegar oxigênio novinho a cada segundo. Posso sentir o cheiro da terra, do café e dos cangotes dos meus filhos. Porque eu consigo ver todas as cores, distinguir vinte tons de lilás. Porque eu sei andar e até correr e isso me faz sentir Incrível. Porque eu falo e sei falar de muitas formas. Porque eu sei escrever e escrevo sobre o amor. Porque eu tenho quem me leia! Porque amanhã vai ser um novo dia cheio de oportunidades. Porque mantenho amigos há mais de vinte anos. Porque é sempre tempo de fazer um novo amigo. Porque nada dói em meu corpo neste momento. Porque mesmo já tendo feito tantas bobagens eu sou amada. Porque não guardo mágoa de ninguém em meu coração. Porque aprendi a me perdoar. Porque posso tirar uma fruta do pé, porque existe chocolate, porque tomo banho quente. Porque aprendi a pedir desculpas e o melhor, até quando me sinto certa, só para evitar uma confusão. Porque acredito nas pessoas e no futuro, no meu coração transborda a esperança.

Daí (suspiro), cheguei na cidade e em dois dias ouvi três pessoas muito próximas me falarem sobre os seus sentimentos. Tristeza, solidão, letargia, angústia e ansiedade. Eles reclamavam dos mesmos sintomas mesmo sem se conhecerem. Poderia parecer coincidência se estas queixas não fossem tão comuns nesses últimos tempos. Falar que está deprimido hoje em dia já é quase tão normal quanto falar que gripou.

Comecei a pensar e a comparar a vida dessas pessoas com a minha, ainda inebriada pela sensação de gratidão da roça. Percebi que não éramos muito diferentes: idades, classe social, famílias, saúde, basicamente a mesma coisa. Os três possuem as oportunidades e são capazes de realizar todas as "proezas" do parágrafo grandão acima.

Então qual é a diferença?

Deixando um pouco de lado as questões física, biológica, genética, social e as demais que são estudadas diariamente e das quais não posso nem quero me atrever a discorrer, acho que o principal motivo das pessoas se sentirem assim é porquê elas não se enxergam.

Não enxergam seus potenciais, seus méritos, seus valores, seus amores, seus talentos, suas conquistas, suas chances, seus presentes, suas setas e seus avanços!

E sempre sem medo de ser feliz, aí vai mais uma teoria IF: Eu acredito que ser feliz é ser grato pelo que se tem. E com olhos e coração bem abertos. Essa gratidão vem do reconhecimento por tudo que Deus, esse grande mentor do universo, nos dá.

Eu tenho uma tia que recebe uma aposentadoria muito pequena. Por ela não ter filhos e eu a amar muito, sempre pergunto se ela está precisando de alguma coisa. E ela sempre dá a mesma resposta, "Preciso de nada Val, pense em uma pessoa que tem tudo que precisa, essa sou eu." Professora de felicidade, a danada.

Outra grande mestra foi a vida com suas lições, as dores que senti. Sofri o suficiente para saber valorizar qualquer momento de alegria.

Se temos a consciência do que temos e vivemos, deste grande privilégio que é a nossa vida e as suas possibilidades, atravessamos os problemas com força, serenidade e lucidez. Porque sabemos que eles passam.

Agora o bem que se faz (pelos outros e por nós mesmos) e os amores que conquistamos ficam. Nos preenchem e nos fortalecem!

Por tanto queridinhos, vamos cultivar o amor. Plantar novos, adubar os antigos. Regar a nossa capacidade de perdoar, aos outros e a nós mesmos. Cuidar da mente, crescer como gente, cuidar do nosso corpo que é um templo. E fazer do nosso amor por Deus uma frondosa árvore no peito, sempre cheia de novas folhas e frutos. Pedir a Ele para que nos traga a Sua paz. E por ela agradecer.













16 março 2012

E S P I R A L


Ontem um amigo querido me escreveu; "Feliz nova volta ao redor do sol!" Eu adorei. Achei o máximo a imagem e me senti logo animada para fazer de novo esse percurso.

Aliás, recebi muitas mensagens legais via e-mail e Facebook e ligações de muita gente boa. E algo me chamou a atenção na maioria delas; as pessoas desejavam que eu "continuasse" sendo abençoada e feliz. Achei bacana saber que me vêem assim. Porque graças a Deus é verdade. E pensando que o ser é uma continuação de "estares", acho que ser feliz é um estado de equilíbrio interno que suporta as mazelas e um amor maior à vida que nos faz vencer as dificuldades que nunca deixam de vir. É um estado constante que fica lá mesmo quando estamos tristes.

E olha, eu não perco uma oportunidade de sentir alegria; ontem eu mesma levei o bolo para a classe de francês para que me cantassem "joyeux anniversaire" e estava há pouco olhando as fotos rindo ao perceber que eu sou quem mais bate palmas para mim. E não preciso de festa, neste exato momento estou celebrando a chuva atrás do notebook no meu primeiro dia desta nova volta.

Eu valorizo muito isso porque não foi sempre assim. Para falar a verdade, esta felicidade de estar bem comigo na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê chegou há poucos anos.

E chegou de mãos dadas com a maturidade e a liberdade. Maturidade questionável (haha) e liberdade bem limitada é verdade, pois uma pessoa que tem que almoçar e voltar para casa cedo todos os dias para estar com os filhos não é bem um modelo de independência. Mas também não sei o que seria de mim sem esta âncora. Os filhos são um grande eixo de sustentação, uma grande razão para acordar todos os dias. E para viver  de forma saudável e correta, para dar o inquestionável exemplo. E foi por eles, por querer transmitir coisas boas que acabei encontrando a minha melhor versão.

E espero continuar feliz, também para dar o exemplo, rs. E dentro desta minha Incrível liberdade com restrições quero continuar a fazer escolhas que me permitam experimentar a vida,  conhecer mais pessoas especiais, aprender sobre coisas que nunca me passaram pela cabeça e estar em novos lugares neste lindo planeta.

E depoimento estimulante IF; nunca em minha vida eu tive o condicionamento físico que tenho hoje, nunca tive amigos tão diferentes e legais, nunca tive tanta vontade de aprender e de recomeçar, a família nunca esteve tão unida, nunca me senti tão feliz em fazer algo como me sinto escrevendo e nunca estive tão satisfeita com a forma que encontrei de ser.

Por isso eu estou pensando, dar voltas ao redor do sol faz um bem danado!!!  Está melhor a cada dia! Que nós possamos percorre-las por caminhos diferentes e que possamos desfruta-las com uma consciência cada vez maior. Desejo os votos de continuação de felicidade multiplicados por mil para todos que me escreveram, para os que não lembraram, para os que não sabiam e também para os que eu nem conheço ainda. Que possamos seguir contentes semeando o amor e a esperança pelo caminho, dando voltas em uma espiral de luz e nos expandindo a cada ano.


23 novembro 2011

Thanks and giving


Hoje é Thanksgiving, o meu dia favorito nos States. Dia de estar com a família, de comer bastante e de agradecer. Como a minha fala no jantar é pequena, vou fazer o meu agradecimento na íntegra aqui, faz de conta que estamos em uma grande mesa.


Eu te agradeço Senhor, porque eu:

Vejo ondas estourarem na praia, uma borboleta pousando na flor, todos os tipos de plantas, bichos, gente, formas e todas as cores.

Ouço as vozes de quem amo, a música que me acalma e a outra que me anima.

Falo e escrevo o que o coração manda.

Sinto um abraço, um fogo que me aquece do frio, a água morna do mar da minha terra, cheiro de jasmim no pé, de café, de pão no forno, gosto de chocolate e de suco de maracujá.

Ando, corro, caio e levanto, vou e volto por onde quiser quantas vezes for preciso me procurando e me encontrando.

Sonho algo possível.

Faço o sonho acontecer.

Tenho filhos, mãe, irmãos, tios, primos, sobrinhos, amigos e leitores Incríveis.

Sou amada.

Aceito que sou muito falível, inclusive em todos esse quesitos listados aqui.

Aprendo com as dores.

Perdôo aos outros e a mim.

Quero crescer a cada dia.

Penso em como deixar as coisas um pouquinho melhores.

Sei que a vida vale a pena.

Acredito que o bem vencerá.

E porque eu amo. E o amor é o melhor que tenho a oferecer.


Dar, receber e agradecer. Todos os dias sem parar. Quanto mais eu ofereço mais recebo e tenho a agradecer. Quanto mais tenho o que agradecer, mais preciso retribuir à vida, oferecendo aos que estão a minha volta. Num ciclo de energia e felicidade abundante. Nesse dia tão especial aqui, eu desejo um Thanksgiving contínuo de todos os dias para você! Tim tim!




29 setembro 2011

A vitória de (ex) amar


Coisa boa é ver um ex de um relacionamento machucado
E não mais sentir-se mal.

Não sentir raiva,
Não sentir vontade
Nem sentir saudade.

Não querer cobrar,
Não querer beijar,
Não querer dizer nada.

As perguntas agora são:

- Será que nós mudamos tanto desde que nos conhecemos?
                               ou
- Será que nunca tivemos muito em comum?

Qual foi o ponto de intersecção?
Não importa qual foi, hoje sabemos bem qual é.
E que lindo ele é.

Fica no ar
Como tantas roupas sujas não lavadas
Mas que agora não fazem mais sentido.
Brigar pelo quê?
Há como sair ganhando?

Procurei lavar a parte que me cabe em algumas horas de terapia.
Agora deixo o passado, peço perdão para ele e perdão para mim.
Que o futuro seja muito melhor para os dois nas suas vidas apartadas.

Desejá-lo o bem sem o querer para mim;
Isso é libertar
Isso é libertar-se
Acho que isso também é amar.




26 agosto 2011

Cruzes e porquês


Saem Vitória e suas filhas Susie e Nanda para comprar mochilas para escola em um shopping. Param em uma praça de alimentação, cada uma escolhe um prato em um restaurante diferente; “V” vai de sanduíche light, “S” de comida chinesa e “N” de spaguetti.


Depois dos primeiros dez minutos de refeição, Susie diz:

- Puxa... Se eu pudesse voltar o tempo teria escolhido outra coisa, esse macarrão está com muita cebola!

A IF mãe V, que há uma semana não sentava pra comer com calma ou conversar com as crianças, decide aproveitar esse gancho pra puxar um assunto diferente com as duas, enquanto separa a cebola num canto do prato:

- E se fosse possível? Se vocês realmente pudessem voltar o tempo e passar uma hora no passado, o que fariam?

N, que há alguns minutos tinha jogado alguns pennies em uma máquina que segundo ela era uma fonte de desejos demonstra animação com o seu pensamento.

S – Eu voltaria no tempo pra ter uma conversa com meu pai e o mandaria pro médico.

N concorda: É mãe, ele não ia querer ir, mas eu iria falar; - Você tem que ir, você tem que ir...

A mãe suspira. E diz:

- Olha, cada pessoa pensa de um jeito sobre essa questão. Quando vocês crescerem vão ter os seus próprios pensamentos. Eu penso que nós já chegamos na terra com o dia marcado de voltar para o céu, com um tempo pré determinado para viver aqui. Daí não importa onde e de que jeito, no dia certo nós voltamos.

S – Mas mãe, porque Deus escolheu a gente pra passar por isso? A pequena Nanda só tinha dois anos...

Essa é a pergunta que mais foi feita de lá pra cá. Pude ver mais uma vez que as tentativas de resposta anteriores não funcionaram. De repente me lembrei de uma história que Lais, que é a minha guru na área de RH, me contou:

- Era uma vez um homem chamado João. Ele começou a achar que a sua cruz estava muito grande e pesada. Pediu uma audiência com Deus e foi fazer uma reclamação. Chegou perto Dele e disse:
- Senhor, me permita fazer um pedido; eu gostaria de trocar a minha cruz, esta daqui está muito difícil de carregar.
- Deus pacientemente respondeu:
- Pois não meu filho, o departamento de cruzes fica no final do corredor a direita, fique a vontade, você pode trocar por qualquer uma que encontrar por lá.
João seguiu animado. Ao chegar deparou-se com mais de um milhão de cruzes, todas diferentes. Daí olhou para uma que tinha escrito “José” e estava coberta de espinhos. Tentou a de Antônio, mas era feita de gelo, gelava e escorregava, não dava pra segurar. A de Maria estava pelando, a de Paulo era de chumbo e por aí vai. João tentou todas as cruzes até que voltou para Deus e disse:
- Obrigado Senhor, mas resolvi ficar com a minha mesmo, entendi. E assim saiu satisfeito.

Daí, lógico, ela imediatamente perguntou:

N - Mas porque temos que ter uma cruz?

V - Eu acho que é porque a vida é uma escola. E a cruz nos ajuda a aprender, a ficar fortes e a crescer. Cada um desses que você está vendo aqui tem uma. Um não tem o pai, outro não tem a mãe, uns não têm saúde, outros não têm paz.

S - Mãe, como você acha que é a minha cruz?

V - Ah, eu acho que é rosa e cheia de brilho, brinquei.

N - E a minha, mãe?

V - Eu acho que a sua acende quando aperta igual a agenda que você comprou.

N - E a de papai?

V - Ah, a dele é cheia de botões eletrônicos, tudo de última geração, rs.

Elas riam e iam perguntando sobre as cruzes de todos.

V – E quer saber? De tudo que vivi na minha cruz, o mais difícil foi perder o meu pai e ver vocês perderem o de vocês. Então, a boa notícia é que a pior parte nós já atravessamos, agora os problemas que vierem a gente tira de letra.

N - Assim, se a gente for roubada, é problema difícil?

V- É nada, esse é mole. Tudo a gente resolve, conserta, reconstrói.  Estamos juntos e somos uma família. Se Deus passou essa missão pra gente, é porque nós podemos conseguir.

Nesse momento Susie abre o seu biscoito chinês, tira um papelzinho de dentro e o lê:

SUCCESS AND HAPPINESS ARE IN YOUR DESTINY.” – Um presentinho da equipe lá de cima para fechar o assunto.

Eu não sei de nada e não tenho a menor idéia sobre coisa alguma, se o que eu falo tem o menor cabimento. Somente os sorrisos e abraços no final das conversas me dizem que estou no caminho certo. Um caminho de percalços e barreiras que compõem as nossas cruzes diversas, mas também de muitas flores, belas paisagens, grandes encontros e ótimas surpresas quando cultivamos O AMOR.

15 junho 2011

Epitáfio de uma gata


A primeira coisa que quero dizer
É que eu não estou aqui.
Para me visitar você poderia ter ficado em casa,
Perto do mar ou de uma árvore bem frondosa.
Bastaria lembrar de algum momento bom que vivemos juntos.
Pensar;
Que eu vivi sete vidas em uma,
Intensamente.
Que fiz tudo o que quis,
Estive em lugares lindos,
Realizei os meus maiores sonhos.
Nasci na melhor família,
Tive os melhores amigos,
Fui a mãe mais feliz de todas.
Ri mil toneladas de risos,
Chorei um rio de emoções.
Amei e fui muito bem amada.
E saí desta escola melhor do que cheguei.
Saiba que Deus e a sua equipe que me protegeu durante todo o tempo em que estive aqui
Está mais perto agora.
Não fui nem um minuto antes da hora.
A missão foi cumprida.
Tive três filhos, plantei trinta árvores e escrevi trezentas histórias.
Segui sempre o meu coração.
Se quiser chorar tudo bem, mas me prometa
Que vai sorrir no final.
Porque comigo sempre foi assim.

Com o amor de sempre,
Val.

13 junho 2011

- Você conhece a sua família?


Somente aos 35 anos, em um dos meus surtos de ansiedade para movimentar a vida, resolvi mudar de continente para conviver com um galho da minha árvore genealógica que eu pouquíssimo conhecia; uma tia e vários primos da California.

Essa possibilidade surgiu porque o meu avô, há muito tempo atrás, resolveu separar a filha de um pretendente indesejado por ele e favorito por ela e a mandou para os EUA por um tempo. Só que ela gostou dos States do dia em que chegou e por lá ficou, casou-se com um militar e teve quatro filhos.

Esta ra uma das suas cinco filhas. A Tia Loy vinha mais ou menos de cinco em cinco anos ao Brasil e eu sempre a admirei por ser bonita, alegre, vaidosa, cheirosa e por sempre trazer uma mala enorme com presentes. E só. Convivi de perto com as outras três tias mas dela eu pouco sabia. Menos ainda dos primos.

Acho que a primeira vez que falei no telefone com ela foi pra dizer que estava indo. Assim de repente, peguei todos de surpresa, tive uma série de motivos ao tempo que nenhuma razão concreta para ir parar lá.

A sensação era esquisita, éramos do mesmo sangue e nada sabíamos, pois até aquele momento poderia contar nos dedos os dias que passamos juntos em toda a vida. E dois dos quatro primos eu não conhecia até então.

Superando todas as expectativas que já eram boas, a identificação foi imediata, o olhar delas me fez saber no arrear das malas que tudo valeria a pena. Estavam radiantes por finalmente terem primos e uma tia por perto, pois eles cresceram sozinhos!

E a partir daí construímos em um ano uma nova família em nós. Passamos por todas as estações, pelos nossos aniversários, Natal e a Páscoa, no Thanksgiving não tínhamos nada melhor para agradecer do que termos um ao outro. Pudemos contar com calma e às vezes com algumas taças de vinho sobre as grandes conquistas e as dores dos nossos caminhos. Passamos por vários de momentos de alegria e alguns de agonia, sempre juntos, sempre prontos para ajudar só porque éramos família.

Com os seus casamentos as primas americanas me mostraram que é possível crescer junto com alguém e reinventar namoros por 25, 30 anos e por toda a eternidade quando existe amor. Foi com um amor verdadeiro fundamentado na palavra de Deus que elas construíram as suas famílias. Recebi aulas práticas intensivas sobre este amor.

Nesse período tive a grande oportunidade de ouvir histórias para adultos da minha Tia Loy. Histórias sobre meus avós, sobre outra época, sobre a vida de uma imigrante, sobre os seus erros e acertos e sobre o seu grande amor proibido.  

Estas histórias me enriqueceram e espero um dia poder colocá-las no papel com a emoção que merecem.

Durante este ano recebemos várias pessoas da família do Brasil e agora estamos aqui prontos para recebermos os de lá. A Didi, a prima que até o ano passado não conhecia, disse que eu servi como uma ponte. Precisa nem dizer do quanto fiquei honrada com esta missão.

A Sandy disse que eu cheguei como uma estranha e saí como uma irmã. Verdade. Eu pude realmente experimentar deste previlégio e não quero perdê-lo nunca.

A Debbie foi um dia pra LA fazer um passeio com o marido e no meio do restaurante começou a chorar inexplicavelmente ininterruptamente. Era saudade.

Estou lembrando disso e me sentindo homesick. Em casa! Por isso que quando dizem aqui “Mas você não sentia falta da família?” Eu digo sim, sim... mas logo emendo com “Mas minha família também está lá!...”

Resultado: Estou perdida. E mais encontrada do que nunca. Porque agora me sinto extra completa. Ganhei um aditivo inesperado, um plus, uma overdose de suporte e carinho.

E resolvi escrever tudo isso queridinhos, para dividir mais um aprendizado e fazer uma pergunta para vocês:

- Você conhece toda a sua família?

Aquele tio do interior, o irmão que se mudou faz tempo, a prima que mora em outro país?

Não perca tempo. Ganhe em volume de amor o quanto antes. Você vai se surpreender com o que as pessoas tem a oferecer quanto a gente chega com boas intenções e de coração aberto. Posso dizer que hoje sou muito mais feliz do que antes e que, com quatro dias de chegada, já estou contando os dias estar com a minha família da América novamente.


Dear Val,
From the first day you entered our lives, you have made it brighter, happier, and definitely more fun! You and the children are a permanent part of our family now! 
I wish you many blessings on your journey and I want you to know that I will miss you, your smile, your joy, your beauty. Please come back soon.                  
                                                                                                                        Sandy

Este foi um dos lindos cartões que recebi, o que lia enquanto deixava Palmdale. 
O considero fruto de uma boa semente bem plantada em terreno fértil.

24 maio 2011

O quarto de uma noite só.


Aqui em Palmdale venta muito. Esperei chegar a primavera para comprar uma mesa para a área externa da casa, que é um lugar bem agradável, praticamente dentro de um campo de golf.

Comprei para o almoço de Páscoa, decorei tudo com flores e apetrechos novos mas o vento não deu trégua. Até que Steve teve a idéia de trazer uns frutos do mar para um barbecue com a família em uma sexta-feira qualquer. E foi uma noite Incrível, temperatura perfeita, todos muito alegres, a comida estava uma delícia.

Hoje estava cozinhando e olhando para a mesa de uma noite só. A chamo assim porque acho que não teremos mais oportunidade de estar ali. E me lembrei de um momento maravilhoso parecido que tive com o meu pai.

Ele construiu uma casa na fazenda em frente à um açude que ele adorava. Deu o maior trabalho, só quem já experimentou construir na zona rural sabe como é, levou uns três anos. Ainda não estava pronta, mas ele pediu que acelerassem o serviço porque eu disse que iria visitá-lo. E aprontou a suíte principal, colocou piso, pintou, pôs camas e lençóis novos. 

E lá fui eu, levando Vitinho que na época tinha um ano. Meu pai como a maioria dos avôs pseudo-machões derreteu-se ao ver o netinho e até esqueceu do quanto sofreu em me ver grávida tão jovem e solteira. Queria que ele provasse todas as frutas do quintal, tomasse o leite da vaca e buscou pintinhos e gatinhos para ele brincar. Dormimos os três no quarto novo, acordamos ouvindo os pássaros e admirando a manhã de sol e o açude.

Eu só passei uma noite. Por causa da minha ansiedade estúpida. Tinha sempre um namorado, umas amigas e um milhão de compromissos ridículos.

Depois que saí o meu pai voltou a dormir na casa velha para esperar até que a nova ficasse pronta. Mas não ficou. Dias depois ele partiu.

E eu nunca mais tive graça nesta fazenda e meu filho nunca mais teve o avô. Mas a casa está lá, terminada cuidadosamente por minha mãe e pelo meu irmão. Sempre que vou lá me emociono lembrando desta última visita. Lembro da imagem dele vindo na direção do carro, do abraço, entro, vejo a sua foto, subo as escadas, passo pelo quarto de uma noite só, vou até a varanda, olho o açude dele e choro. De saudade profunda.

Assim ao invés de lamentar o quarto e a mesa que só teve um dia, reconheço e agradeço a Deus pelo privilégio do grande momento. Apenas um, que não volta mais.



05 maio 2011

Anika


Eu não sei exatamente porque não quero ter animais.
Se é por não gostar deles,
Ou se é por gostar muito.

Não suporto a idéia de ter alguém com uma vida ordinária por perto,
Sob a minha responsabilidade.
Nem um peixe.
Um pássaro em uma gaiola então é algo que me aflige.
Eu me coloco imediatamente no seu lugar.

Imagino que para ter um cão devemos brincar com ele, levá-lo para passear e fazê-lo feliz.
No mínimo.
Muito trabalho,
E eu não dou conta.

Só abri excessão para ela,
Que foi um presente de um pai.
Trouxe-a para cá,
E vou levá-la comigo até o último dia.

Esta semana foi difícil pra gente.
Ela tem cinco anos e nunca namorou,
Precisava fazer a cirurgia,
Ou ter filhotes.
Mais um dilema,
Até que o veterinário me convenceu.
Ela operou hoje.
Parece que está com muita dor porque não quer nem sentar.
Consegui colocá-la para deitar me deitando junto,
E chorei.
Pela dor que ela está sentindo,
Por ter levado-a para a cirurgia sem a sua autorização,
Por privá-la da função natural de se reproduzir.
Me arrependi.
Está vendo aí?
Eu não sei se gosto ou não
De amá-la demais.

27 março 2011

Como está o seu currículo?


Outro dia, ao sair do funeral de uma amiga muito querida, comecei a falar com meu irmão sobre os bons lugares que devem existir no céu, reservados pra pessoas como ela. Começamos a pensar nas vagas na grande empresa lá de cima, sobre as atitudes que temos nas nossas posições atuais que determinarão a nossa colocação no céu.
Ele, que é um diretor aqui, disse que vai ter que jogar um somebody love na equipe da admissão de lá pra conseguir uma vaga qualquer, nem que seja pra servir cafezinho. Na hora eu ri, mas depois parei para pensar. Qual é o currículo que estamos preparando para a nossa próxima vida?
Muitas vezes estamos tão centrados em uma ascensão, em como ganhar mais ou satisfazer as nossas necessidades, que esquecemos das outras especializações que nos serão exigidas. E o mais importante, o fato de que podemos ser chamados a qualquer momento.
Já pensou? Professores que se tornarão alunos, analfabetos que serão mestres, presidentes que serão serventes, garçons que serão servidos, patrões que passarão a servir, empacotadores que serão diretores, mendigos que serão juízes, e em todos os juízes que serão julgados?
Mas quais são os verdadeiros pré-requisitos? Nós temos, a todo instante, vários mensageiros, sinais e chamados de alerta. Cabe a nós, diante do livre arbítrio que nos foi concedido, escolher, acreditar e agir de acordo com a nossa consciência. Tarefa difícil em um mundo tão abundante de informações e ilusões.
O Leo, um grande amigo querido e sensível, certa vez me disse: "Se você quer conhecer verdadeiramente um homem, dê poder a ele." Isso me marcou, com certeza ele foi porta-voz de uma mensagem séria para mim, que recebi nesta vida vários privilégios, que vão desde poder viver essa experiência nos Estados Unidos, até a benção de ter uma saúde perfeita.
Está lá na Bíblia, em Lucas 12:48; Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido... Sempre peço a Deus que eu saiba usar os meus dons e possibilidades, que nunca me deixe deslumbrar com o que é efêmero e sair do eixo dos valores que irão preencher a minha descrição. Que eu não tema a morte, e sim, me prepare pra ela. Que eu saiba reconhecer tudo que recebi. Que eu não perca uma oportunidade de servir e que Ele me ilumine para, se o bem eu não fizer, jamais eu faça mal a alguém.

E até agora já foram uns cinco lá pra cima que eu tenho certeza que terão cargos altos, como minha amiga Cida. Vou pedir para eles uma cartinha de recomendação, isso também deve ajudar.