29 setembro 2011

A vitória de (ex) amar


Coisa boa é ver um ex de um relacionamento machucado
E não mais sentir-se mal.

Não sentir raiva,
Não sentir vontade
Nem sentir saudade.

Não querer cobrar,
Não querer beijar,
Não querer dizer nada.

As perguntas agora são:

- Será que nós mudamos tanto desde que nos conhecemos?
                               ou
- Será que nunca tivemos muito em comum?

Qual foi o ponto de intersecção?
Não importa qual foi, hoje sabemos bem qual é.
E que lindo ele é.

Fica no ar
Como tantas roupas sujas não lavadas
Mas que agora não fazem mais sentido.
Brigar pelo quê?
Há como sair ganhando?

Procurei lavar a parte que me cabe em algumas horas de terapia.
Agora deixo o passado, peço perdão para ele e perdão para mim.
Que o futuro seja muito melhor para os dois nas suas vidas apartadas.

Desejá-lo o bem sem o querer para mim;
Isso é libertar
Isso é libertar-se
Acho que isso também é amar.




22 setembro 2011

IF in a Gay Nightclub!


Seja por malhar muito, por sorrir muito ou por ter a cabeça bem aberta para novidades, o fato é que de vez em quando eu engano bem, posso parecer mais nova. Mas no último final de semana eu radicalizei, fui badalar com uma turma de 21 anos.

A responsável foi a priminha Michelle. Ela é uma garota danada que por méritos próprios conseguiu uma bolsa para estudar na UCLA e um trabalho que lhe garantiu um ap charmosíssimo pertinho da universidade, no miolo mais bacana de LA.

E lá estava a IF na última sexta se achando. De sainha curta e i-phone na mão igual a galera (eles não desgrudam, é festa internética e real, tudo ao mesmo tempo). Para esquentar ela nos ofereceu jelly shot, a gelatina para maiores com sour apple puckers, uma bebida de maçã verde dentro. Uma delícia! Fica bonitinho nos copinhos, é divertido e anima!

Eu fui a segunda a chegar. Aos poucos chegaram um loiro, um negro, uma japa de cabelo vermelho e uma morena linda de cabelos encaracolados até a cintura. Esses trouxeram outros que rapidinho foram apresentados e inseridos na conversa. Deu pra perceber que todos estudam, trabalham e se divertem muito.

Na hora de sair, a pergunta: Estamos indo dançar, quem vai? Só que um não tinha nem um cent no bolso, a outra não tinha 21 ainda, o fato é que a trupe foi formada por mim e mais três garotas. O resto foi delicadamente enxotado para fora. Ô povo prático que sabe viver!

O melhor de tudo foi a escolha do lugar. A gay nightclub em West Hollywood. Eu adorei, acredite se quiser e eu não tenho a menor idéia do porquê, mas eu nunca tinha ido à uma.

Não sabia o que estava perdendo. Eu ganharia a noite só de ficar do lado de fora, vendo aquele espetáculo; gente de todos os estilos, cores e nacionalidades, de todas as crenças e opções sexuais, de todas as idades e formas! Milhares deles circulando colocando a noite para ferver.

Na frente das boates as bandeiras coloridas enormes e as luzes confirmavam o que já estava na cara. Na entrada eu já notei a diferença (vale a pena recordar a experiência IF de tentar entrar em um club da moda aqui: http://aincrivelfalivel.blogspot.com/2011/03/tao-sem-moral-essa-if.html).

Primeiro não tinha fila. Segundo o cara da porta não estava nem aí para ver como você estava vestida. Terceiro, o preço ($8). Quarto, o horário, as boates gay ficam abertas até as 4 am. Yeah!

Me joguei. Pra começar, vários rapazes rebolantes de cuecas. A prima disse logo que para eu ser iniciada eu tinha que colocar dólar na cueca de um. Glup! E eu nem estava bebendo, só mesmo a gelatina turbinada, pois tinha que voltar dirigindo pra MB. Foi o jeito encarar uma vodka, que teve cada ml evaporado pelo tanto que dancei.

No mais DJs e bartenders sem camisa, pista de dança lotada, quando tocou música da Madonna foi uma loucura. 80% do público era masculino, a maioria no shape, bonitos que só, vestindo jeans e camisas de malha justas.

Eu perguntei às meninas porque elas vão à boates gays. E a priminha deu uma resposta ótima:
Porque na boate hetero os homens te olham como se você fosse um pedaço de carne e aqui não, eles querem dançar com você só para se divertir.

De fato. Quando passávamos eles olhavam e logo sacavam o que estávamos fazendo alí. Dançando, extravazando e curtindo, muito mais a vontade!

Aliás, achei tudo bem mais careta do que imaginava, mais do que as boates hetero que fui. Nada de beijões ou esfregação, todo mundo na boa conversando e bebendo cerveja entre os popozudos rebolantes.


Se eu botei o dinheiro na cueca? Lógico! Na chuva neguinha, a gente tem que se molhar. Quando encostei o rapaz abriu um sorriso, se abaixou e colocou o seu grande atributo pra frente para facilitar, eu tomei até um susto ;) Mas me recuperei, retomei o fôlego, virei e coloquei a nota na lateral, foi o que deu pra IF nesse primeiro momento.

As meninas nesse aspecto me deram um banho; deram tapinha, tiraram fotos, perguntaram se era de verdade e por aí vai.

Rimos o tempo inteiro. Na saída, a minha prima Bella me disse a frase para fechar esse texto:

- Esse é o lugar que não importa quem você é, o que você tem, de onde vem, como é ou do que gosta; Aqui você é aceito.

Levei essa comigo. Deixei as garotas Incríveis de 21 em casa e peguei a 405 South radiante por ter vivido mais essa experiência, pensando sobre a delícia de ser o que é e comemorando mais uma vez a liberdade.

21 setembro 2011

Primeiro ano da IF!!!



Hoje faz um ano que resolvi contar as minhas birutices, as trapalhadas e os pensamentos do fundo do ♥.
Tudo valeu a pena
Esse bloguito me faz muito feliz.
Decidi, é isso que eu quero ser quando crescer.


Guardei uma novidade pra contar hoje
No início do próximo mês começo um curso na UCLA
Uma das melhores universidades daqui
Para estudar Writing
Curso de escrita para iniciantes, para quem quer escrever livros, peças ou roteiros.
Quero aprender!


É o momento certo
Com um ano de vida é hora de parar de engatinhar
E começar a andar pequenos passinhos.
Com muito treino vou correr,
E quem sabe um dia irei voar.


Para isso preciso de vocês comigo
Os meus primeiros leitores
Meus cúmplices, meus queridíssimos!
Muito obrigada por seu interesse, por seu tempo, 
Por cada comentário que você deixou aqui.
Foram eles que me alimentaram, me colocaram no colo
E me deram o impulso para seguir.
Assim como sem platéia não há teatro,
Sem amigos não tem a menor graça,
E sem amor nada funciona,
Sem vocês a IF não existiria.


Vamos comigo então?
Vamos ver como vai ser na escola?
Qual será o próximo post?
Qual será o próximo desafio?
Topa mais um ano?


Com vocês eu vou longe
Quem tem leitores tem tudo.
É possível até deixar de ser Incrivelmente falível
E me sentir falivelmente INCRÍVEL!!!!!

Cara e coragem



.Essa música me diz muito
É uma amostra do pouquinho que pude presenciar da mágica dos "antigos carnavais".
Me remete à Conquista de vinte anos atrás, ao bloco Massicas do meu amigo Pedro Massinha e às inúmeras vezes que o Bel do Chiclete com Banana a cantou para ele de cima do trio elétrico.

Ela me traz com o exemplo de Massinha uma trilha sonora de gente que luta pelo que quer. Que supera as críticas, que ultrapassa dificuldades e que vai buscar o seu sonho.

Para ele colocar o bloco na rua era a grande vitória.
Só que existe vários tipos de bloco.
Para mim hoje está valendo e eu estou comemorando.
Estou cantando para mim que há um ano atrás criei coragem, coloquei a IF na rua e hoje ele me faz tão feliz, me faz gingar pra dar e vender.

Ouça que lindo:




Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua
Sérgio Sampaio


Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou

Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Eu, por mim, queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo, um grilo menos nisso
É disso que eu preciso ou não é nada disso
Eu quero todo mundo nesse carnaval...
Eu quero é botar meu bloco na rua

Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou

Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender.


18 setembro 2011

Dia e noite


                                                                                                                Para Paulinha

Perder o convívio de alguém que amamos é como um tratamento de choque, a aula mais dura e intensa da vida. Feliz de quem consegue aceitar e bem mais feliz é quem consegue entender o possível, dentro do nosso limitadíssimos campo de percepção, porque elas acontecem.

Na hora da dor tudo se desestabiliza. Mas quando voltamos para nós, quando o coração se acalma, os pensamentos e sentimentos devem se acomodar de uma forma diferente. A dor acontece para tranformar algo em nós. Nós viemos aqui para aprender, é o que eu acredito. E acreditar é ter fé. Fé no que não é possível ver, no que não é possível entender. Ter FÉ é é ter confiança. Que as coisas acontecem por algo bem maior. Eu tenho fé de que a vida de verdade é a que vem depois. Confio em Deus e tento crescer com seus ensinamentos fortes. Sei de nada não, só sinto.


Foram duas situações antagônicas
Que me fizeram mudar
Da noite para o dia
Vida
E morte.
O nascimento do meu filho
E a perda do meu pai.
Apenas um ano entre uma e outra.
Me lembro pouco de como eu era
E me lembro muito do impacto que me causou.
Passei a ver tudo diferente.
Com a nova vida
Quis me tornar melhor
Para dar um bom exemplo.
Com a morte
Quis me tornar melhor
Para fazer alguma diferença
Deixar qualquer coisa um pouquinho melhor do que encontrei.
Nessas duas maiores lições
Aprendi
Que Deus está presente no amor ao próximo.
Amor ao filho, amor ao desconhecido.
Quanto mais amor pudermos dar
Mais teremos Deus em nós
E mais pertencemos a Ele.
É preciso transformar o que está dentro
Para transformar o que está fora.
Amar é o exercício divino.
Quando amamos, servimos.
Quando servimos, ganhamos.
Chegamos mais perto de Deus.
Isso traz muito menos dor com a morte
E muito mais valor de vida
Ou muito menos dor na vida
E muito mais valor na morte.

16 setembro 2011

Coçando e rindo!


Lembra que outro dia eu falei que a minha cabeça estava coçando de tanto pensar nos posts? Não era de pensar não... Era piolho mesmo.

Juro. Descobri ontem quando vi a minha filha coçando a cabeça desesperadamente e comecei a coçar a cabeça desesperadamente também. Nós duas temos o sangue doce para essa praga na mesma proporção do tamanho das madeixas.

Engraçada foi a ida à farmácia pra comprar o remédio. Primeiro olhei no google tradutor como era a tradução dos bichinhos malditos pro inglês: Louse. Isso porque a minha idéia era achar o tal do veneno sozinha e jamais confessar que eu era a piolhenta do pedaço.

Agora imaginem a IF na CVS pharmacy, um diacho de famácia que é maior do que um hipermercado, procurando uma caixinha de mata piolho.

Sofri, xinguei, quase chorei, mas tive que entregar os pontos. Escolhi uma moça da loja que estava meio escondida e perguntei bem baixinho:

- Oi, por favor, eu estou procurando um remédio para a minha filha (joguei pra ela, lógico, ela não estava lá), é que ela está coçando a cabeça...

A mulher não me deu uma palavra, torceu o nariz de ter que levantar, me levou a seção e me apontou o lugar onde eles estavam, que por acaso eu não acharia nunca. Fiquei tão  feliz de achar o alívio da minha vida naquele momento que nem liguei para o mau humor da criatura.

Mas lá estava euzinha e umas trinta espécies do produto. Nessa hora apareceu do nada uma linda moça com longos cabelos loiros que só podia ser uma fada, eu sempre acho que essas figuras que aparecem são fadas disfarçadas. Ela chegou perto de mim e disse de uma forma bem gentil:

- Esse aqui é o melhor. Só precisa colocar uma vez por dez minutos. Nessa época de verão é muito comum, a minha filha pegou e passou pra mim. Leve pra você também! 

Eu agradeci e continuei sorrindo pra ela enquanto ela ia embora com um bebê no canguru e uma cesta de compras na mão, deixando um rastro de brilho para trás.

Me levanto, a essa altura eu já estava relaxada e feliz por ter meu remedinho nas mãos e por saber que os americanos pegavam piolho também. Pego um saquinho de jelly belly pra comemorar, o abro, como umas quatro e vou para o caixa.

Fila. Como mais jujubinhas. Chega a minha vez e o caixa que me pareceu mexicano, pega os remédios e desavisado, quando vai pegar na cesta o saco de jujubas, derrama algumas pelo balcão. Eu digo: Tem nada não, pode colocar no saco o que restou.

- Você não vai querer que eu coloque as jujubas soltas dentro do saco junto com o veneno de piolho, vai? Com o maior bocão. Na hora quis me desintegrar. A mulher atrás de mim olhou pro outro lado. Procurei a minha fada para ter mais um olhar cúmplice e nada.

Foi então que o sujeito caiu em si do meu contrangimento e rapidamente catou umas balinhas espalhadas, jogou na boca e disse:  - Olha, eu vou até comer umas. Rindo pra mim.

Ele riu, a moça atrás de mim riu e eu ri também um riso bem engraçado de nervoso.




Já apliquei o remédio em todo mundo.
Ô alívio! Podia ter passado sem essa.
Ou não... Porque é o que eu sempre digo, pelo menos valeu um post!




Parâmetros


Em uma noite da semana passada, o meu PIF que estava na casa dele com as filhas de repente me mandou uma mensagem: 

- FALTOU ENERGIA AQUI!  Assim, com letras garrafais.

Eu que na minha estava, na minha fiquei. Estava jantando fora com a thurma, quando ele continuou: 

- Não posso cozinhar!

- Vai pra um restaurante! Respondi. E continuei saboreando o meu taco com salada.

E a agonia dele  foi até a minha sobremesa:

- Estou levando as meninas pra casa da avó. Inacreditável isso, não tem energia na vizinhança inteira, é assustador!

- Tive que rir. Como era mensagem ele não iria ver mesmo... Um estardalhaço porque faltou luz, imagina! Hein gente? Lembra aí! Quantas noites da sua infância você passou no escuro?

Eu me lembro de várias....

Uma terça feira qualquer fazendo qualquer coisa (na pior das hipóteses tomando banho)
Black out! 
A primeira coisa que ouvia-se era a voz da vizinhança, - Ohhhh!!!!
Daí logo chegava um na janela pra ver se foi só por perto ou foi  longe. 
Eu já ficava chateada pensando que iria perder a novela.
Procura-se uma vela, procura, procura... Achei! Um toquinho mas serve.
Pinga o tôco de vela no pires e o coloca no lugar mais alto do quarto.
Até que vem seu irmão vem de lá e a rouba.
Gritos, confusão, a mãe traz de volta e diz que só pode tirar pra ir no banheiro.
Lembro de colocar a revistinha da Mônica bem pertinho e conseguir ler.
E eis que mais cedo ou mais tarde... Tcahnram!!!! Ela volta.
Apagava-se o tôco de vela, guardava-o para a próxima, ligava a TV e tudo voltava ao normal.

Imaginei o Mr. Steve de hoje na roça do meu pai em 1985, na casa de Zé Vermelho e Anália, o casal que trabalhava lá e que criou os quatro filhos sem energia elétrica. Me lembro com uma saudade imensa que todos os dias às seis horas ela passava um café, torrado e moído por ela, e dava pra todo mundo em canequinhas de alumínio. Até eu que não sou muito adepta a bebida tomava, o café de Anália foi o melhor que já provei em toda a minha vida. 



Depois do café ela ascendia o candeeiro da cozinha, o primeiro e o mais importante da casa. Era um ritual silencioso e lento, ai.... como o tempo passava devagar na casa de Anália!...





Essa viagem toda foi feita em alguns segundos e logo voltei para me colocar no lugar do meu queridão que (infelizmente, rs) não teve esse back ground e que parecia estar chateado. Eu, que estava demonstrando ser "a insensível" mandei um- Are you ok love? -pra não ficar chato. Mas continuei sorrindo pensando em como tudo depende dos parâmetros, que várias coisas nesse mundo poderiam me deixar assustada, mas queda de energia? Tsc, tsc. No way!