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16 setembro 2011

Coçando e rindo!


Lembra que outro dia eu falei que a minha cabeça estava coçando de tanto pensar nos posts? Não era de pensar não... Era piolho mesmo.

Juro. Descobri ontem quando vi a minha filha coçando a cabeça desesperadamente e comecei a coçar a cabeça desesperadamente também. Nós duas temos o sangue doce para essa praga na mesma proporção do tamanho das madeixas.

Engraçada foi a ida à farmácia pra comprar o remédio. Primeiro olhei no google tradutor como era a tradução dos bichinhos malditos pro inglês: Louse. Isso porque a minha idéia era achar o tal do veneno sozinha e jamais confessar que eu era a piolhenta do pedaço.

Agora imaginem a IF na CVS pharmacy, um diacho de famácia que é maior do que um hipermercado, procurando uma caixinha de mata piolho.

Sofri, xinguei, quase chorei, mas tive que entregar os pontos. Escolhi uma moça da loja que estava meio escondida e perguntei bem baixinho:

- Oi, por favor, eu estou procurando um remédio para a minha filha (joguei pra ela, lógico, ela não estava lá), é que ela está coçando a cabeça...

A mulher não me deu uma palavra, torceu o nariz de ter que levantar, me levou a seção e me apontou o lugar onde eles estavam, que por acaso eu não acharia nunca. Fiquei tão  feliz de achar o alívio da minha vida naquele momento que nem liguei para o mau humor da criatura.

Mas lá estava euzinha e umas trinta espécies do produto. Nessa hora apareceu do nada uma linda moça com longos cabelos loiros que só podia ser uma fada, eu sempre acho que essas figuras que aparecem são fadas disfarçadas. Ela chegou perto de mim e disse de uma forma bem gentil:

- Esse aqui é o melhor. Só precisa colocar uma vez por dez minutos. Nessa época de verão é muito comum, a minha filha pegou e passou pra mim. Leve pra você também! 

Eu agradeci e continuei sorrindo pra ela enquanto ela ia embora com um bebê no canguru e uma cesta de compras na mão, deixando um rastro de brilho para trás.

Me levanto, a essa altura eu já estava relaxada e feliz por ter meu remedinho nas mãos e por saber que os americanos pegavam piolho também. Pego um saquinho de jelly belly pra comemorar, o abro, como umas quatro e vou para o caixa.

Fila. Como mais jujubinhas. Chega a minha vez e o caixa que me pareceu mexicano, pega os remédios e desavisado, quando vai pegar na cesta o saco de jujubas, derrama algumas pelo balcão. Eu digo: Tem nada não, pode colocar no saco o que restou.

- Você não vai querer que eu coloque as jujubas soltas dentro do saco junto com o veneno de piolho, vai? Com o maior bocão. Na hora quis me desintegrar. A mulher atrás de mim olhou pro outro lado. Procurei a minha fada para ter mais um olhar cúmplice e nada.

Foi então que o sujeito caiu em si do meu contrangimento e rapidamente catou umas balinhas espalhadas, jogou na boca e disse:  - Olha, eu vou até comer umas. Rindo pra mim.

Ele riu, a moça atrás de mim riu e eu ri também um riso bem engraçado de nervoso.




Já apliquei o remédio em todo mundo.
Ô alívio! Podia ter passado sem essa.
Ou não... Porque é o que eu sempre digo, pelo menos valeu um post!




09 junho 2011

Não, não é uma bomba! É uma viagem IF...


Peço alguns minutinhos para descrever a saga da IF da casa dos States até a casa do Brasil:


Segunda:
Primeira trapalhada do dia: Chegam Debbie e os dois rapazes para ajudar, vamos alugar o caminhão para depois irmos ao depósito. Paro em um drive-thru pra comprar café da manhã para todos. Acreditem se puderem; enquanto esperava o lanche e conversava com a prima, brincava inocentemente com o cartão de crédito no vidro (que estava aberto) da porta do carro até que... caiu, lógico. Dentro da porta!!! O meu único cartão americano, com milhares de coisas pra pagar no início de um dia de mudança e viagem! Eu e Debbie começamos a rir de nervoso. Parada na concessionária onde conseguiram tirá-lo de lá, a troca apenas de alguns sorrisos e pedisos quase chorosos de pleeeaseee!!!

Mudança: Como os meninos eram muito novos tive que cair pra dentro; ajudei a carregar e a pensar na melhor forma de encaixar tudo para caber no depositozinho que aluguei. Enquanto isso, no meio da loucura do cata, lava e embala de qualquer jeito na última hora, eis que surge a filha mole e febril. Deu trabalho para achar um tylenol na bagunça e cama a estas alturas, nem pensar!

Despedida: Tia e primos amados chegam para o último abraço destes tempos: Sentamos no chão, comemos um resto de pizza fria, passo pagamentos finais e deixo a casa bem mais bagunçada do que gostaria. Mas com toda a limpeza paga e agendada e a certeza que tudo vai ficar bem com a ajuda da família Incrível.

Shuttle: A van chega na hora exata, 6:30 pm. Colocamos as oito malas, uma guitarra e a casa do Au, fora as malinhas de mão. Saio lendo o cartão lindo de Sandy e olhando a querida cidade de Palmdale ser deixada para trás.

Hotel em Los Angeles: Após 15 minutos da chegada, tive conhecimento que o filho esqueceu o seu ipod na van. O PIF estava me esperando lá. A intenção dele era de me ajudar com a bagagem e nos despedirmos. Mas tadinho, não tivemos nem chance, entre as ligações para uma tentativa de recuperação do ipod, alimentação e cuidados com as crianças e uma última arrumação da bagagem. Passo a noite em claro com a filha queimando de febre e dor de garganta.

Terça:
LAX: Vamos todos pro aeroporto às 7:30. Tentativa de fazer upgrade nas passagens negada, tentativa de levar Anika dentro da cabine negada. Dou um remédio de dormir e água pra bichinha, coloco na grade e vou para o portão. O PIF nos acompanha até o último segundo, dessas coisas a gente não esquece. : )

Cena de filme: Estávamos naquela fila da esteira de segurança, tirando os nossos pertences, quando de repente a pequena começa a sentir uma dor de barriga forte e dá o sinal que vai vomitar. Pego correndo a caixa plástica branca, tiro o sapato de dentro e dou pra ela. Alí! Vou passar no raio x com a caixa na mão e o segurança fala:
 - A caixa é lá. - apontando para a esteira.
- Eu sei, é que a minha filha vomitou... - toda murcha.
Ele faz uma cara de susto e diz ok pra eu passar.
Quando eu passo vem uma outra segurança questinonar a mesma coisa. Quando eu falo ela diz:
- Ugh! Com careta.
Daí vem um terceiro pra saber o que é e quando eu repito ele diz:
- Ok, não tem problema, me dê isso e vá cuidar dela. E pegou a caixa da minha mão.
Fiquei pensando que poderia ser o contrário, acho que aquela xibunga não é dotada de nem uma colher de chá de instinto materno.


Come on!: Paramos para comprar remédios e lanches e fomos para o portão de embarque. Vou procurar o remédio que estava na mala trazida pela filha dodói, que tadinha, não aguentou puxá-la e simplesmente a deixou na primeira ladeirinha do caminho. Saio correndo e de longe eu a vejo cercada de seguranças (outros) falando em walk talks. Estavam achando que era uma bomba. Expliquei: não gente, não é uma bomba, eu não sou uma terrorista e aqui dentro só tem comida e casacos, ok? Saindo de fininho... OMG!

Parada não programada em Dallas: Isso, e com atraso. Era pra ser um vôo direto para Miami. Passamos duas horas dentro de um avião em terra. Estava aflita pensando no Au e com medo de perder o vôo de Miami.

Miami, enfim: Estavam nos esperando, encontrei a priminha no avião. Tudo certo, finalmente voamos para casa. Assim, certo vírgula, a filha ainda com febrão, tomando remédio e sem querer comer nehuma das opções horrorosas que foram servidas. E eu me contorcendo no meio deles para achar uma posição em que eles pudessem se acomodar e dormir. Teve uma hora em que eu desisti e fiquei em pé pra deixar mais espaço. Aproveitei pra alongar, rs. Quando me cansei sentei em um lugar vazio do lado de um homem gordo dormindo. Espremida e quieta pra ele não acordar e tomar um susto de me ver alí.

Quarta:
Chegamos!!! Eu, os filhos, a prima e o cachorro. E só. Nenhuma mala, NENHUMAAAA! Quem aí já ouviu falar do caso de uma pessoa ter oito malas extraviadas???? Por isso que não me canso de dizer: Você aí, caso deseje reduzir um volume considerável na carga dos seus pecados...

- VIAJE NA CLASSE ECONÔMICA DA AMERICAN AIRLINES!!!! 

Esse era o meu último crédito (se é que posso chamá-lo assim) NUNCA MAIS!!!!!
Palavra de IF.

Até o momento (quinta de tarde) eles não sabem me dar uma posição. Mas está tudo bem. Filhinha melhor e eu feliz da vida pelo simples fato de poder dormir na posição horizontal. Pensando que no futuro há de haver um jeito mais fácil de atravessar do lado direito do meu coração - California - para o lado esquerdo - Brasil. 



02 maio 2011

Como é? Você bateu seu carro no carro dele???


Corro a semana inteira para comprar e encomendar tudo, na quinta shopping para comprar roupas novas para elas, ok. Na sexta cupcakes para parabéns na escola, compro balões, não deixam entrar balões, ok. Tudo certo para depois da aula: cinema e jantar com todo mundo, o PIF diz que vem, de última hora a ex-mulher diz que não pode, ok. Vamos sem eles, tudo certo, filme ótimo, jantar também, etapa 2 cumprida. Acordo cedo no sábado para fazer surpresa para a filha, etapa 3 ok, eles chegam ao meio dia, pensei que fôssemos sair para almoçar, mas já tinham almoçado. Dia da festa, etapa 4, marcada para às 3 pm, filhos com fome, vou comprar alguma coisa para comer. Pego a chave, todo mundo brincando na garagem, dá licença que mamãe vai alí comprar comida, chega pra lá, 1, 2, 3, 4, cachorro, ok. Pra onde eu tô indo mesmo? Ah, ok. Abro o portão com o controle, dou ré e....


POW!

Que merda, atropelei a bicicleta, pensei.
Não, que merda merdona grandona horrorosa, não foi a bicicleta, constatei.

A BMW dele. Pára-choques arrasados.


As meninas fizeram um OOOHHHHHHHHH!!!! em coro, sincronizado com o solo do JUMENTAAAAAAA!!!!!!!! que falei para mim.
Resgate do passado, era assim que meu irmãozinho lindo me chamava quando eu fazia besteira nas poucas aulas de auto-escola que ele me deu antes de desistir, dizendo que era caso perdido.

E a minha cara para ir contar pra ele?

- Steve, bati em seu carro. De vez. Um sábio amigo me ensinou que as boas notícias devem ser ditas aos poucos e as más de uma vez só.

- What???

Poor Stephen. Descobrindo a duras penas o que é conviver mais perto com uma portadora de DDA.

O PIF ficou quieto, disse que pressentiu que isso ia acontecer quando parou, pensou em descarregar e depois mudar o carro de lugar, mas estava cansado da viagem e esqueceu.

Cuidado nunca é demais com uma namorada IF... Fiquei murchinha, disfarçando para não atrapalhar a alegria do aniversário da minha menina. Desde os dezenove anos não batia um carro (pela graça da equipe do céu, eu sei, nesse intervalo foram pelo menos uns 1926 "quases").

Mas eu sei que faz parte. A gente tem que aceitar, de tempos em tempos vem um prejuízo. Quando fui acalmando, fui chegando mais pertinho, fazendo um denguinho e ele disse:

- Estando com você pode o carro até pegar fogo que eu não ligo.

É, eu acho que ele me ama. Já que precisamos pensar no lado bom das coisas, valeu para ouvir essa. E para ter mais um post no meu rol de Inesquecíveis, Impressionantes e Insuperáveis trapalhadas Incríveis. OMG!


08 março 2011

Barradíssima no baile


Só para recapitular, eu vinha estressada, arrasada, louca para dar uma volta já que não tinha nenhum trio elétrico para correr atrás.

Pois bem, me muni da amiga importada do Brasil e mais três primas animadíssimas para inaugurar as suas carteirinhas de 21 anos em um night club em LA.

Fomos para o hotel, todo mundo feliz caprichando no look. Caprichando demais até, saímos pra lá das dez, no limite para os padrões americanos, já que todas as boates encerram às 2 am. Eu peguei logo o vestidinho indefectível IF de San Fran estrategicamente designado para ocasiões especiais.

Alguém aí pode estar perguntando: "Ué, e o loirão?" então deixa logo eu explicar; ele ficou em casa pra deixar a IF passear com as amigas, dando uma demonstração da mentalidade de um namorado de primeiro mundo. Haha, qual o quê, acho que ele fez foi uma mandinga, isso sim. Veja porquê.

Escolhemos o destino pelo topo, queríamos a mais nova boate da área, a que estava bombando, em plena sexta-feira em Hollywood. Ai ai ai...

Chegamos lá, manobrista por U$ 20, está valendo. Descemos na maior pose, eu camuflando em um saltão o cansaço de um corpo que estava a mil desde às 5:30 da matina.

Pegamos a fila, todos da frente até que chega a vez da turma IF. Demos de cara com uma porteira chatérrima que ficava fazendo bico para posar de sexy. Depois de passarmos meia hora estateladas vendo gente chegar e entrar ela veio dizer:

- Nós só temos lugar para quem comprar uma garrafa de vodka.

Respondi OK sem titubear mesmo sabendo que eles enfiam a faca, afinal tinha prometido às priminhas e pensei que essa seria a senha para o acesso VIP. Que nada! Ela ainda  foi ver e depois de mais 14 minutos disse:

- Olha, agora nós só temos a garrafa no bar, não tem mais mesa...

- Ugghhhhhh!!!!! Que raiva! "-Ok, ok!" disse quase tremendo.

Nesse meio tempo vimos algumas celebridades chegando cercadas de paparazzis, umas que não faço a menor idéia de quem sejam. Tinha uma que não tinha mais que um metro e meio, com plataforma e tudo.

Daí a tal da hostess entrou e depois de mais 17 minutos voltou dizendo:

- Acabou o lugar para uma garrafa, agora vocês só podem entrar comprando duas garrafas!

- Sua filha da mãe xexelenta mal-amada ridícula horrorosa boca de chupa ovo!!!!!!!!!!!

Vontade eu tive mas não disse claro, não no meu vestido elegantérrimo de San Fran, nem combina. Só dei as costas e saí. Quem ela pensa que é? Odeio porteiros de boate! Quem suporta aquele ar de "Eu tenho o poder!"? Estou velha pra isso. A xibunga tanto fez que conseguiu estragar o nosso programa. Quando joguei a toalha já passava da meia noite e era tarde demais para encarar uma outra fila :(

Fomos parar em um barzinho para tomar umas cervejas e para as meninas fumarem uns cigarros na área externa. Já pra lá das 1:30 am, um frio danado, eu achei um aquecedor e colei nele. Pensei no carnaval... E bem nesse momento me lembrei que teria que acordar às 6 pra levar o filho para mais um teste. Imagine a minha cara de desolada.

Até que ouvi um bip de mensagem:

- O que voce esta fazendo Valeria?

Assim em português. Gelei, mesmo inocente jogada às traças agarrada no aquecedor. Acho que ele me imaginou dançando cercada de movie stars. E foi por um triz, rs. Meu rosto iluminou-se. Este foi sem dúvida o melhor momento da noite. Começamos a trocar SMSs e eu  fiquei feliz da vida por ter o PIF e saber que o veria em algumas horas.

E depois disso não pensei mais na energúmena bicuda, só a resgatei agora para contar mais essa trapalhada pra vocês.

28 fevereiro 2011

Uma IF top model 2- Episódio: Ô dó!


Olha, não dá pra viajar muito. Fui me empolgar com a história das fotos e estou aqui troncha.

Primeiro por tentar ficar sem comer em um final de semana romântico. Isso, o PIF que tinha ficado de vir no sábado apareceu na sexta, para alegria do coração e desespero do programa alimentar IF redutor desesperador. Eu comia nada quando estava sem ele e tudo quando estava com ele. Tsc, tsc, deu uma azia daquelas.

Queria malhar no sábado de manhã e ele me esperando no hotel pra fazer alguma coisa, não deu outra, arrastei o PIF para a academia. Nessa brincadeira fui pegar mais pesado e tive uma super distensão na perna. Estou me arrastando para andar até agora.

Fora isso, tive mais uma prova Incrível da maratona de namorar e ser mãe, correndo pra lá e pra cá, administrando baby-sitters, fazendo jantar para os filhos pegando na cebola com luvas para ter mãozinhas perfumadas mais tarde. Ai ai, é mesmo para rir.

Diga aí, é mole? Estou aqui com o Ibuprofen, algumas pastilhas e uma garrafa de dois litros de água do lado. O anti-inflamatório para ver se consigo fazer amanhã pelo menos 20% das piruetas das quais estava programando. As pastilhas para o estômago e a água é para desintoxicar, aliviar o stress e hidratar a pele desta IF modelo atrapalhada.

19 fevereiro 2011

INCRIVELmente falível


Ontem acordei mais cedo pra dar tempo de organizar tudo, deixar os filhos na escola e ir para Los Angeles. Não deu, o filho se atrasou 2 minutos, o bastante para uma confusão; tenho que escrever bilhete de explicações e ele tem que ajudar recolher o lixo. Eles jogam duríssimo com horário e disciplina, eu fico chateada quando não consigo. 

Fui me maquiando no caminho, queria causar boa impressão na escola que mais gostei. Na mão levava mais dois formulários dos cinquenta que preenchi.

Chegando lá a mulher perguntou:

- Onde estão as crianças?

- Hã? 

Era pra ter levado as meninas para uns testes e atividades. Eu não entendi :( E elas adorariam ir. Já estava murcha quando vi uma fila de crianças aplicantes passando felizes da vida. Piorei.

Deb disse que me falou e eu inclusive questionei mas na verdade não entrou. Giselda e Mingo não conseguem registrar tudo. Eu já perdia muita coisa importante em português, imagina agora.

Acionei a Polly pra me consolar, inventei mil possíveis desculpas para justificar a minha estupidez e escolhi a que já sabia que as minhas filhas estavam no fim da fila de espera mesmo e que seria frustrante levá-las para depois não conseguir entrar. E escrevi um IF e-mail de desculpas. Sacudi a poeira, ajeitei o cachecol e parti para a escola plano B, C, D...

Faço isso pra sobreviver. E continuar me lançando desafios. Sabendo que alguns eu irei alcançar  e em outros ficarei pelo caminho. 

Por isso insisto em comemorar todas as conquistas, das minúsculas às fantásticas, tudo é Incrível. Cada palavra nova em inglês que falo, cada arroz que sai mais soltinho, cada "thank you" que um filho diz para alguém. Nada pode passar batido. Essa vida não é fácil e os novos tempos nos exige cada vez mais, acho que todos nós somos campeões.

Tudo é aprendizado, estou abrindo mais os olhos e também me perdoando quando simplesmente não consigo. E assim amando mais da IF,  porque o verdadeiro amor é o que conhece as limitações e ama mesmo assim.  
Ela é meio burrinha mas é gente boa, está ganhando cada vez mais a minha simpatia. Sempre dou umas risadas das suas confusões e torço pelos seus finais felizes :)

20 dezembro 2010

Cristhmas in Cali IF, of course.


Tava tudo muito bonitinho demais. Passei quatro horas no aeroporto esperando o vôo errado na companhia aérea errada, tudo por causa de minha comunicação incrivelmente falível.

Quando voltei pro hotel a prima já estava me esperando há muito tempo. Ela alugou um carro e chegou sozinha sem gps. Fiquei besta, nessas horas me bate uma crise de identidade porque eu não sei a quem puxei. Estou começando a reconsiderar a informação do meu irmãozinho lindo que sempre disse que eu fui achada na lata do lixo.

No meio do caminho fiquei pensando que aquela viagem não poderia ser perdida, serviu para ganhar mais um know-how no trânsito de LA, pra eu escrever romanticamente no bloguito (tinha até um Mickey imagina, tava sonhando, acho que me empolguei  vendo os casais no aeroporto) e poderia servir também pra colocar gasolina no carro.

Tem tempo que Jeremy está me mostrando uma luzinha. Troquei o óleo e nada. Deve ser o ar, pensei. Parei no posto, olhei e lá estava ela, a maquininha. Ai que saudade dos nossos amigos frentistas... Mas vamos lá, comecei a ler as instruções e sempre me sinto uma analfabeta ao ler instruções, tenho que voltar cinco vezes em cada linha. Fiquei pensando que se fosse em português, se seria diferente. Coloque quatro moedas, tire as tampinhas puxe a mangueira e coloque o ar... E não consegui.

Isso embaixo de uma combinação de chuva fina com vento gelado. Abasteci e resolvi comprar um lanche na loja de conveniências pois nada dá certo quando estamos com fome. Comprei um sanduiche que estava super salgado e tomei um suco que estava super azedo, deixa pra lá.

Depois de mais engarrafamento pude finalmente abraçar meus queridinhos. Conversamos um pouco, fizemos os planos e pedi uma trégua pra família, eles foram pro Universal Studios e eu pude ficar no hotel fazendo a melhor coisa do mundo num dia assim: nada.

Agora acabei de lembrar que esqueci (eu hein?) os pininhos dos pneus de Jeremy no diacho da maquininha do posto, lá do lado do aeroporto. Bu, bu, bu... Mas acho que não tem problema né? snif. Será que vai esvaziar e eu vou ficar no meio da rua? Ai que raiva! Preciso chamar a Polly, a terapeuta ou melhor, a Debbie.

Queridos, desculpem-me. prometo que me recupero rápido deste brake IF mau humorado, vou resgatar o espírito de natal volúvel e fujão e volto com mais novidades embaladas de presente pra vocês.


13 novembro 2010

Água Oxigenada


Já não comecei bem, hoje é o dia do aniversário de uma pessoa muito amada que está muito longe. Acordei a 40%, meio chorosa e com aperto no coração.

Ligo o computador antes de levantar da cama, hábito novo, sempre na esperança de ter comentários de vocês. Nada, mas também sei que o post de ontem ficou sem graça. Achei por lá foi um e-mail duro mas merecido desses de um ponto final de uma vez por todas no relacionamento. Já esperava mas mesmo assim doeu.

Respondo lá qualquer coisa, como lá qualquer coisa, visto lá qualquer coisa e me arrasto para o shopping com as crianças. Lista grande, uma precisa de botas, outro casaco e tênis, também tem que cortar o cabelo. Vamos ver lanche que cada um quer, não pode comer muito porque tem jantar na casa da tia as 5 p.m.

Fizemos tudo e resolvi fazer as unhas, achei uma boa idéia fazer uma gracinha pra mim. Enquanto estava no salão, que tem uma cadeira ótima que faz massagem, pedi ao filho que levasse as compras no carro. Relaxo com os pés na água morna, a moça coreana era bem delicada, fiz de conta que era um carinho.

Daí ela vai fazer a mão e me pergunta se pode tirar uma verruga que eu tenho na ponta do dedo, disse que ela tem uma que ela mesma tira. Eu não sei se estava anestesiada com a massagem, meio out com os acontecimentos ou hipnotizada pelo pseudo carinho dos seus olhinhos apertados, mas quando dei por mim já estava vendo alicate, mão e sangue, sem saber qual era o quê. 

Ela continuou sorrindo com aquela carinha de gueixa, saiu e voltou com um tanto de pomada na ponta do dedo, enquanto eu tentava escrever uma mensagem meio desesperada para a prima com a mão esquerda:
- Como é água oxigenada em inglês???

Nada do sangue parar e vinha mais pomada, mais algodão e mais coreanas sorridentes para acudir.
Apertaram tudo com um bandaid (pelo menos esse eu vi que estava limpo) que estou usando até agora com medo de tirar e ver no que deu.

Sim, mas deixa pra lá, eram 4:30, hora ótima de sair. Desta vez vou chegar no horário na casa da Tia!

Na saída aquele frio,corre a mão na bolsa pra pegar a chave, não está, lembrei que dei pro filho.
- Filho, dá a chave. 
- Não ta comigo.
- Filha, dá a chave.
- Não tá comigo. Eu dei pra ele.
- Eu dei pra ela....

E assim é a minha vida, passei uma hora olhando em todos os lugares, fui três vezes ao salão e quanto mais eu perguntava cadê chorando, mais a coreana respondia que não viu sorrindo.

Buáááá.... Com direito a virar a bolsa no chão esparramando tudo. E minha tia esperando...  A chave do carro ta na casa e a chave da casa ta no carro... E aqui no shopping não tem taxi... Eu não dou conta de fazer tudo sozinha.. ai meu dedo... E eu vou ter que incomodar a Deb...bu, bu, bu, buáááá....

Até os meninos se calaram, viram que o negócio tava grave. Fui respirando até que me recompus, catei as minhas coisinhas no chão e liguei pra ela. Em 10 minutos o anjo protetor das primas IFs apareceu. 

Primeiro me levou na casa da Tia, onde tive o melhor jantar do ano. Já tinham me dito que o fry chicken dela era o melhor da América, mas só comendo pra entender. Na confusão tinha até esquecido que estávamos famintos. Saladas, pãozinho feito em casa, mashed potatoes com um molho especial, milho mole e doce, sorvete com casquinha de chocolate, uma taça de vinho pra rebater. 

Nem sei mais onde é que eu estava. Obrigada equipe do céu pelo brake amoroso e delicioso. Thank you my beloved Tia!!!

Saio de lá bem melhor e quando chego no no mall, os primos já estavam me esperando. Eu não tenho marido mas tenho primas de ouro que me emprestam os delas. Ô povo bom!!!

Chega o carrro do seguro, o cara abre Jeremy que não gostou nem um pouco da invasão, apitou pra valer. Pelo menos sabemos que o alarme funciona. Aliás tudo funciona no meu Jeremy lindão maravilhoso. 

Pego a chave de casa, a  prima me leva pra lá, pegamos a chave extra de Jeremy e voltamos pro mall.

Finalmente venho pra casa dirigindo o meu querido. Vou arrumar tudo, ajeitar as camas dos meninos enquanto penso na vida.

Primeiro, passar por conflitos em família é uma grande escola. Nestes momentos nos unimos mais, conhecemos as habilidades, podemos ser acolhidos e termos a prova de que somos amados. 

E segundo, tem dias que não é pra sair, acho que todos os sentimentos precisam ser respeitados e processados, vale a pena esperar um pouquinho pra buscar mudar a energia. Pra que a pressa? Tudo, até aquilo que dói tem o seu valor e seu propósito.

E o nome é peroxide. A água oxigenada americana, para o caso de você vir aqui e se deparar com ela, a coreana sorridente hipnotizadora. Nada como ter recursos para estancar o sangue e o choro de um dia assim.

Ih! 12:19, já virou. Oba!


05 novembro 2010

Desafinada


É duro ser uma filha normal de uma mãe incrível em alguma coisa. A minha toca piano divinamente, seja com partitura ou não. Tem um ouvido apurado, é capaz de desenrolar também um acordeom e se deixar, violão. É afinadíssima e consegue saber se uma pessoa está fora do tom três segundos depois que ela abre a boca.
Esse é o problema. Toda vez que eu começava a cantar alguma coisa ela falava: - Vixe! E com careta. Ela sempre fez com que eu me sentisse muito linda, muito amada e muito desafinada.
Só senti pra valer o resultado disso quando cheguei na escola de teatro. Volta e meia tinha uma aula de voz ou uma cena com canto. E aí já era, travava, não saía de jeito nenhum.
E os testes? Lembro-me de ir para a seleção do filme "Dona Flor e seus dois maridos". Na época, eu tinha 18 anos, era morena, acho que tinha tudo pra fazer uma ponta, nem que fosse uma figurante subindo a ladeira com uma bacia na cabeça.
Passei da primeira fase, que era só uma entrevista. Deveria ter mais umas dez etapas, mas mesmo assim eu me animei. Só que, qual era a segunda? Isso:
- Agora você canta uma música. 
- Hã? (Hã é a minha cara, eu sempre tão lerda!!!) Estavam filmando o teste e tinha microfone. Câmera até vai, mas microfone... morro de medo.
Sabe o que eu cantei?
- Quero ver você não chorar, não olhar pra trás, não se arrepender do que faz...
Foi o nervoso. Esta era uma música que a minha mãe cantava. O cara me deu outra chance: - Canta um axé, minha filha!
E eu cantei lá qualquer coisa bem pra dentro, bem descrente e bem conformada em ser desafinada e assistir a minha provável carreira cinematográfica voar pela janela. E nem me lembro de ter alguém cantando no filme de D. Flor... Talvez Vadinho, bêbado?!
O final ficou triste não foi? Mas não é pra ficar, eu gosto muito da minha vida como ela é. E adoro, simplesmente amo ser anônima, um ponto assim qualquer na multidão.

Valeu lembrar disso para contar essa história e para quem sabe ficar mais atenta às minhas reações diante dos "talentos em desenvolvimento" dos meus filhos. E para me ajudar a escolher a nossa música, “Desafinado”, do João Gilberto. Já que não sei cantar, sempre que tenho a oportunidade peço que alguém o faça e dedico para ela: “Se você disser que eu desafino amor, saiba que isso em mim provoca imensa dor. Só privilegiados têm ouvido igual ao seu, eu possuo apenas o que Deus me deu.” Bem satisfeita por não me saber cantora, mas por saber reconhecer um ou outro talento aqui e ali, como o de desencavar momentos para escrever histórias. E, assim, eu não canto, mas encanto. E ela toca no piano e canta a música da desafinada que ela não é, para que tudo se complete.