30 maio 2011

My IF english


                                                                   
                                 


                                          Para Daisy



Imagine a situação:

Entro na loja de departamentos para comprar lençois e pergunto onde posso comprar sheets. A moça diz:

- Siga em frente e vire a primeira porta a esquerda. 

Vou e dou de cara com o vaso sanitário. Porque sheet pronuncia-se da mesmíssima forma que shit, que quer dizer nada mais nada menos que merda.

Essa não aconteceu comigo, mas cheguei perto. Cansei de perguntar aos garçons:

- Where's the toilet? Falando como no Brasil para ser fina. Só que toilet aqui é o vaso em si, então imagina se dá pra ser chic, seja no salto que for, perguntando:

- Ei garçom, onde é a privada???

Esse negócio de querer adaptar é um problema, é o que chamamos em bom baianês de embromation. Conheço gente também que fala em português b e m - d e v a g a r achando que assim vai ser entendido. É muito engraçado.

Isso é a mais pura cara de pau, eu não chego a esse ponto mas confesso que ela é necessária para a sobrevivência em terras alheias. Eu sempre me jogo.

Logo que cheguei fui para o barzinho mais bacana da área. E pedi na pose IF:

- Can I have the menu, please? Toda educada, sabendo que as palavras mágicas são fundamentais para abrir as portas por aqui.

A bartender, toda tatuada e espremida em um corpete respondeu:

- What??

E quanto mais eu falava menu baixinho e explicado mais ela perguntava what alto. Até que eu apontei para um e ela disse:

- Ahh, MENIIIUUU... Fazendo bico, se achando "a francesa". Só porque eu não falei usando o som do "i" no meio?

Outro dia pelo mesmo motivo a Debbie não aguentou e riu pra valer. Isso porque ela é uma professora, e estas fazem o possível para não intimidar os seus aprendizes. Eu disse pra ela:

- I'm going to put everything in a public storage. Só que falei public sem o tal do "i " no meio que fica parecendo pubic, que quer dizer púbico.

Já pensou, colocar as coisas num depósito púbico? Rs.

É, não basta saber o vocabulário e as colocações verbais, tem também a pronúncia.

Porque aprender um novo idioma não é mesmo fácil. E quanto mais tarde pior. As minhas filhas já me deixam no chulé tanto em fluência como em pronúncia. O mais velho então, que já chegou sabendo, nem se fala.

Mas a passos de tartaruga IF estou caminhando. Já sei perguntar pelo restroom ao ir ao banheiro e consertar rapidinhos as (oh shit!) besteiras que às vezes me põem em maus lençóis.

Quero ser a criatura!


Às vezes fica confuso
Muita gente não entende
Vou esclarecer birutamente
Se é que é possível.

Ela é ela e eu sou eu.
Às vezes eu me identifico com ela,
Mas às vezes eu me irrito.

Ela é muito mais romântica, ingênua, otimista,
E muito mais burrinha do que eu.

Ela é mais bonita.
Deve ser porque vive rindo
Mas também se derrete por qualquer coisa.

Ela é mais espiritualizada,
Mais amorosa,
E mais disposta.
É melhor mãe, melhor filha, melhor amiga.

Só é sonhadora demais.
Vive deixando os afazeres de lado
Pra contar essas histórias.
Ela diz que é porque tem alma de artista.
Só que sobra a parte chata toda para mim.
Por isso sou muito mais mal humorada do que ela.

Me espelho nela para ser mais calma e paciente.

Pra falar a verdade eu a pari para que ela me ensinasse,
Para ver se falando eu me escuto.
E dou voz a melhor parte de mim.


E só me surpreendo
Porque a danadinha está crescendo.
Pode ser que um dia ela me passe.
Tomara.

Quando amadurecer pode até utilizar esse dom.
Ou talvez ela não deva amadurecer.
Talvez a melhor parte do mundo
Só possa ser vista pelas crianças.


É pra pensar.
Só sei que eu a invejo.
Queria que fosse Incrível assim,
Essa tão falível eu.

27 maio 2011

O negócio é importar!


Toda vez que escrevo sobre o namoro penso nas amigas que ainda não tropeçaram no sortudo. Solidariedade imediata. Lembro muito bem que há few months ago eu estava na mesma. Aliás esta é uma posição que conheço bem, desde que me separei já saltei umas três vezes entre o namoro firme firmíssimo à solteirice de dar medo.

E vou dizer, no Brasil todo o mercado está ruim, acirrado, mas não existe nada como Salvador da Bahia. Primeiro pela oferta de festas, os homens não se concentram. E depois pela multiplicação desenfreada das piriguetes (como chamamos as meninas digamos assim...oferecidas e porque não, vulgares, que puxam para trás toda a nossa luta pela valorização das mulheres) que está causando um estado calamitoso de desequilíbrio na cadeia relacional.

Tenho amigas que já estão pensando em virar "flex" (que roda com álcool e gasolina), o que não é nada demais se for por opção e não por falta de. Mas está mais fácil acertar na loteria por lá do que encontrar um homem com os pré-requisitos básicos para um perfil IF, que é o necessário para uma mulher bacana e diferenciada (modéstia no pé, sorry, mas o princípio básico é esse, se valorizar antes de tudo).

São eles:

- Estado civil solteiro, divorciado ou viúvo;
- Sexo masculino com opção sexual bem definida;
- Que seja um homem de Deus, de caráter e do bem;
- Sanidades psicológica e emocional
- Independências financeira e emocional;
- Inteligência né? Emocional também.
- Bom humor;
- Maturidade proporcional à idade cronológica;
- Uma certa sensibilidade para enxergar as coisas um pouco além do óbvio;
- Elegância nas atitudes;
- Um condicionamento físico básico (tem que acompanhar a nossa velocidade! rs)
- E um certo charme, nada demais, só um quê que nos encante.

Só isso, e não necessariamente nesta ordem. É pedir muito? Pra Bahia é, eu sei.

Deixa eu aproveitar e pedir logo desculpas aos meus amigos que sei que preenchem a maioria dos requisitos acima além do aspecto caliente latino indiscutível ;), mas o homem americano tem o seu valor. Para começar porque não são tão mimados pelas mães (e nessa eu me encontro enfiadérrima na carapuça), saem de casa e começam a trabalhar muito cedo e são muito dedicados à família,  participando bem mais das atividades de casa e da criação dos filhos.


E cá pra nós, a oferta aqui é MUITO maior! Palavra de especialista IF em market share.

Por essas e outras que outro dia eu estava conversando com Paulinha (que se casou com um PIF londrino) e chegamos a seguinte conclusão:

- O negócio é importar!

Pensamos até em abrir uma agência com várias filiais, o que ia dar um dinheiro danado (operação toda no dólar, é claro) com software desenvolvido para reunir afinidades, recrutadoras antenadas e experientes e uma política de negócios que garantia total satisfação às necessidades românticas das clientes.

Mas depois pensei melhor e achei que poderíamos ser presas por contrabando, confundidas com cafetinas dos tempos modernos, ou pior, poderíamos sofrer ataques terroristas das populações femininas americana e inglesa... Melhor deixar pra lá.

Mas você, companheira queridinha, pode vir aqui! Ou em qualquer outro lugar. Procura uma licença prêmio, umas férias prêmio,  junta uma grana, vem aprender uma nova língua (que não faz mal para o currículo de ninguém) e se ofereça o prêmio de desbravar novos horizontes paquerísticos.

Só vai saber se vai dar certo ou não se tentar. O que não pode é parar. Esse negócio esperar o PIF bater na porta não tá com nada. Nem carteiro está batendo mais na porta hoje em dia.

Vamos ampliar mentes e possibilidades! Cuidar de si, produzir e desenvolver-se , é lógico. Mas dar um empurrãozinho na sorte também, porque não? ;)

25 maio 2011

1+1 é MUITO + que 2


Acordei no meio da noite indisposta e não dormi mais
Acho que é emocional, coração apertado com tantas lembranças
Com a viagem se aproximando
Despedidas, mudança,
Saudadicite.

O PIF perguntou como eu estava.
Eu disse.
E ele na hora se prontificou a vir cuidar de mim.
Me senti melhor só com essa pílula de carinho.
É nos momentos de fragilidade que reconhecemos o valor de um parceiro.

Comecei a pensar que de verdade
Ninguém nasceu para ser sozinho.

Foi tão bom na viagem:
Ter alguém do lado
Para ir para a fila comprar o lanche enquanto eu ia procurar a mesa.
Para me chamar a atenção do que eu não tinha notado.
Para desenvolver um pensamento.
Para traduzir parao inglês certinho o meu argumento.
Para encontrar a melhor solução.
Para dirigir enquanto eu descansava.
Para dar colo e receber colo.
Para voltar junto para casa.

Quando ele colocou minha bagagem de mão no compartimento do avião entrei em êxtase!
Coisas simples que são banais para a maioria,
Mas não para mim que estou sempre sozinha
Carregando e acomodando tudo para um monte de gente
Tendo que me virar em homem e mulher.

Me lembrei de uma aula de PNL
Em que Kau Mascarenhas me apresentou algumas equações que ilustram casais:
Quando 1 + 1 são dois = normal
Quando 1 + 1 = < 2 = algo está errado
Agora quando 1 + 1= > 2... É Incrível!

Para mim só vale a pena assim.
Multiplicando afeto e potenciais.
Porque dois juntos são muito mais fortes
Do que dois sozinhos.
Isso eu aprendi
E olha que eu sou um zero a esquerda em matemática. ;)

O quarto de uma noite só, aqui está a sua música:

Vocês sentem daí tudo que eu sinto daqui.
Hoje o George me mandou essa música.
Fiquei muito emocionada, nem precisa dizer.
Aqui em casa a carência de pai vem passando de geração para geração.
Peço a Deus que pare por aqui.

Muito obrigada George e a todos os meus queridos
Que riem quando eu rio
E que se emocionam quando eu choro.



24 maio 2011

O quarto de uma noite só.


Aqui em Palmdale venta muito. Esperei chegar a primavera para comprar uma mesa para a área externa da casa, que é um lugar bem agradável, praticamente dentro de um campo de golf.

Comprei para o almoço de Páscoa, decorei tudo com flores e apetrechos novos mas o vento não deu trégua. Até que Steve teve a idéia de trazer uns frutos do mar para um barbecue com a família em uma sexta-feira qualquer. E foi uma noite Incrível, temperatura perfeita, todos muito alegres, a comida estava uma delícia.

Hoje estava cozinhando e olhando para a mesa de uma noite só. A chamo assim porque acho que não teremos mais oportunidade de estar ali. E me lembrei de um momento maravilhoso parecido que tive com o meu pai.

Ele construiu uma casa na fazenda em frente à um açude que ele adorava. Deu o maior trabalho, só quem já experimentou construir na zona rural sabe como é, levou uns três anos. Ainda não estava pronta, mas ele pediu que acelerassem o serviço porque eu disse que iria visitá-lo. E aprontou a suíte principal, colocou piso, pintou, pôs camas e lençóis novos. 

E lá fui eu, levando Vitinho que na época tinha um ano. Meu pai como a maioria dos avôs pseudo-machões derreteu-se ao ver o netinho e até esqueceu do quanto sofreu em me ver grávida tão jovem e solteira. Queria que ele provasse todas as frutas do quintal, tomasse o leite da vaca e buscou pintinhos e gatinhos para ele brincar. Dormimos os três no quarto novo, acordamos ouvindo os pássaros e admirando a manhã de sol e o açude.

Eu só passei uma noite. Por causa da minha ansiedade estúpida. Tinha sempre um namorado, umas amigas e um milhão de compromissos ridículos.

Depois que saí o meu pai voltou a dormir na casa velha para esperar até que a nova ficasse pronta. Mas não ficou. Dias depois ele partiu.

E eu nunca mais tive graça nesta fazenda e meu filho nunca mais teve o avô. Mas a casa está lá, terminada cuidadosamente por minha mãe e pelo meu irmão. Sempre que vou lá me emociono lembrando desta última visita. Lembro da imagem dele vindo na direção do carro, do abraço, entro, vejo a sua foto, subo as escadas, passo pelo quarto de uma noite só, vou até a varanda, olho o açude dele e choro. De saudade profunda.

Assim ao invés de lamentar o quarto e a mesa que só teve um dia, reconheço e agradeço a Deus pelo privilégio do grande momento. Apenas um, que não volta mais.



(almost) perfect!

                                                                                                                 Para Beth

No segundo tempo da viagem fomos para Napa Valley, onde ficam os melhores vinhedos da California. Tudo muito romântico, o clima estava ótimo, passeamos e aproveitamos até os quarenta e cinco do segundo tempo. Por último passamos na vinícula do cineasta Francis Ford Coppola para comprar uns vinhos para a festa de despedida que as primas estavam fazendo para mim às 17hs. E uma vez lá, foi o jeito fazer uma degustaçãozinha de champagne. Depois uma de vinho branco e como não poderia deixar de ser, uma saideira com tinto. Com baguette e brie em um jardim lindo em frente a plantação de parreiras.   

Risada vai, foto vem, olha-se o relógio. Correeeeee!!!! Eu dormi no carro mas o PIF voou para chegar no horário. Chegamos meia hora antes do embarque mas a mulher nos aceitou. Na verdade ela estava toda distraída, nem olhou o documento, acho que ela nem sabia pra onde a gente estava indo. Mas conseguimos! Compramos um sanduíche rápido e fomos para o avião pensando no vinho que iríamos tomar com as primas e em como tudo foi perfeito.

Perfeito?? Tsc, tsc. Isso é palavra para outro blog. 

Na hora de pegar mala, cadê mala? Isso eram 4 da tarde, esperamos o vôo das 5, o das 6 pra ver se ela vinha atrasada e nada. Foi a energúmena que nos atendeu no check-in com a cabeça sabe-se lá aonde. Mas tínhamos que sair por causa da festa. A companhia aérea disse que levaria a mala em casa, ok, vamos embora.

Hum hum. Chave do carro do PIF nas profundezas da mala perdida.

Resultado; depois de suítes com spa e banheira de espuma, serviço VIP na chaise da piscina, restaurantes chiquíssimos e vinhozinho no castelo, eis que estavam a Lady IF e o Lord PIF (Paulinha, como eu amei isso!) no fundo sacolejante e xexelento da van do super shuttle. No caminho eu fui tentar consolar o PIF:

- Love, isso sempre acontece comigo...
Ele me olhou todo torto espremido no fundo do banco e disse:
Sempre??
- Quero dizer, acontece com todo mundo, não é? Desconversei. Se não daqui a pouco o homem vai achar que sou a azarada do pedaço.

Lá ela! Eu sou atrapalhadinha, mas tudo dá certo no final. A última notícia que tive foi que a mala com todas as roupinhas novas estava passeando em New Mexico, mas o cara me garantiu que volta. Então tá.

Assim cheguei três horas atrasada na festa mais linda que vi aqui, decorada com o tema California. Cheguei toda descabelada, sem banana de vinho Coppola nenhum, sem carro e sem graça mas cheguei. É o que vale né? A minha Tia amada disse:

- O que importa é que você está aqui e bem, o resto é besteira. Pois então, a equipe sempre cuida do principal. Para não correr risco só ficando parada, o que não é o caso da IF. Mas espero que a equipezinha se lembre do detalhe dessa vez, afinal são as minhas roupinhas mais queridas, o vestidinho de San Fran tá lá... Notebookzinho amado também, chuif.
Ai ai ai, torçam aí por mim viu? De novo, rs.