09 outubro 2010

Uma Incrível limonada



Eu erro tanto! Pelo menos umas dez vezes por dia. Eu me perco muito, mesmo com dois GPSs. E perco as coisas, depois que já cheguei em casa tenho que voltar na loja porque deixei o cartão. Deixo queimar a comida, falo besteira demais quando estou com raiva, falo um inglês ruim demais. Preciso tentar treze vezes para conseguir postar uma mensagem como essa. Preciso tentar sete pra pagar uma conta pela internet. Esqueço as senhas, os aniversários dos amigos, o casaco. E quebro muitas coisas, já passei com o carro em cima de um celular, já deixei outro cair na bacia do salão de beleza.

Isso costumava ser um pesadelo porque sou muito exigente comigo, nem de longe sou dessas que não está nem aí. Pareço zen mas é propaganda enganosa.Tenho um desconfiômetro apurado, sou compulsiva para fazer as coisas certas e bem feitas. Quando eu erro com alguém, ele(a) não precisa nem se dar o trabalho de revidar, porque eu já me condeno mais que o suficiente. 

A primeira coisa importante que aprendi foi a me perdoar. Pelos milhões de erros do passado e de todos os dias. 

Isso tudo me faz lembrar de um dos pressupostos da programação neurolinguística. Por falar nela, estou bestinha por ter meu professor Kau Mascarenhas como um dos meus quatro seguidores.

É assim; "Só existe sucesso ou aprendizado." Os erros servem como pontes para o acerto. Das duas uma; ou você acertou ou aprendeu para fazer diferente na próxima vez. Um dos exercícios que ele ensina no curso é uma espécie de ensaio mental para a próxima. Por exemplo, se você fez uma apresentação no trabalho e acha que não foi boa, experimente depois revivê-la mentalmente como gostaria que tivesse sido. Isso abre novas possibilidades na mente para quando você estiver na mesma situação. A técnica serve também para uma conversa a dois ou para qualquer reação que você queira mudar.

Esta e outras tantas estratégias me ajudaram muito. Foram várias pequenas conquistas, enchendo a minha bola de grão em grão para eu me sentir como agora.

Até já estou rindo, tirando proveito da situação com este blog.  Ressignificando algo que eu não gostava. Já ouviram esta palavra? Quer dizer dar um novo significado, transformar algo ruim em algo bom. Tipo fazer do um limão uma limonada, exemplinho chinfrin esse, mas maravilhoso. 

É isso! Eu agora estou colocando em mim açúcar para não ficar azeda, gelo para esfriar o temperamento e água para lavar a alma e deixar o passado escorrer.

Mais doce e refrescante. Procurando ser Incrível mesmo assim falível.

07 outubro 2010

Incrivelmente feliz

Para a xará...

Fiquei tão feliz por você citar o bloguito no face que fui buscar com Giselda um pouco mais sobre o assunto.

Acho o máximo o palestrante que consegue deixar marcado uma frase ou uma palavra na gente para sempre. E foi em uma palestra de Kau Mascarenhas que ouvi a seguinte frase:

"Ter sucesso é ter o que se quer;
Ser feliz é querer o que se tem."

Tem pessoas que querem realizar, comprar e conseguir um milhão de coisas e nada os abastece, a felicidade não vem. É como a criança que tira o papel de presente e nem olha direito, muito menos agradece a quem deu, já vai correndo abrir uma caixa maior.

Já outras vivem modestamente e são tão felizes e gratas. São riquíssimos ao meu ver. Vivem a plenitude nas experiências mais simples, nas grandes pequenas coisas do dia a dia. É um preenchimento interno, para mim é a presença de Deus.



Beijos querida, que bom que você está aqui comigo.


06 outubro 2010

Exercício do desejo





O que mais vemos por aí são crianças mimadas que se tornam adultos insatisfeitos e deprimidos. Eu chamo estas pessoas de sacos sem fundo, nada nem ninguém é suficientemente bom para elas. Na maior parte frutos são de pais que querem compensar a sua ausência e displicência com presentes ou com o descaso de um eterno sim.

Toda criança tem direito ao exercício do desejo. Precisa saber o que é sonhar. Eu me lembro bem de uma bicicleta BMX que pedi ao meu pai de aniversário. Devia ter uns dez anos. Todos os colegas já tinham, via propaganda, escolhi a cor, fechei os olhos várias vezes me  imaginando ganhando o mundo naquela máquina. No dia marcado meu pai chegou na cidade com aquela caixa imensa e eu me senti a criança mais importante de todas.

Pena que só durou um mês. A BMX vermelha era tão linda que o porteiro do prédio levou pra ele. Só deixou a chave de fenda, eu a guardei por muito tempo. 

Nada para mim foi fácil na infância. Mas tudo foi fundamental para a formação da minha consciência. Todos os sonhos e frustrações nos preparam para a vida. Seja para ter força diante das dificuldades ou para comemorar muito qualquer momento a toa de alegria.


É sempre muito mais fácil fazer logo o que eles querem para que aquele choro acabe. A tentação de ver um baita sorriso do filho abrindo um presente é grande. Mas lembrem-se de pensar a longo prazo, de que estamos criando filhos para serem felizes para sempre. E ser feliz é gostar do que já se tem, é estar agradecido. 


É o grande e bendito estado de graça. Este foi o maior presente que recebi da minha infância. Muito obrigada Papai e Mamãe.



05 outubro 2010

Outra teoria sobre os modelos de inteligência

A teoria triárquica de inteligência do psicólogo Robert Sternberg:


A inteligência analítica é responsável por analisar, comparar e avaliar. Esta que é a avaliada pelos testes tradicionais de inteligência. É a capacidade de avaliar o problema, discriminar as suas partes e desenvolver as estratégias para resolvê-lo.

A inteligência prática é  a capacidade de aplicar o que sabemos na nossa vida cotidiana. É o que fazemos no senso comum, o que aqui eles chamam "street smarts", é a mais difícil de medir em testes.

A inteligência criativa nos permite inventar novas formas de resolver problemas desconhecidos. 

Sternsberg diz que as pessoas mais bem sucedidas são as que sabem integrar e organizar estes três aspectos em suas vidas.

Ta, o que ele nos diz é que sai na frente quem sabe resolver bem as situações adversas que aparecem no dia a dia. Isso me faz lembrar da época em que trabalhava na empresa, onde eu podia observar e comparar vários estilos de gestores. 

Saiu na frente um, bem novinho até (acho que agora ele fez 25), que começou com uma tática para aprender e isso acabou sendo o segredo do seu sucesso. Toda vez que recebia um problema, ele chamava todas as partes envolvidas, ia ouvindo e inter mediando (porque dava até briga), levando o tempo que for para entender a situação e deixava que o grupo fosse colocando os seus argumentos, até que ganhasse a melhor sugestão. Daí todos entravam em acordo, sentiam-se envolvidos e partiam pro ataque com um só alvo.

Experiência nenhuma, a solução vinha do grupo, era  muito mais inteligência analítica. E um senhor ouvido. 

Reuni com a minha equipe para discutirmos a nossa volta pro Brasil. Precisávamos decidir para comprar o carro e assinar o contrato do aluguel da casa. Eu, um de quatorze, uma de nove e outra de sete. Coloquei todos os prós e os contras, e deixei a decisão com eles. Foi unânime: ficamos um ano. Temos muito ainda que aprender para integrar as nossas inteligências individuais e formar um time campeão.

02 outubro 2010

Wonderful saturday- a inspiração


Tinha planejado dormir até tarde, estabelecemos uma regra aqui que ninguém pode acordar ninguém no fim de semana. Mas levantei às 7, não tem jeito, é o despertador do tal do instinto materno, o meu nunca me dá uma trégua.
Aproveitei que as crianças dormiam e fui correr. Observei a rua acordar, logo vi uma mulher lavando o carro e resolvi lavar o meu também. Aliás, meu coisa nenhuma, o carro que aluguei até ter a competência de comprar o meu. Não tinha balde, mas o de lixo serve. Fui pegar os produtos, lavar com o quê? Os produtos aqui são muito específicos, um só para bancadas de granito, outro só para piso de madeira. Perguntei à minha mãe se poderia lavar com detergente de lavar louça, ela parou uns segundos, melhor não. 
Acho que esta foi  a segunda ou a terceira vez que fiz isso, antes foi no meu primeiro carro, um gol branco, pequenininho, sem ar nem vidro elétrico, mas sem dúvida foi o meu melhor carro. Consegui, lavei, limpei todo por dentro, aspirei, passei windex nos vidros. Como um carro é uma coisa grande né? Levei uma hora e 13 minutos. Sei porque estava usando um relógio bacana que marca tudo. Adorei saber que andando por 34 minutos eu perdi 284 calorias e lavando o carro eu perdi mais 379! E numa boa, com a garagem aberta, ouvindo um sonzinho...
O problema foi só esse. Sai Valzinha, portadora de TDA nível crítico, vai fazer tudo, limpar a casa, arrumar os meninos, falar com a galera do Brasil, se arrumar porque a Tia estava esperando pra almoçar. Chama todo mundo, corre, todos entram no carro, eu ligo a chave, e a chave não liga. A burralda deixou o som ligado e acabou a bateria. Todos no carro, já 13h, uma fome daquelas e a Tia esperando desde as 11. Liguei pra empresa da locadora, pensando pelo menos isso, tenho essa facilidade, coisa chique. Que nada, a ligação aqui é igual à daí, cai sempre em um call center que nunca passa para um operador, só que em um inglês velocidade máxima: If you have a problem like... press 1, If... press 2, If...press 3, If..., If..., If... Bostica, sei lá como é bateria arreada em inglês!
Mas vocês acreditam que consegui? Consegui chegar em um ramal em que um ser humano me atendesse e o que é melhor, que me entendesse. Mas disse que levaria 1h para vir e que iria custar U$100 pra mudar de carro. Ah, não, eu não vi nada disso no contrato das letrinhas pequenininhas em inglês que assinei.
Eu não queria, resisti, eu sempre faço o máximo para não incomodar, mas acabei ligando para a prima. Eu adoro o seu "Ok, no problem, it's easy!" Em quatro minutos o marido e o filho dela chegaram com a chupeta, e em mais quatro resolveram.
Lá vamos nós pra casa da Tia, fomos almoçar primeiro, comi entrada, depois salada e pedi o peixe frito que me lembra o da praia de Salvador, crocante, uma delícia. Comi o meu enorme, ainda caí matando nas migalhas dos meninos. Com duas cervejas bem geladas, detalhe. Saí parecendo uma jiboia.
Adorei chegar na casa da Tia. Comecei a cochilar no sofá e ela me ofereceu a cama do quarto de hóspedes. Comecei a falar "Precisa não, Tia..." já subindo as escadas. Ai que delícia, tão geladinha, bem passadinha e perfumada, dormi que esqueci quem eu sou. Acordei para tomar sorvete com calda de morangos frescos e comer o brigadeiro que ela fez pra gente.

Foi com esta historinha que  recebi este comentário:
Amiga, as aventuras de Val in USA não teriam graça sem sua TDA...rsrsrrs... fala sério, esse é seu charme, o que te faz ser única, posso até te imaginar com os olhinhos de -Ai, o que foi que eu fiz?...rsrs... as sua histórias sempre são intensas e mágicas, e cheias de sentimentos superlativos até mesmo quando uma bateria fica arreada... Só vc tem essa proeza!! Te amo!
E com este comentário nasceu o tema do blog. Obrigada Thati, amiga de tantas trapalhadas incríveis.

01 outubro 2010

Bati o carro na geladeira.

É, tem uma geladeira na minha garagem. Ligada, com comida e tudo.

Cheguei da rua, entrei, pensei que  Jeremy estivesse desengrenado, mas não. Em um minutinho só que parei para catar as minhas coisas, ele deu foi lá e deu um selinho nela. Acho que estavam se paquerando faz tempo.

Eu tenho a força!



Quando pequena eu era bem magrinha. Meio desengonçada, era aquela que ficava lá atrás na aula de ballet. Era desastrada, saía batendo nas coisas, esbarrando nas pessoas, não tinha muita noção do espaço que ocupava. Sentia as pernas fracas e vivia me esparramando nos lugares. Entrei na adolescência doente de preguiça. Tinha uma dificuldade imensa de acordar, a minha postura era péssima e nunca fui boa em esporte nenhum. Parecia que eu não era bem encarnada, que o meu espírito não era bem encaixado no corpo. Isso me trouxe pelo menos uma dúzia de prejuízos, o pior de todos foi a insegurança. Passei um tempão me achando incapaz e sem jeito.
Eu até tinha uma boa coordenação motora e ritmo para dançar, mas sentia que faltava um eixo de sustentação. E isso eu construí com a atividade física. Adoro esta palavra, construí. É a nossa capacidade de mudar de estado, que só depende de vontade.
Da adolescência até agora foi um longo caminho. Passei pela natação, musculação, pilates, corrida, dança, yoga e aulas de luta. Atualmente faço um pouco disso tudo.
Parece muita vaidade ou falta do que fazer, mas não é. Para mim malhação é questão de sobrevivência. Primeiro pela endorfina, eu posso tudo quando saio da academia. Virou um vício do bem. Tenho muito mais energia, a minha postura é outra. O tônus muscular faz com que eu sinta a presença do meu corpo e tenha mais controle dos movimentos, saiba literalmente onde estou pisando.
Além de que eu sou mãe solteira de três filhos. O que tem a ver? Quem vocês acham que carrega as malas e as caixas? Quem põe a filha já crescida na cama? Quem troca o galão de água? Quem coloca as bicicletas no carro? A mamãe aqui. Qual é a outra opção que tenho? Olhar pro lado e jogar um lencinho?

Sinto que esta força física estimula a minha força interna e vice-versa. O meu corpo mudou, com isso a minha auto estima e a minha segurança, sucessivamente.  Não é pela estética, isso é consequência. Mas como eu me sinto e como eu me vejo. Estou cada dia mais poderosa, pau a pau com a She-ra, o Esqueleto que se cuide!