22 agosto 2012

Mexa-se!


Quando estava morando nos EUA e conversava com outros brasileiros residentes lá, me incomodava muito uma opinião comum de que eles não se acostumariam em voltar para o Brasil por causa da violência, da falta de educação, da desigualdade, da corrupção e de tudo que a gente está cansado e esgotado de saber.

Ficava muito chateada porque nem sequer por um dia eu me desvencilhei daqui, eu gostava e admirava aquele modelo de sociedade mas sabia que eu não pertencia àquele lugar. Que eu sou brasileira e que os problemas do Brasil são MEUS problemas.

Certa vez ouvi de um pastor muito inteligente, o Edvar Gimenes da Igreja Batista da Graça, uma consideração muito forte que nunca esqueci. Ele disse: "Nós somos o retrato de um povo e o povo é um reflexo de nós". Uma postura consciente de incluir-nos como co-responsáveis pelo caos a nossa volta.

E sobre ele reclamamos muito, renvindicamos pouco e fazemos quase nada para melhorar a situação. Por isso sou uma fã da iniciativa privada. Da iniciativa pessoal, pessoa física mesmo, então nem se fala. Olho para os fundadores e mantenedores de creches, asilos e hospitais como quem olha para uns heróis, uns gurus, umas autoridades máximas no quesito amor ao próximo.

Nessa semana acontece duas campanhas de grande porte que são exemplo de mobilização e compromisso de empresas sérias e engajadas com a comunidade. A campanha "Criança Esperança" da Rede Globo - http://redeglobo.globo.com/criancaesperanca - que beneficia inúmeras instituições do nosso país através de doações feitas através de ligações telefônicas e o "McDiaFeliz" - http://www.institutoronald.org.br/index.php/mc-dia-feliz - onde a receita da venda de todos os BIGMACs (o principal sanduíche)  da rede de lanchonetes McDonalds é destinada ao combate do câncer infanto-juvenil das comunidades locais.

E você acredita que tem muita gente que pode mas não liga? Que não compra o sanduíche, que não lembra, que vive ignorando que tem um monte de gente se esforçando para melhorar alguma coisa?

E por falar em esforço, energia e trabalho volto a lembrar da queridíssima Socorro Lopes, uma amiga cada vez mais gigante em meu coração e nos de quem a conhece. A danada entrou nessa luta do "McDia" onde a meta deste ano é trocar o ônibus (também doado pelo Mc Donalds em uma campanha de 2007) que transporta as crianças com câncer do GACC Salvador (sede do Grupo de apoio à Criança com Câncer) para os hospitais. Imaginem que o ônibus custa R$ 210.000,00 e a mulher guerreira já conseguiu R$ 40.000,00 até agora, sozinha, vendendo os tickets antecipados. Aliás, sozinha nada (antes que ela me bata), com o apoio de sua imensa rede de relacionamentos, que não para de crescer.

Pois "sonho que se sonha só é só sonho e sonho que se sonha junto é realidade".

E o dia nem chegou. É nesse próximo sábado! E você?? ALÔÔÔ!!!! Tem um coração aí??? É tão simples ajudar! O telefone taí, liga! Tem um McDonalds pertinho de sua casa! Então corre lá, compra pra família, pro porteiro, pro vizinho, pro cachorro. Faça a sua parte para que essa campanha seja um sucesso e inspire outras empresas. Para que esse ônibus puxe a fila de um comboio! Para que mais crianças sejam tratadas e educadas pois só assim construiremos um mundo melhor para os nossos descendentes.

Deixo aqui o meu pequeno apelo nesse blog que é uma das ferramentas que disponho. E quais são as suas? O que você tem para dispor? Qual é o seu alcance? Vamos lá, avance! Um passo que seja. Vamos dar as mãos e aumentar o raio de cirunferência da solidariedade.

Ainda dá tempo de ligar para o Criança Esperança. Temos mais quatro dias! 0500 2012 007 para doar R$ 7,00, 0500 2012 020 para doar R$ 20,00 e 0500 2012 040 para doar R$ 40,00.

E Sábado, dia 25/08 é McDiaFeliz!!!!!! R$10,50 por BIGMAC para as nossas crianças carentes com câncer! Em todas as lojas McDonalds do país.

Não basta só doar, tem que se movimentar, se unir, apoiar, torcer, aprender, fazer e multiplicar.

Então pelo bem do futuro, MEXA-SE!!!! Tem muita gente de braços abertos e um futuro bem melhor nos esperando! :)

12 agosto 2012

Pai


Já faz tempo que esta palavra me incomoda. Há mais de quinze anos. Sofri muito quando meu pai morreu, todas as vezes que ouvia alguém chamar alguém de pai sentia um aperto.

A carência de pai é algo comum aqui em casa. E na medida do possível, bem resolvida. E quando não está na medida eu procuro ajuda. Nesta semana estive em um psicanalista novo e ao me queixar (e me gabar também) de como é duro ser pai e mãe e ter que assumir todas as responsabilidades tive uma ótima sacudida. Ah, como eu adoro (e preciso de) terapia!

Ele disse que eu não posso ser pai porque não conseguiria, que a relação da mãe com o filho é tão intrínseca que por mais que ela queira ela não consegue desempenhar o papel de um pai que vive uma relação mais distanciada, é quem que faz a ponte do filho para o mundo.

Perguntou se eu tinha alguém que representasse essa figura. Respondi que SIIIIMMMM!!!!! Porquê Deus nunca me deixou no frio sem cobertor... mais casaco, cachecol, luvas e botas. Eu tenho um irmão que vale por dez, que nos ampara e que segura muito bem comigo a onda dessa galera toda.

Mas nada tira a saudade. Estava agora passando a vista no Facebook e vendo dezenas de fotos das pessoas penduradas nos seus pais. Morri de inveja. Tenho a minha foto do dia de hoje na cabeça. Meu pai sentado, eu e meu irmão atrás da cadeira (eu grudada do pescoço dele), minhas filhas no colo, uma em cada perna (disputando o pescoço), meu filho de um lado e o meu sobrinho do outro.

Por que né? Uns tem que ir pros outros chegarem. Eu não conheci meu avô e minhas filhas não conheceram o delas. E por mais que eu o descreva elas nunca vão saber como ele era de verdade.

Ao pensar nisso lembro-me depoimento que li da filha de um homem muito famoso recentemente homenageado. De como ela estava orgulhosa do legado imenso que ele deixou. E ao ler aquilo eu só me identifiquei na parte em que ela falava da saudade, percebi que eu não queria o legado, que o que eu queria de verdade era mais uma tarde com o meu pai.

Apresentar os meus filhos, dizer como tudo está bem e como ele foi importante em minha vida.

Percebi que o que fica no coração dos filhos não é o tamanho da obra, das grandes realizações. E sim os pequenos gestos. Eu queria ouvir meu pai me chamar de Sinhá, ver ele destampar a panela para me mostrar a comida deliciosa que estava fazendo. Eu queria ver ele chegar com um saco na mão, ele tinha mania de trazer coisas gostosas da rua pra mim. Queria ver o brilho nos olhos dele quando ele me apresentava para alguém, sempre senti que ele me achava a coisa mais linda do mundo!

É, não dá pra ter tudo, não dá mesmo pra colocar os pais com as filhas em uma foto aqui em casa. Mas dá pra guardar no coração uma certeza. A de que fomos muito amadas. Seja com um tempo maior ou menor, os pais que nos trouxeram para este mundo nos queriam. E isso, provado com os mais singelos gestos, nos traz a base que precisamos para seguirmos felizes.

Então, nesse fim de domingo de dia dos pais eu queria dizer pra ele que ele conseguiu. Que ele me fez sentir amada e importante e me ensinou como amar os meus filhos. E que esse é o maior legado que alguém pode deixar nesta vida. Fazer com que bem querer transborde até outras gerações, com que aconteça a perpetuação do amor!

25 julho 2012

Viva os amigos que ficam!



Volta e meia vem alguém me reclamar de uma decepção. Com amigos, com a mulher, com um funcionário. Outro dia um me perguntou: -Você acha que vale a pena acreditar nas pessoas?
Siiiiiiiimmmmm!!!!!!!! Penso assim mesmo sofrendo decepções, algumas bem duras. Isso me faz lembrar o meu irmãozinho IF que tem uma tática para quem lhe faz ou lhe trata mal. É interessante, ele recebe uma fechada no trânsito e fala: "- Que Deus abençoe". É uma bater o telefone na cara dele e ele imediatamente diz "Deus abençoe" E não é que corta a raiva na hora? Aprendi e peço a Deus que abençoe a todos que um dia me decepcionaram, traíram ou julgaram mal.
Perdoar sempre, cumprimentar civilizadamente também. Continuar como antes às vezes não dá. Excluir do convívio às vezes é necessário. 

Acredito que existem fases evolutivas distintas, graus de maturidade para saber se relacionar também. Vou ficar quebrando a cabeça para entender, para julgar ou perder meu tempo para me vingar de alguém? Eu não, tô nem aí para quem não vale a pena.
Fui até puxar no arquivo o botão do  quem lembra? É isso ai, não estou nem chegando para o que pensam ou falam quem não me interessa.
Acho que penso assim porque não para de chegar gente nova e boa. Não seca a fonte. Pessoas maravilhosas estão a nossa volta e se aproximam de acordo com a frequência com que vibramos. Se você é da paz, sabe amar e deseja o bem a vida dá voltas em espiral e as pessoas certas chegam.
Comecei a fazer uma conta de quantos amigos fiz nesses últimos dois anos, contando com quem conheci nos States, os amigos virtuais e o resgate de uns queridos que tinha perdido o contato. 
Muitos. 
Certo que me movimentei bastante para isso, gosto mesmo de viajar, de conhecer gente, adoro alimentar as amizades de sempre, até futucar o face para achar uns amigos extraviados... Adoro promover encontros, acho até que isso é uma missão. Não é a toa que vou começar a trabalhar com isso, quem sabe ainda não ganho algum?
E é como se diz por aí, "é que nem biscoito, vai um e vem dezoito". Esse um que foi, com certeza não merecia ficar, e que Deus o abençoe. Os de valor nunca vão. E nos dezoito que chegam, há de vir surpresas boas.
E pelos que importam vale tudo. Viva quem merece, eles valem a nossa energia! Por eles superamos ausências e mal entendidos. É sempre um desafio aceitar as limitações do outro e reconhecer as nossas, querer o pacote completo, harmonizar as diferenças, esquecer o que não vale a pena lembrar. Isso é amor né? Mas por muito sisso vale muito a pena, afinal tem algum incrível infalível aí?
Só fica difícil de resolver quando alguém deixa estremecer o alicerce da amizade, a confiança. Esses possivelmente irão ficar pelo caminho. E para eles o quê? Isso, rs, Deus abençoe. E bola para frente!
Por isso, de presente de dia do amigo IF... isso é, dia do amigo atrasado, ou de dia qualquer pois todo dia é dia de amar os amigos, queria dizer VIVA OS AMIGOS QUE FICAM! Eles são a maior prova que amar vale a pena. Viva os amigos que nos aguentam há anos. Viva os recém-chegados! Viva os amigos que estão por vir. Viva as pessoas com quem a gente adora estar aqui, na rua, na chuva ou na fazenda. A família que pudemos escolher. E não posso fechar sem lembrar que eu me acho "a Incrível" por ter conseguido encontrar, conquistar e manter amigos como vocês. Fiquem para sempre, please!


11 julho 2012

IF in Rio


Licença prêmio! Uma semana de férias sem as crianças... ops, cadê eu? Rio! E o melhor, sem programação, com bastante tempo livre para pensar e escrever aqui.

Hoje depois de correr na Lagoa Rodrigo de Freitas parei para tomar um côco. VIP, deve ser, é porque a R$ 3,50... Baiano não se conforma, rs. Deve ser porque o cara o serve numa tigelinha pra gente segurar, é um côco com bossa sabe? Ou porque tem canudo nas cores do FLA e do FLU. Não, é porque fica longe dos coquerais né? Tadinhos, não tem uma estrada do côco, umas fazendas do côco, umas praias de côco por aqui... ;)
Enfim, parei pra tomar o côco de ouro enquanto me alongava sentada em um banco. Passava um minuto em cada posição como manda o figurino. Entre uma e outra parava para admirar a Lagoa e pensar como foi mesmo que eu dei a volta correndo naquilo tudo.  Que estrutura bacana, que beleza de pista para correr! Sim, teria uma ponta de inveja no ar se eu não estivesse me sentindo "da área". Juro, quem me visse lá de roupinha de malhar, viseira e óculos diria que eu era nascida e criada na Lagoa.


Passeando em Santa Teresa é a mesma coisa, só que aí tenho que mudar o figurino. Sainha rasgada, blusa xadrez por cima da camiseta, tênias all star. E ter que ser tudo meio velho sabe? Faz parte. O cabelo é preso como quem não está nem aí em como prender o cabelo. Pegou?


Ah, e como esquecer o meu passeio no Projac? Uma grande oportunidade, graças ao meu amor. Em três horas por lá fui apresentada a Claudinha Abreu, assisti seu ensaio e a gravação de algumas cenas, ganhei beijo da Lady Francisco, elogio da Aracy Balabanian, abracei a Titina Medeiros, quase fui atropelada pelo carrinho do Vlad com a Fernandinha Torres e a Andréia Beltrão, almocei em frente da Malu Galli e perguntei o caminho da saída para o Antônio Fagundes.


Sim, porquê já deu né? Muita informação! Peguei um tx e fui pro shopping me esparramar em uma cadeira maravilhosa desses cinemas de agora e assistir "Para Roma com amor", do Woody Allen. Aaaaahhhhhhh........ Cada um busca seu prazer aonde quer! O personagem do Roberto Benigni dá um show e caiu como uma luva no meu dia. Ele faz um homem comum fantástico que é confundido com um famoso medíocre, imperdível! Não é lindo como "Meia noite em Paris", um dos meus filmes favoritos dele que ainda vai ter um post aqui, mas vale demais o ingresso, mesmo naquele cinema chique.


E o Jardim Botânico, o que é aquilo? Passeei sozinha, sem pressa, ouvindo Bethania. Não olhei mapa nem seta, ia andando e virando para onde dava na telha. Deitei no banco para olhar direito as palmeiras, tirei foto das orquídeas, tirei foto de mim. Pensei no Tom Jobim, respirei fundo até o peito inchar várias vezes. Observei as crianças, os turistas (sentiu o distanciamento?), os mais velhos e me senti como um deles, com o mesmo tempo, com o mesmo ar de contemplação.


Você aí, diria que eu não sou daqui, que estava alí pela primeira vez? No way! A não ser que eu abrisse a boca. Mas até pra isso tem jeito, basta colocar um som aberto parecido como o (a) em todas as sílabas! E aí(a), te convenci(a) que sou cario(a)ca ou não(a)?
Brincadeira, o sotaque carioca é totalmente dispensável. 


Ai, que bom, e ainda tenho três dias para curtir essa cidade número dois no meu coração. Melhor ainda ela fica quando eu a compartilho com vocês. Adoooro!!! Estão aqui comigo, tudo que eu vejo quero contar, como uma boba que vem da roça e se deslumbra com tudo. Ah, eu vim de lá né? Pois é, ainda bem, me deslumbro mesmo.

10 julho 2012

Pão De Cada Dia


Estou vindo de umas férias na roça, passei três semanas por lá. No último amanhecer daqueles dias senti uma vontade absurda de agradecer à Deus. Comecei orando o Pai Nosso, mas a parte do "O pão nosso de cada dia nos dai hoje" me pareceu muito pouco, nem sequer conta com a palavra "agradeço" para começar a frase! Daí fiz uma oração espontânea utilizando todas as palavras do meu repertório de gratidão, mas mesmo assim me pareceu muito fraco.

Joelhos no chão, mãos entrelaçadas sobre a cama, cabeça baixa. Respirei fundo. Aí sim, lentamente consegui me sentir suficientemente grata. O coração em paz. E chorei ao lembrar de alguns motivos:

Porque eu amo. Intensamente, algumas vezes incondicionalmente. Porque eu penso e percebo que a cada dia tenho mais cuidado com as palavras para não ferir os outros. Porque eu respiro e posso pegar oxigênio novinho a cada segundo. Posso sentir o cheiro da terra, do café e dos cangotes dos meus filhos. Porque eu consigo ver todas as cores, distinguir vinte tons de lilás. Porque eu sei andar e até correr e isso me faz sentir Incrível. Porque eu falo e sei falar de muitas formas. Porque eu sei escrever e escrevo sobre o amor. Porque eu tenho quem me leia! Porque amanhã vai ser um novo dia cheio de oportunidades. Porque mantenho amigos há mais de vinte anos. Porque é sempre tempo de fazer um novo amigo. Porque nada dói em meu corpo neste momento. Porque mesmo já tendo feito tantas bobagens eu sou amada. Porque não guardo mágoa de ninguém em meu coração. Porque aprendi a me perdoar. Porque posso tirar uma fruta do pé, porque existe chocolate, porque tomo banho quente. Porque aprendi a pedir desculpas e o melhor, até quando me sinto certa, só para evitar uma confusão. Porque acredito nas pessoas e no futuro, no meu coração transborda a esperança.

Daí (suspiro), cheguei na cidade e em dois dias ouvi três pessoas muito próximas me falarem sobre os seus sentimentos. Tristeza, solidão, letargia, angústia e ansiedade. Eles reclamavam dos mesmos sintomas mesmo sem se conhecerem. Poderia parecer coincidência se estas queixas não fossem tão comuns nesses últimos tempos. Falar que está deprimido hoje em dia já é quase tão normal quanto falar que gripou.

Comecei a pensar e a comparar a vida dessas pessoas com a minha, ainda inebriada pela sensação de gratidão da roça. Percebi que não éramos muito diferentes: idades, classe social, famílias, saúde, basicamente a mesma coisa. Os três possuem as oportunidades e são capazes de realizar todas as "proezas" do parágrafo grandão acima.

Então qual é a diferença?

Deixando um pouco de lado as questões física, biológica, genética, social e as demais que são estudadas diariamente e das quais não posso nem quero me atrever a discorrer, acho que o principal motivo das pessoas se sentirem assim é porquê elas não se enxergam.

Não enxergam seus potenciais, seus méritos, seus valores, seus amores, seus talentos, suas conquistas, suas chances, seus presentes, suas setas e seus avanços!

E sempre sem medo de ser feliz, aí vai mais uma teoria IF: Eu acredito que ser feliz é ser grato pelo que se tem. E com olhos e coração bem abertos. Essa gratidão vem do reconhecimento por tudo que Deus, esse grande mentor do universo, nos dá.

Eu tenho uma tia que recebe uma aposentadoria muito pequena. Por ela não ter filhos e eu a amar muito, sempre pergunto se ela está precisando de alguma coisa. E ela sempre dá a mesma resposta, "Preciso de nada Val, pense em uma pessoa que tem tudo que precisa, essa sou eu." Professora de felicidade, a danada.

Outra grande mestra foi a vida com suas lições, as dores que senti. Sofri o suficiente para saber valorizar qualquer momento de alegria.

Se temos a consciência do que temos e vivemos, deste grande privilégio que é a nossa vida e as suas possibilidades, atravessamos os problemas com força, serenidade e lucidez. Porque sabemos que eles passam.

Agora o bem que se faz (pelos outros e por nós mesmos) e os amores que conquistamos ficam. Nos preenchem e nos fortalecem!

Por tanto queridinhos, vamos cultivar o amor. Plantar novos, adubar os antigos. Regar a nossa capacidade de perdoar, aos outros e a nós mesmos. Cuidar da mente, crescer como gente, cuidar do nosso corpo que é um templo. E fazer do nosso amor por Deus uma frondosa árvore no peito, sempre cheia de novas folhas e frutos. Pedir a Ele para que nos traga a Sua paz. E por ela agradecer.













06 julho 2012

Surtando na maionese- mais uma vez



I- O que eu ia dizendo mesmo?

F- Sei lá, que importa? Estou aqui me atualizando no Facebook, curtindo umas fotos...

I- Ai, para! Eu vou precisar do computador, eu tenho que escrever no blog hoje.

F- Escrever o quê, já não tínhamos decidido parar com isso?

I- Eu não, você decidiu! Eu morro de saudade! Tanto a dizer, tantos amigos que eu só encontro na net...

F- Haha. Se fossem amigos você os encontraria em qualquer lugar. Já te disse que é muita exposição, que no Brasil precisamos ter cuidado e que ninguém vai perder tempo lendo as potocas que você escreve.

I- Se ninguém vai ler então qual é o perigo?

F- Humpf! Vai trabalhar mulher! Precisamos encontrar algo que nos traga retorno. As mudanças foram feitas, as crianças adaptadas, aprendeu um pouquinho de Espanhol e um quase nada de Francês, agora é hora de render!

I- Poxa, você não acredita mesmo na gente não é? Uma coisa é uma coisa e a outra é a outra filha! Podemos trabalhar e escrever, viver e sonhar! Ou você acha que vai ter sucesso em um trabalho formal a essa altura? Bora levantar a idéia do site!

F- Mas aquilo é uma viagem! Uma idéia de chuveiro. Um pensamento bobo num banho, não sei pra que te contei.

I- Aha! Quer dizer que agora as idéias tem que esperar a gente tomar banho e vestir uma roupa social para chegarem?

F- Quieta! Eu nem sei se existe isso, vamos agora inventar agora um ramo de negócios, nem sei que tipo de firma dá para abrir com essa função. Imagine: "Empresa de eventos inusitados e Incríveis voltada para desenvolvimento pessoal, lazer, relacionamentos, cultura, responsabilidade social e o que ocorrer"?

I-  Hahahahahhhh!!!! Não é o máximo??

F- Você é maluca mesmo, sinceramente não entendo como nós duas podemos morar na mesma pessoa.

I- Neguinha, escuta. Vamos começar. A gente dá um passinho pequeno. Lembra daquele conceito do Paulo Coelho que quando a gente quer e se movimenta o universo conspira ao nosso favor? Vamos ver qual é! Se rolar dá outro maior. E se não rolar o que de pior pode acontecer?

F- Não rolar. Parar. Zerar. Me danar. E te esguelar!

I- Isso! rsrs. Sacou mana?

F- Tá, vou pensar, posso entrar no Face agora?

I- Não. Antes eu preciso dizer que eu amo esse blog, que por mais que você me repreenda, me ache infantil, piegas, exibida, inconsequente e bem doidinha, que eu não desisto dele! Que o prazer que sinto aqui eu não encontro em lugar nenhum. Que a alegria que sinto quando alguém diz que sente falta dos meus textos é indescritível! Que eu ss......

F- Chega! Vixe! Quem aguenta? Fica assim então, você toca o blog que eu vou ver o que dá pra fazer no site. E anda logo com isso que eu quero assistir "Gabriela".

I- Te amo "moça bonita"! Ainda bem que você não é como ela que nasceu assim, cresceu assim e vai ser sempre assim, kkkk... Que venha uma nova fase! E toma, o computer é todo seu.



26 abril 2012

Amor em todos os tons


Foi hoje. Acordei como todos os dias ao som do alarme do celular e saí pra fazer a ronda matinal chamando os filhos. Primeiro a caçula, depois o mais velho e por último entrei no quarto dela, já respirando fundo para rebater todos os argumentos da preguiça.

E estava no meio da primeira chamada quando eu os vi. Por toda parte: no chão, na porta, na mesa e pelas paredes. Dezenas de papéis com todas as cores, com desenhos e fórmulas, com vários tipos de letras enfeitadas. Lindos! Ela deve ter ficado até tarde organizando aquilo.

Parei. Se eu estivesse em um filme teria entrado uma luz na cena, como entrou no meu coração. Eu não sei em que mundo eu estava, eu sabia de sua letra linda mas porque será que não tinha visto nenhum daqueles desenhos antes? Ou se tinha visto porquê não os tinha percebido? Talvez estivessem na escola ou presos em um caderno no fundo da mochila, mas que desatenta que sou!

O fato é que levei uma rasteira. Uma sacudida bem forte e entendi. Percebi porque ela leva tanto tempo para realizar as suas atividades. Eu, na angústia de querer vê-la livre para ter um tempo para brincar e fazer outras coisas, a pressionava para que terminasse logo e isso nos gerava um grande stress. Muito influenciada também pela pressão escola, que passa um batalhão de atividades todos os dias, inclusive nos finais de semana. Um absurdo, enfim.

Não entendia que o tempo dela é outro, que o olhar dela sobre o mundo é outro e outra também é a sua maneira de representá-lo.

O que mais me chamou a atenção  foram os desenhos de ciências. A readaptação na escola depois dos EUA não foi fácil e a sua maior dificuldade está nesta matéria, a única em que ela ficou em recuperação. E que por isso tanto sofreu. Ela quer ser boa em tudo, fazer bem feito, é impressionante. E vendo aqueles desenhos do corpo humano, dos ciclos das plantas e os grupos de animais, representados com tantos detalhes e destreza para uma menina de onze anos, me toquei. Acho que ela busca com eles a sua forma de entrar em contato com o assunto.

Eu, que não consigo sair dos desenhos da mesma boneca, da mesma casa e da mesma árvore que fazia aos sete anos, fiquei impressionada. Eu tenho um filho que toca e é rapidíssimo com cálculos, uma que canta e é super extrovertida e uma que desenha e é perfeccionista. Mas como assim se eles saíram de dentro de mim e eu sou um zero à esquerda nesses quesitos?

Tsc tsc, que pretensão mamãe... Eles vieram de Deus e logo sairão pelo mundo, com seus talentos distintos, com seus desejos e personalidades. Muito melhores ainda se você não atrapalhá-los, diga-se de passagem.

Ok, me rendo. Para tudo que os meus filhos me ensinam todos os dias. Me rendo à tudo que não sei. E te peço desculpas filha. Vá, voe, pinte o mundo com todas as cores que existem em você.

Eu vou estar aqui para te ajudar a administrar a parte "chata" que infelizmente é necessária para você aprenda a vencer todos os tipos de barreiras até poder se dedicar ao que gosta. E que sabe!

Você nasceu sabendo garota! Quantos demoram tanto ou passam a vida sem saber qual era a sua vocação. E os seus talentos desde já gritam! Que orgulho eu tenho. Seja qual for o modelo de família que nós temos, eu acho que está dando certo. Deve ser por conta do ingrediente mais poderoso em todas as receitas de educação: O AMOR.

Te amo mais que tudo desde que soube que você estava em mim, que você me escolheu para te trazer para este mundo. E quando te vi, bem antes de você pegar pela primeira vez em um lápis, imediatamente eu soube que você iria colorir a minha vida.