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10 setembro 2013

Um exercício de fé – por uma conexão online com Deus


A oração sempre esteve por perto. Antes de dormir, quando não estava muito cansada, antes de comer, de vez em quando ela aparecia rápida e silenciosa, para pedir proteção para os filhos quando me separava deles e, de vez em quando, para alguém que pedia. Ah, e todas as vezes que o avião acelerava para decolar, essa eu não esquecia.
E corre a vida, as provações chegam e passam, sempre diferentes e sempre deixando os seus rastros. E depois da última eu parei para pensar mais profundamente sobre elas. Demorou para que eu percebesse que essas marcas não precisam ficar e se instalar em forma de amargura, decepção ou mágoa.
Até então, estava tão absorta e apegada ao problema, respirando-o, comendo-o, acordando cada vez mais cedo para rolar com ele na cama e o permitindo ficar girando à minha volta sem parar, aonde quer que eu fosse, que não dava para enxergar a saída.
O Sri Sri Ravi Shankar no livro “Deus ama diversão” diz  que não deveríamos ir a médicos quando estamos deprimidos. Ele orienta: “Ame a sua depressão.”  “Você já amou seus sentimentos mais baixos?” Nos recomenda irmos fundo até encararmos os nossos medos. Diz que, quando chegamos l,á tudo é muito, muito bonito.
Isso parece estranho, mas chegou para mim como uma sopinha quente no inverno. Eu fui até lá e encontrei o caminho para poder voltar. Nossa, como eu agradeço aos anjos que escrevem assim, aos que nos indicam estes livros e aos que sopram no ouvido a hora certa de abri-los.
E, assim, comecei a fazer uma pesquisa para uma tese sobre a ponte entre as provações e o desenvolvimento da espiritualidade orientada por Deus e Sua equipe. Encontrei nos livros que eu já tinha lido palavras novas, conceitos inéditos e ensinamentos preciosos que sempre estiveram ao meu alcance.
É, a fruta não cai  mesmo do pé sem estar madura.
E eu, que fui criada na Igreja Batista tradicional, batizada na católica, na dor mais forte conheci o Espiritismo e o Espiritualismo, constatei que as religiões cristãs são unânimes em recomendar a prática da oração e da meditação.
E foi através deste trecho do Evangelho segundo o Espiritismo que tudo se encaixou:
"A prece do cristão deve ser feita logo ao acordar, quando o Espírito retomou o domínio do corpo após o sono. Deve elevar-se em agradecimento aos pés da Majestade Divina com humildade, do fundo da alma, agradecendo todos os benefícios recebidos até aquele dia; pela noite transcorrida, durante a qual vos foi permitido, embora inconscientemente, ir até junto de vossos amigos, vossos guias, para renovar, ao contato com eles, vossas forças e confiança. A prece deve elevar-se humilde aos pés do Senhor, para Lhe confessar a vossa fraqueza, e suplicar amparo, indulgência e misericórdia.
Vossa prece deve conter o pedido das graças que tendes necessidade, mas das autênticas necessidades. É inútil pedir ao Senhor para encurtar vossas provas, para vos dar alegrias e riquezas. Rogai-lhe para vos conceder os bens mais preciosos: a paciência, a resignação e a fé. Pedi, antes de todas as coisas, vossa melhoria e vereis que imensidão de graças e de consolações se derramarão sobre vós."
Sabe quando depois de muito quebrar a cabeça você entende o assunto? Entendi porque eu estava acordando mais cedo, entendi qual é o meu lugar, a importância das provações e das preces, entendi tudo. O tempo que me foi concedido não era pra ficar remoendo o passado, mas, para eu abrir um campo para que Ele pudesse me encher de paz. Isso depende de uma ação! Nossa, de mais ninguém, depende de querermos de verdade, mais do que qualquer coisa, estar na presença de Deus. 
Desde então estou treinando como para uma maratona, leve e sutil, mas intensa e que exige determinação: Faço as respirações do curso "Arte de viver", rezo o terço pelas causas e pelas pessoas que me aparecem no momento, medito em uma afirmação escolhida na noite anterior,  e depois fico ali, quietinha, curtindo as cores que aparecem com os olhos fechados até sentir uma alegria imensa...
Isso dura mais ou menos uma hora, e acaba no momento em que o sol desponta de uma casa à esquerda de minha varanda. Esta é prática feita por mim para mim. Acho que cada um deve criar a sua, de acordo com as referências e as suas crenças.
O resultado segue comigo durante o dia em tudo que eu faço, isso reflete em todas as minhas palavras, ações e decisões. Sigo orando o tempo todo em doses homeopáticas. Mas já sei, o prazo de validade é de 24 horas, no dia seguinte é preciso reabastecer.
É um exercício como outro qualquer. Quando fazemos atividades físicas ganhamos condicionamento, consciência corporal e agilidade para as atividades. Ganhei com esta prática mais fôlego para as adversidades, mais discernimento para as decisões e mais resistência para os desafios. E, o melhor, uma maior conexão com o divino.
Eu tenho uma amiga que disse que isso é estar online com Deus, eu adorei. É isso, Ele chegou mais perto e me permitiu uma conexão, porque eu O chamei de verdade. E estou fazendo questão de Sua companhia o tempo todo. Porque eu adoro estar em comunhão com Ele e na presença dos Seus anjos, companhia melhor não há.
Assim inspirando profundamente me inspiro e escrevo. É necessário compartilhar o que temos de melhor.
Para encaixar as peças e para aceitar o que não está ainda ao nosso alcance. Para desenvolver a percepção, entender o propósito das pessoas e das provações em nossa vida para estar preparado para o que vier. Direto da Bíblia da minha avó, o que nos ensinou o mestre dos mestres, Jesus, e que com um grande júbilo acabo de comprovar:

Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se vos- á.
Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á.  
                                                                                                               Mateus 7:7-





12 abril 2013

A arte de viver



A Yoga é um esforço que a pessoa faz para vivenciar pessoalmente a sua divindade. Yoga é domínio de si e esforço dedicado a desviar a atenção das reflexões intermináveis sobre o passado e preocupações infindáveis com o futuro para, em vez disso, conseguir buscar um lugar de eterna presença, onde se possa olhar com tranquilidade para si mesmo e para o mundo ao redor. Somente desta perspectiva  de equilíbrio da mente  é que a verdadeira natureza do mundo (e de você próprio) lhe será revelada.
Estas palavras vieram do capítulo 38 do livro "Comer, rezar em amar" da Elizabeth Gilbert, e coincidiram com o início da minha prática dos exercícios de respiração do curso "Arte de Viver". Assim como os assuntos se cruzam em minha vida eles se cruzam em meus textos, a junção da releitura deste livro com a descoberta desta prática veio em boa hora.
A Arte de Viver é uma ONG fundada por Sri Sri Ravi Shankar em 1981, e presente em 150 países. As pessoas que trabalham são voluntárias em iniciativas contra o estresse e serviços sociais. Eles oferecem vários cursos, eu fiz o primeiro.
E lá pensei várias coisas, e ,melhor, aprendi como deixar de pensar, já que o turismo da mente, ou o fato de deixarmos a nossa mente viajar sem parar entre o passado e o presente, nos traz muita frustração e ansiedade. Aprendi sobre o momento presente, e até como voltar a respirar como as crianças, que são cheias de prana (energia vital) e sempre estão no aqui e agora. Lá, eu soube que respiramos apenas trinta por cento da nossa capacidade, e que oitenta e cinco por cento das toxinas que provocam doenças são eliminadas com a respiração. Nós nada mais somos que fruto das nossas emoções.
"Saia da mente pequena e vá para grande a mente!", dizia Peixinho, o nosso mestre no curso. E lá estava eu, concentradíssima, para fazer as respirações: Ujjayi (que quer dizer vitória da respiração sobre a mente), o Pranayama, a Brástrica, o OM e o Sudarshan Kriya.
Parece complicado, mas e só ir lá para saber o quanto é simples e faz bem. Simples como esta metáfora do professor: - Pensem nas pessoas como carteiros. Os conflitos e os entraves são apenas as cartas que elas trazem com as questões que precisamos resolver". Gostei disso, alguém briga com o carteiro quando ele traz intimações, más notícias ou contas caras para pagar? Concordo que tudo que passamos tem um propósito de acontecer, e as pessoas que cruzam o nosso caminho têm uma missão em nossas vidas, sempre para que nos tornemos melhores. E atenção para não super dimensionar as coisas: lembre-se de pensar a vida com a grande mente!
"A existência é um fato, viver é uma arte." diz Sri Sri Ravi Shankar. Respirar, todos respiramos, mas respirar com consciência só para os que a desenvolvem. Viver, todos vivemos, mas viver com saúde no coração, a ponto que seja possível conhecer, sentir e nutrir-se do Deus que está em cada um de nós também. Namastê!