11 outubro 2010

Uma Tia Incrível, o Titãs e uma lagarta.

Para a minha Tia Querida Muito Boa

Ela pediu pra eu dar uma olhada na letra de Epitáfio, do Titãs, dizendo que eu sou mais Incrível e menos falível do que imagino. Fui então buscar esta linda música que a maioria conhece e se reconhece nela.

Separei este trechinho:

"Devia ter arriscado mais
 E até errado mais
 Ter feito o que eu queria fazer..."

Por diversos motivos eu cresci muito insegura. A primeira profissão que escolhi foi ser atriz. Tsc tsc. Bad choice. No palco não há lugar para amarras e pudores. Nunca consegui realmente me despir de mim para vestir uma personagem. Tinha medo de errar, de falar besteira, de ficar feia, de parecer burra e um monte de tolices ainda piores que limitaram a minha carreira à programação de um curso universitário.

Bem mais tarde mudei o rumo da proa e fui parar em uma Empresa. Já muito melhor, mas ainda pensava dez vezes antes de abrir a boca em uma reunião. Perdi várias oportunidades e engavetei boas idéias.

Sempre tive vontade de escrever. Na infância as minhas cartas eram famosas. Meu pai quando as recebia achava que alguém as tinha ditado, que aquilo não era possível para uma menina de oito anos. Algumas vezes as minhas redações iam parar na diretora da escola que mandava para a minha mãe,  até minha avó recebeu uma vez e ficou toda orgulhosa. E eu nas nuvens, pois o padrão de exigência dela era altíssimo.

As palavras sempre vieram. Mas só agora tive coragem de colocá-las pra fora. Graças ao incentivo da família, em especial da TQMB. Atenção aí quem tem filhos ou seguidores de qualquer tipo. Isso chama Reforço Incondicional Positivo, é fundamental para a construção da auto-estima básica para que o sujeito se reconheça capaz de realizar alguma coisa.

Escrever é se expor. E estou aqui me arriscando o tempo todo. A ser mal interpretada, a ser ridícula, a ser ignorada. Mas vou pagar pra ver com todos os erros a que tenho direito. Não dá é pra passar batido pela vida. Ok, Ok! É bem mais fácil atrás da máscara de um personagem de desenho animado.  Mas isso é um processo evolutivo tipo de lagarta para a borboleta.

O que vale é que eu coloquei o pé na coisa, já sou uma lagarta na área. Estou fazendo o que eu quero antes que seja tarde demais, como diz a música. E como diz a minha Tia, uma Incrível regadora de sonhos.


Tá aí o recado dela:



Com vocês eu posso tudo!

Gente, quase caí dura de alegria agora, até esqueci sobre o que ia escrever. Este bloguito alcançou hoje o incrível número de 66 visitas! 

Com 19 dias de nascido, já teve visitantes da Espanha, México e Portugal. Teve do Canadá, Reino Unido e Argentina também mas estes não contam porque são parentes. A minha família sempre me lê, pelo menos isso, mas eu sonhava com a visita de um estranho.

Tenho ainda poucos amigos que me acompanham, mas estes valem por dez. Uma é a Xará que deve ser bem responsável por este boom, já que a mensagem da limonada que ela divulgou no facebook foi a mais acessada de todas. A outra é Thati, internauta das antigas, me dá várias dicas, na última ela me mandou entrar no twitter e eu prontamente obedeci, só não tenho a menor idéia do que fazer com ele. 

Ah, não posso esquecer da assessoria de imprensa que contratei, uma hora do precioso tempo do meu filho adolescente, a custa de alguns dólares, lógico. Ele colocou o link do blog em alguns sites por aí.

Não tem como saber ao certo, mas também não importa. Isso serviu para sentir que devo estar amarrando o meu jeguinho incrivelmente falível no poste certo.

Porque assim como um ator precisa da platéia, um vendedor precisa do cliente e o macaco precisa de banana, eu preciso de vocês, meus incríveis leitores!!!



Thank you all :)))

09 outubro 2010

Eu, o Au e a Polly

Estava eu decidida a começar a fazer o homework sobre mudança de comportamento (depois conto mais, já viram que tudo que vejo no curso e gosto, faço ctrl c/ctrl v) e ensaiando para quem sabe ligar a minha TV pela primeira vez...

Quando as crianças chegam apressadas com a notícia:
- Mãe, o Au foi atacado por um pastor alemão no pescoço, tá sangrando!

O Au é uma maltês de laço cor de rosa, a cadelinha mais dócil que existe. Desci respirando fundo. A peguei no colo, fui olhar, ela chorou. Subi, peguei na Internet o número de uma clínica, liguei e lá fomos nós. O inglês funcionou, Gilda também, rapidinho estávamos lá. Ela chegou tremendo, odeia o cheiro universal dos hospitais de aus. 

Quando o Dr. raspou aquele monte de pêlo, vimos que o buraco foi pequenininho. Passou antibiótico e analgésico. E disse que tivemos muita sorte, na maioria das vezes uma mordida nesta região é fatal.

E eu realmente acredito nisso. Não penso que poderia estar cochilando e que isso poderia ter sido evitado. Sinto sim que tivemos muita sorte, penso que ao invés de estar aqui agora me arrumando para a festa da prima poderia estar chorando e o que é pior, consolando o choro dos filhos.

A minha mãe disse que eu tenho a síndrome da Pollyanna, que pensa "que bom que aconteceu o desacerto assim, poderia ter sido tão pior..." É meio estúpido eu sei, mas sem a filosofia da Polly a vida fica muito dura.

Uso o pensamento positivo para tudo. Sempre acho que a viagem vai ser ótima e que a cirurgia vai dar certo. Nas minhas senhas sempre tem palavras que me jogam pra cima, sempre sonho que o amanhã vai ser melhor.

Existe duas formas de encarar as dificuldades e a escolha é nossa. Eu realmente sou uma seguidora da Polly, e olha que nem li o livro.


Uma Incrível limonada



Eu erro tanto! Pelo menos umas dez vezes por dia. Eu me perco muito, mesmo com dois GPSs. E perco as coisas, depois que já cheguei em casa tenho que voltar na loja porque deixei o cartão. Deixo queimar a comida, falo besteira demais quando estou com raiva, falo um inglês ruim demais. Preciso tentar treze vezes para conseguir postar uma mensagem como essa. Preciso tentar sete pra pagar uma conta pela internet. Esqueço as senhas, os aniversários dos amigos, o casaco. E quebro muitas coisas, já passei com o carro em cima de um celular, já deixei outro cair na bacia do salão de beleza.

Isso costumava ser um pesadelo porque sou muito exigente comigo, nem de longe sou dessas que não está nem aí. Pareço zen mas é propaganda enganosa.Tenho um desconfiômetro apurado, sou compulsiva para fazer as coisas certas e bem feitas. Quando eu erro com alguém, ele(a) não precisa nem se dar o trabalho de revidar, porque eu já me condeno mais que o suficiente. 

A primeira coisa importante que aprendi foi a me perdoar. Pelos milhões de erros do passado e de todos os dias. 

Isso tudo me faz lembrar de um dos pressupostos da programação neurolinguística. Por falar nela, estou bestinha por ter meu professor Kau Mascarenhas como um dos meus quatro seguidores.

É assim; "Só existe sucesso ou aprendizado." Os erros servem como pontes para o acerto. Das duas uma; ou você acertou ou aprendeu para fazer diferente na próxima vez. Um dos exercícios que ele ensina no curso é uma espécie de ensaio mental para a próxima. Por exemplo, se você fez uma apresentação no trabalho e acha que não foi boa, experimente depois revivê-la mentalmente como gostaria que tivesse sido. Isso abre novas possibilidades na mente para quando você estiver na mesma situação. A técnica serve também para uma conversa a dois ou para qualquer reação que você queira mudar.

Esta e outras tantas estratégias me ajudaram muito. Foram várias pequenas conquistas, enchendo a minha bola de grão em grão para eu me sentir como agora.

Até já estou rindo, tirando proveito da situação com este blog.  Ressignificando algo que eu não gostava. Já ouviram esta palavra? Quer dizer dar um novo significado, transformar algo ruim em algo bom. Tipo fazer do um limão uma limonada, exemplinho chinfrin esse, mas maravilhoso. 

É isso! Eu agora estou colocando em mim açúcar para não ficar azeda, gelo para esfriar o temperamento e água para lavar a alma e deixar o passado escorrer.

Mais doce e refrescante. Procurando ser Incrível mesmo assim falível.

07 outubro 2010

Incrivelmente feliz

Para a xará...

Fiquei tão feliz por você citar o bloguito no face que fui buscar com Giselda um pouco mais sobre o assunto.

Acho o máximo o palestrante que consegue deixar marcado uma frase ou uma palavra na gente para sempre. E foi em uma palestra de Kau Mascarenhas que ouvi a seguinte frase:

"Ter sucesso é ter o que se quer;
Ser feliz é querer o que se tem."

Tem pessoas que querem realizar, comprar e conseguir um milhão de coisas e nada os abastece, a felicidade não vem. É como a criança que tira o papel de presente e nem olha direito, muito menos agradece a quem deu, já vai correndo abrir uma caixa maior.

Já outras vivem modestamente e são tão felizes e gratas. São riquíssimos ao meu ver. Vivem a plenitude nas experiências mais simples, nas grandes pequenas coisas do dia a dia. É um preenchimento interno, para mim é a presença de Deus.



Beijos querida, que bom que você está aqui comigo.


06 outubro 2010

Exercício do desejo





O que mais vemos por aí são crianças mimadas que se tornam adultos insatisfeitos e deprimidos. Eu chamo estas pessoas de sacos sem fundo, nada nem ninguém é suficientemente bom para elas. Na maior parte frutos são de pais que querem compensar a sua ausência e displicência com presentes ou com o descaso de um eterno sim.

Toda criança tem direito ao exercício do desejo. Precisa saber o que é sonhar. Eu me lembro bem de uma bicicleta BMX que pedi ao meu pai de aniversário. Devia ter uns dez anos. Todos os colegas já tinham, via propaganda, escolhi a cor, fechei os olhos várias vezes me  imaginando ganhando o mundo naquela máquina. No dia marcado meu pai chegou na cidade com aquela caixa imensa e eu me senti a criança mais importante de todas.

Pena que só durou um mês. A BMX vermelha era tão linda que o porteiro do prédio levou pra ele. Só deixou a chave de fenda, eu a guardei por muito tempo. 

Nada para mim foi fácil na infância. Mas tudo foi fundamental para a formação da minha consciência. Todos os sonhos e frustrações nos preparam para a vida. Seja para ter força diante das dificuldades ou para comemorar muito qualquer momento a toa de alegria.


É sempre muito mais fácil fazer logo o que eles querem para que aquele choro acabe. A tentação de ver um baita sorriso do filho abrindo um presente é grande. Mas lembrem-se de pensar a longo prazo, de que estamos criando filhos para serem felizes para sempre. E ser feliz é gostar do que já se tem, é estar agradecido. 


É o grande e bendito estado de graça. Este foi o maior presente que recebi da minha infância. Muito obrigada Papai e Mamãe.



05 outubro 2010

Outra teoria sobre os modelos de inteligência

A teoria triárquica de inteligência do psicólogo Robert Sternberg:


A inteligência analítica é responsável por analisar, comparar e avaliar. Esta que é a avaliada pelos testes tradicionais de inteligência. É a capacidade de avaliar o problema, discriminar as suas partes e desenvolver as estratégias para resolvê-lo.

A inteligência prática é  a capacidade de aplicar o que sabemos na nossa vida cotidiana. É o que fazemos no senso comum, o que aqui eles chamam "street smarts", é a mais difícil de medir em testes.

A inteligência criativa nos permite inventar novas formas de resolver problemas desconhecidos. 

Sternsberg diz que as pessoas mais bem sucedidas são as que sabem integrar e organizar estes três aspectos em suas vidas.

Ta, o que ele nos diz é que sai na frente quem sabe resolver bem as situações adversas que aparecem no dia a dia. Isso me faz lembrar da época em que trabalhava na empresa, onde eu podia observar e comparar vários estilos de gestores. 

Saiu na frente um, bem novinho até (acho que agora ele fez 25), que começou com uma tática para aprender e isso acabou sendo o segredo do seu sucesso. Toda vez que recebia um problema, ele chamava todas as partes envolvidas, ia ouvindo e inter mediando (porque dava até briga), levando o tempo que for para entender a situação e deixava que o grupo fosse colocando os seus argumentos, até que ganhasse a melhor sugestão. Daí todos entravam em acordo, sentiam-se envolvidos e partiam pro ataque com um só alvo.

Experiência nenhuma, a solução vinha do grupo, era  muito mais inteligência analítica. E um senhor ouvido. 

Reuni com a minha equipe para discutirmos a nossa volta pro Brasil. Precisávamos decidir para comprar o carro e assinar o contrato do aluguel da casa. Eu, um de quatorze, uma de nove e outra de sete. Coloquei todos os prós e os contras, e deixei a decisão com eles. Foi unânime: ficamos um ano. Temos muito ainda que aprender para integrar as nossas inteligências individuais e formar um time campeão.