11 abril 2011

Falibilíssima!


Somos a soma das nossas imperfeições; a isso chama-se integridade.
                                                                                             Josè Arguelles

Cheguei aqui sem uma idéia para escrever.
Fui olhar uns posts antigos e estavam lá
Erros de ortografia, de gramática, de digitação
Redundância, concordância, tudo em abundância.
Milhares de contradições.

Consertei o que deu
Tirei alguns do ar
E parei para me perdoar.

Fui buscar essa frase que Cau, amigo querido e entendido das coisas, me mandou ao conhecer o bloguito. Está num livro de Josè Arguelles chamado Surfistas do Zuvuy, que por sinal eu deveria ler antes de comentá-lo aqui.

Esse é outro problema
Preciso voltar a ler
Para isso aqui não ficar aguado
A Tia Querida Muito Boa até me enviou uma lista 
Fora os cinco que estão na minha cabeceira me olhando.

Preciso estudar para alcançar o sonho
Agora quero escrever também para quem não me conhece 
Sempre acho vocês todos muito suspeitos
Um bando de gente que gosta de mim, que coisa! ;)

Ai, como faço pra me livrar do diário?
Olha eu pensando alto de novo,
Colocando na mesa as minhas inquietações
Que fazem parte da minha soma Incrível de imperfeições.

Mas porém, contudo, todavia, no entanto
Foi assim que consegui começar.
Ao me assumir Incrivelmente falível
Encontrei a minha verdade
Essa integridade que me trouxe super poderes.

E simplesmente estou muito orgulhosa de estar vencendo esta vaidade pretenciosa de querer parecer perfeita (contradição, gerundismo e redundância na mesma frase, ugh!) e criar coragem para seguir em busca de novos desafios.

10 abril 2011

Chuva de granizo


Abraço apertado de boas vindas
Passeio de carro na costa
Cheese cake na praia
Mãos grudadas na rua
Pôr do sol no cais
Caranguejo grandão e vinho branco
Risadas de novas histórias
Lareira em casa
Música preferida
Chuva de granizo pela janela
Rara como um encontro assim.

Escrever
Para entender
Para aceitar
Para reconhecer
Para agradecer
Para eternizar.

A vida como ela é.


Quando fui comprar o bilhete na máquina, pedi ajuda a uma mulher. Ela foi simpática e continuamos conversando. Entramos juntas no trem e nos sentamos de frente uma para a outra. 

De repente ela começou a me contar a sua vida inteira, toda dada como eu. Só que ela contou coisas dificilmente contáveis em um primeiro momento. 

Disse que quando criança foi abusada sexualmente, que na adolescência se envolveu com drogas e com homens errados. E teve sete filhos com sete diferentes deles. E por último, em 2009, esteve presa por oito meses por ter sido pega roubando comida no Wallmart.

Isso pra ser sucinta, a sua história é bem mais complexa. Brenda tem 33 anos e apesar de aparentar 45, mantém um sorriso juvenil. Me mostrou fotos dos filhos e contou sobre a personalidade de cada um com os olhos brilhando. Falava devagar para que eu entendesse, disse que quer fazer faculdade. Me olhava com admiração e adorou saber sobre o Brasil.

Ela estava indo para LA para entregar uns papéis em sua defesa para não ter que ser deportada para a Guatemala, lugar de onde veio ainda criança. Disse que está determinada a fazer tudo certo agora. 

Lá para as tantas tirou os tais papéis da bolsa e me pediu para ler. Tratava-se da descrição de sua vida e de todo o seu desfortúnio até chegar ao ponto de ser pega roubando.

Estava muito bem escrito pelo advogado, li aquelas dez páginas atentamente como se a defesa fosse minha. E como tive vontade de ter uma cópia daquela história! Tinha nas mãos um grande roteiro da vida como ela é.  

E mesmo com um passado tão diferente senti uma grande empatia. Por ser mulher, por ser mãe e por todas as escolhas erradas que já fiz. Nada mais ou melhor do que ela.  E sim com mais amor e mais oportunidades.

Ela me deu seu telefone mas não teve coragem de pedir o meu. Me acompanhou ao descer do trem para se assegurar que eu comprasse o segundo bilhete certo.

Nos abraçamos e eu a desejei boa sorte na maior intensidade que consigo desejar isso a alguém. 

E segui pensando na nossa condição humana tão falível. E como minha avó já dizia, a humanidade é a mesma em qualquer lugar. Em algum momento a gente sempre se encontra no mesmo trem.


Train to Love



Só faltou o chapéu. Ou talvez um lencinho colorido e esvoaçante para amarrar no pescoço. Coisa linda é pegar um trem para ir ver o namorado. Para completar o cenário, um dia perfeito na janela.

Há tempos ele me convida para ir visitá-lo. Desse fim de semana não poderia passar. Primas e babysitters acionadas, aqui estou no trem indo ao seu encontro em Laguna Beach. Ele queria me buscar mas eu disse que não, que deixasse que eu chegaria e amanhã ele me devolve de carro.

Ele me mandou todo o intinerário com detalhes, números dos trens (são dois), horários, tudo organizadíssimo, é a tampa loira da minha panela! E eu procurei seguir tudo certinho, lógico, senão já pensou? Dar mancada na primeira ida romântica para ver o PIF?

Estou aqui louca para tirar um cochilo mas não tiro com medo de perder o ponto e ir parar em San Diego. Me lembrei de quando pegava o ônibus do Itaigara para a Escola de Teatro no Canela e em menos de cinco minutos dormia profundamente. Quando me dava conta, já estava na Avenida Sete. E volta a IF tudo andando, situação freqüente.

Tive uma companhia feminina em cada trem. A primeira foi tão especial que mereceu um post esclusivo, que vem a seguir. A segunda está em minha frente, toda cheia de pose fazendo caretas indicando o homem que está roncando muito alto ao lado.

Já puxou conversa duas vezes, disse que achou minha bolsa bonita. Bolsinha qualquer, ela quer é bater papo. E eu não estou dando muita ousadia porque quero escrever para vocês. Parece que eu tenho o sangue doce, deve ser porque abro os dentes pra todo mundo, adoro dar "good morning".

Que barato isso, comecei a sonhar em passar um mês viajando de trem sozinha. Aí com certeza dá um livro.
Quem sabe um dia? Está lançado ao universo. A gente nunca sabe aonde a vida vai nos levar não é mesmo? Afinal aonde, em que momento eu poderia imaginar estar em um trem na California indo ao encontro de um amor loiro?

Está chegando, mais duas estações. Agora eu já vou para  fazer o check list da make up, não deu tempo em casa. Ainda bem que estou bem acordada e espertinha para aproveitar cada segundo deste filme IF. :)

07 abril 2011

Pop, pop, popping... love!


Não me canso de admirar a cidade que encontrei quando cheguei de viagem
Palmdale mudou completamente com a primavera
Temperatura de 20°C
Céu limpo bem azul
Folhas em vários tons de verde
Árvores de flores roxas e cor-de-rosa
E graciosas florzinhas amarelas em todos os lugares
Nas montanhas, nas ruas e no meu jardim.

Que Incrível morar em um lugar onde as estações são bem definidas
Aqui no verão o calor é de enlouquecer
No outono as árvores ficam sem uma folha sequer
No inverno neva
E agora sei que a primavera é linda!

Estava guardando os casacos em uma mala
Pendurando roupas mais leves
E pensando
Que nós como parte da natureza também temos esses ciclos;

Podemos estar em uma fase bem animada, disposta, exposta, elétrica
Bem verão.

Em outra podemos nos desfazer ou nos desprender
Comportamentos, hábitos, relações, trabalhos, lugares,
Algo que não esteja nos fazendo bem.
Outono.

Em outra nos preservar
Conter, aquietar-se, ler, inspirar profundo,
Ouvir mais do que falar
Hora de plantar, de alimentar a alma
De pensar o que mudou
Muitas vezes hora de chorar.
Inverno.

Eu posso ter todas as estações em uma semana, rs.
Agora estou vivendo uma fase totalmente primavera
Tudo a ver com a pacata e florida Palmdale
Momento de apreciar, de se encantar, de colher, de renascer, de sorrir,
De namorar :)

Poppy é o nome da florzinha amarela
Deve ser porque elas aparecem de repente como pipocas
Flores pipocando no norte da California
Como o amor despontando no coração da IF.♥



06 abril 2011

‎Ê X T A S E!

‎"Me nego a viver em um mundo ordinário como uma mulher ordinária. A estabelecer relações ordinárias. Necessito o êxtase."   Anais Nin









Acabo de ler isso. Identificação imediata.
Sempre achei a rotina sem graça, a escola muito chata, a vida muito burocrática.
Me sentia meio fora deste mundo
Me embaralhei no começo
Não conseguia acompanhar
Antecipei tudo em busca de fortes emoções
Paguei caro
Mas sobrevivi.
E depois voltei para buscá-las;
As regras, os horários, os padrões, os limites.
Por causa dos filhos
Eles trouxeram o equilíbrio
Mas a necessidade de emoções nunca saiu daqui.
Alguém em mim gostaria de ser uma viajante,
Uma ativista defensora da natureza,
Uma artista de circo.
Quiz fazer teatro para viver muitas vidas.
A minha mãe disse que nunca viu alguém tão "inventadeira de moda".
A prima na semana passada falou que se eu não fosse tão" folienta" eu deveria ficar quieta em Palmdale.
Ela está certa.
Por que mudar?
Pra que mexer em um time que está ganhando?

Por que hoje ele veio aqui trazer uma pasta
Com formulários de escolas excelentes perto dele
Que ainda dá tempo de inscrever
Não tinha cogitado aquele lado
Inclusive uma das primas está indo morar lá pra ficar perto do trabalho do marido
Coincidência? Só?
A IF sempre pensa além...

Uau, ele quer que eu vá pra lá!
Vou na sexta conhecer
Custa nada dar uma olhada
Estou pagando pra ver qual é a deste homem
E por que a correnteza me trouxe ao seu encontro.
Saibam vocês que de todas as grandes loucuras que ainda quero cometer
O grande êxtase
Acontecerá quando eu me acalmar com o meu amor.

A cabeça IF começa a viajar
Rapidinho gira 180 graus.
I know, I'm crazy
Folienta, inquieta, precipitada, ansiosa, romântica,
Só não irresponsável (porque a mãe dentro de mim grita muito alto)
E nunca, mas nunca, nunquinha da silva...
ordinária.

05 abril 2011

Flechada!


Viagem aproveitada até os 45 do segundo tempo
Praticamente do boteco do caranguejo para o aeroporto.
Despedida difícil, a filhinha veio chorando quietinha
Fico arrasada com choro calado.
Vôo diurno sempre mais cansativo,
Horas espremida como uma sardinha na lata
Pra completar duas horas na fila da imigração
Mas deu certo.

O clima aqui estava de ar condicionado
Admirei as ruas e a organização como se fosse a primeira vez.
O Au desceu as escadas meio sonâmbulo
Quando caiu em si começou a pular de alegria
Largamos as malas, oramos e dormimos.

Adorei acordar no silêncio absoluto
Eu realmente amo essa casa.

Comecei a abrir a correspondência
Entre tantas contas estavam lá os envelopes
O resultado dos testes das escolas
Não passaram, nenhum dos três
Eles não dizem porque.
Chorei, tinha pedido a Deus um sinal.

Pensei que a ida ao Brasil fosse me ajudar a decidir mas piorou.

As primas vieram me ver, tão bom tê-las aqui! E... ele! Com as filhas, de repente a casa ficou em festa. As crianças brincaram sem parar.
Acho que a tristeza delas ficou lá no espaço em algum lugar no meio do caminho.

E lá pras tantas, na primeira oportunidade ele me deu flores, me abraçou e disse:

- Meu amor, senti tanto a sua falta! Eu tinha até me esquecido do quanto você é linda...

E me desmontou.
Quis ficar em seus braços pra sempre
Pedir ajuda
Fazer todas as perguntas que me enlouquecem
Deixar ele decidir por mim
Me encolher como um bebê
E ser cuidada, só para variar.

Acho que ele sentiu porque recebi tanto carinho!
Sei não...
O jeito que ele me olha, que sorri quando eu falo
Que precisa pegar em minha mão
Me faz ter vontade de ficar pra sempre.
Sei lá, ô achando, quem sabe...
Estou com a impressão
E é mesmo bem possível
Acho que me apaixonei.
Pra colocar ainda mais emoção neste dilema.
Ah, e o nome dele é Steve, o meu Incrível boyfriend.♥