A quem possa interessar
Resolvi dar um sinal de vida.
Para isso primeiro tive que subir um morro pra achar um sinal pro celular.
So para dizer que encontro-me em estado de vilegiatura.
Tambem nao fazia a menor ideia do que eh isso
Ate que a sabia tia Leu me disse:
Quer dizer que estou apreciando a vida no campo.
E como estou!
Ha dias so descanso e aproveito a paz.
O dia rende aqui.
Ja estah tudo enfeitado de bandeirolas e flores de papel crepon.
Ja fizemos quentao, amendoim, os assados estao todos temperados.
O pote de barro esta cheio de doces e brinquedos.
A familia quase toda ja chegou.
O irmao avisou que estava chegando ontem soltando bombas e foguetes.
Da primeira eu sabia que era ele.
A mae tocou as musicas mais lindas do mundo no acordeon.
Enquanto conversamos 500 metros de prosa.
Ontem teve ate concurso;
Da crianca mais suja.
A minha caculinha tirou segundo lugar.
Orgulho da mamae, rs.
Pois eh, eu adorei saber o nome
Disso tudo que eu adoro fazer desde que me entendo por gente.
Aproveitar o que ha de mais espetacular no mundo;
A simplicidade.
E viva Sao Joao!!!!!
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23 junho 2011
17 junho 2011
Mesmo assim
Ontem os primos chegaram. A Debbie, o seu marido Steve e a sobrinha Stephanie.
O Erik, seu filho, já está aqui há quatro meses, veio para passar um semestre e conhecer a nossa cultura, conviver com a família e aprender a falar português (sim, isso é importante para eles).
Saímos de manhãzinha do aeroporto e pegamos ¨aquele¨engarrafamento para casa. Tentamos ir pela orla e estava pior. O Steve que pisa no Brasil pela primeira vez, olhava para tudo muito interessado. A primeira coisa que notou desde a chegada do avião foram as casinhas pobres e amontoadas.
Desde a outra vez que vim, notei que Salvador já teve dias muito melhores. Seja pelo período pós-chuva, pela ausência do sol que colore e ilumina tudo ou pela incompetência dos dirigentes que nós elegemos e pior, re-elegemos, não é fácil mostrar a nossa cidade para um turista. Principalmente pelo tamanho das expectativas, fomentadas pela propaganda das olimpíadas, da copa do mundo e tenho que confessar, por mim.
É muito duro para uma cidadã baiana apaixonada pagante de todos os impostos ver que o crescimento econômico do Brasil ainda está longe de se refletir no nosso cotidiano, em questões como infra-estrutura, limpeza e segurança.
Durante o passeio da tarde procurei mostrá-los as ruas mais bonitas, os nossos bons restaurantes, os pontos turísticos famosos e a nossa linda arquitetura. Chamei a atenção para como o nosso verde é tão verde, o azul do mar é tão azul, a música é boa, as frutas são doces e as pessoas são alegres.
Meu big cousin Steve perguntou se poderia abrir o vidro para tirar fotos no caminho. Eu disse: Poder você pode, mas não deve. Bem tristinha por dentro.
Houve um momento em que ele comentou sobre o grande número de cachorros na rua. O filho então falou: - E o que é interessante é que eles olham para um lado e para o outro antes de atravessar. Lá (US) vemos poucos cães soltos, mas eles sempre morrem atropelados.
- Eles são como a nossa gente. - pensei alto. E ele disse:
- Mais inteligentes?
- Não. Mais espertos, preparados para lidar com a vida que tem.
Eu sei, também achei péssimo nos comparar a vira-latas. Mas foi o que saiu, é como estou me sentindo. Cada vez mais alerta, desviando do lixo e dos buracos, driblando os perigos, escolhendo o melhor caminho para não ser assaltada e o melhor momento para não pegar um enorme engarrafamento. E o pior, meio adormecida neste estado, conformada, sem nada fazer para transformá-lo.
No final do dia eles me abraçaram e me agradeceram muito o passeio. Disseram que amaram. Acho que foi uma pequena demonstração do que nós sentimos. Consegue-se perceber nas entrelinhas uma energia extraordinária que não há em lugar nenhum. Um calor humano Incrível. Fora a quantidade de recursos naturais e possibilidades que temos nas mãos. E tudo o mais que nos faz amar isso aqui, mesmo assim.
29 março 2011
Repare...
Agora eu valorizo o astral da Bahia mais ainda
Vim para a Praia do Forte
Aproveitar meus dois dias retardatários de verão
Valeram mais do que vinte!
Sol na medida
Chuva só de manhãzinha pra deixar tudo ainda mais verde
Redes, esteiras, dezenas de almofadas
O cheiro do mar
Tudo convida à preguiça.
Acordei pra comer, descansei do café e fui para a praia.
Passamos horas em um restaurante em Guarajuba
Fiquei reparando... (adoro essa palavra, é tão baiana, quer dizer parar duas vezes, parar pra pensar)
...reparando o pessoal a minha volta;
O lero e o sorrisão do vendedor de cangas
Que me botou no bolso, comprei três.
O hippie sentou no chão junto da mesa
Contou a sua vida, conversou sobre música e cantou uns tangos para minha mãe
Enquanto fazia flores e passarinhos com a palha da bananeira.
A vendedora de queijo corpulenta se achando o máximo
No seu biquine pronto para estourar a qualquer momento.
E o garçon simpático que nos trouxe comida boa, alegria,
E a cerveja mais gelada de todos os tempos.
Para completar o mar...
Achei a maré um pouco forte e não desgrudei das mãos das filhas
Mas também não conseguíamos sair de lá.
Água morna num azul profundo.
Agora estou escrevendo no bar da pousada
Enquanto as meninas tomam banho de piscina
Está dando trabalho convencê-las a voltar
Está dando trabalho me convencer também.
Porque existe muitos lugares bons
Mas a Bahia tem um jeito...
Repare.
22 março 2011
Sopinha na bandeja
Chegar em casa como visita
Rever amigos íntimos depois de meses
Dirigir como a primeira vez o próprio carro
Suar mais do que antes
Tomar banho frio
Sentir a brisa que vem do mar pela janela
Abrir 247 envelopes
Ver notícias realmente novas nas revistas
Apreciar cada objeto que um dia comprei
Abrir o armário e parecer que tudo é novo.
Melhor parte essa ;)
Estou dormindo dez horas por noite
E hoje de tarde dormi mais.
Que “jet leg” que nada
É o ar da Bahia, o aconchego do quarto, o cheirinho do travesseiro.
Parece que não dormia há meses
Acho que não dormia mesmo, descansava quando dava.
Estou comendo tudo que vejo pela frente
Fiz até uma lista pra não esquecer nenhum desejo.
Então fui malhar na minha academia.
Hoje tive massagem,
E vesti uma camisola velhinha de algodão.
Acredita que nesse instante apareceu uma sopa prontinha na minha frente?
Juro! Em uma bandeja com paninho bordado!
Abobrinha e batata com cebolinha
E suco de maracujá.
Por isso meus queridinhos
Nunca antes passou pela cidade do Salvador alguém tão feliz
Quanto esta IF mulher que chegou da California na última quinta feira.
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