26 novembro 2010

Thanksgiving

Chorei do começo ao fim. Desde o início do dia e sei que ainda vou chorar mais até o final deste post.

Imaginem um dia dedicado a agradecer ao Senhor pelas bençãos recebidas. Nada de presentes. Comida sim, farta e a presença de toda a família. Pessoas amigas que estão longe de casa também são recebidas com muita alegria.

A comida é feita em várias casas, quando chegamos a Deb estava de vestido bonito com um avental por cima desossando um peru. Ela recebeu 25 pessoas em sua casa, os móveis da sala deram lugar a mesas extras, de modo que todos puderam se sentar no mesmo ambiente.

Antes de nos servirmos o primo dono da casa orou, agradecendo por nossa presença e pelo alimento. E eu chorei. Começamos a comer, tudo delicioso e Deb anuncia os agradecimentos batendo a faca na taça de vinho como vemos nos filmes.

Um a um, todos falaram. E quase todos choraram. O Steve agradeceu porque a Deb disse "sim" pra ele há 24 anos atrás. Os meus filhos agradeceram pela família e por estamos aqui. A minha mãe concluiu reverenciando os nomes dos meus avós, dizendo do quanto eles ficariam felizes com este momento e do quanto é abençoada esta parte americana da família.

Eu nem sei o que falei, só lembro dos olhos emocionados das primas. Mas era pra ser assim:

Graças a Deus
Pela vida e pela capacidade de amar.
Pela família de onde eu nasci e pelos que chegaram através de mim.
Pelos amigos que já conquistei.
Pela saúde e a força para enfrentar os desafios.
Por estar nos EUA, pelo aprendizado e pelas irmãs que ganhei.
Por ser brasileira e ter um monte de gente que amo me esperando.
Por este blog, por ter leitores que me fazem sentir Incrível.
Por conseguir chorar de felicidade e de reconhecimento.
E por acreditar no futuro e na força do bem.

Happy Thanksgiving, God bless you!

25 novembro 2010

Saldo +++

Quando chegou a hora de arrumar as malas ela chorou. Correram lágrimas na despedida da minha menina por San Francisco. No terceiro dia de patinação ela estava dando piruetas e já estava ajudando os pequenininhos. Começou a se achar "do lugar", basta dizer que fazia 7°C e a pessoa só com um casaquinho, dizendo que já estava acostumada com o frio.

Mas chegou a hora de encerrar um dos nossos passeios campeões. 

Como nunca são só flores, claro que houveram trapalhadas incríveis do tipo perder o celular, perder o transporte que já tinha pago da volta pro aeroporto (tinha que confirmar com 24h de antecedência, mais uma dessas pegadinhas que ficam nas letras pequenininhas dos vouchers), coisas assim que dão muita raiva no começo, mas logo procuro me consolar porque esta sou eu, a IF!!! Não adianta que não dou conta de lembrar e fazer tudo sozinha, algo sempre me escapa. Eu já até procuro orçar tudo em minha vida com 10% a mais por conta dos prejuízos, fica bem mais fácil de aceitar.

Ah, por falar em money, é bom informar para quem está pensando em vir que eu gastei menos com esta viagem do que o valor daquela bolsa jeans feiosa da LV. Incluindo passagens aéreas, quatro noites de hotel, passeios, jantar no navio, bicicletas e translado aeroporto/hotel/aeroporto para cinco pessoas. Cada um aplica o seu dinheiro aonde recebe o melhor rendimento, rs. 

Vim no carro consolando a pequena. Pegamos avião, Jeremy estava esperando no estacionamento. Eu sempre amo chegar e largar tudo nele. Engarrafamento de horas em LA, Gilda manda a gente pra uma rodovia bloqueada, tivemos o maior trabalho pra achar outra. Saí do hotel 10:30 e cheguei em casa 20hs, arrasada de cansada mas renovada, não vejo a hora de fazer tudo de novo. Vou manter o contato, fazer os planos, me organizar porque esse namoro há de vingar. Até a próxima meu amor!


SF, my love...

Chovia quando saímos pra fazer um passeio de bicicleta. A minha mãe não entendeu mas foi. No meio do caminho enquanto olhávamos aqueles prédios baixinhos com as varandas sacadas, o sol apareceu. Pegamos as bikes e passeamos em uma ciclovia partindo do Fisherman's Wharf, um passeio imperdível. Não deu pra chegar na ponte, mas a galera está em treinamento, em breve estaremos preparados para alcançá-la.

E depois finalmente fui as compras! Desde que coloquei o pé em SF e vi o povo na rua, instantaneamente achei todas as minhas roupas de inverno feias e cafonas. Passei três dias na operação pesquisa, olhando as vitrines, os conceitos e principalmente as modelos, de todos os tipos, passando na minha porta sem parar o dia inteiro.

Só então parti pro ataque: Um belo casaco chumbo com uma gola enorme bem arrojado. Algumas meias calça pretas com estampas e para usar com elas, botas pretas longas com salto médio bem coladas na perna, que calçaram lindo. Mais dois vestidinhos despretensiosos pra colocar por dentro. Encontrei estes tesouros em lojas intermediárias, que tem um produto diferenciado, mas não chega nem de longe ao preço daquelas que citei no post anterior.

Fiquei tão feliz com os meus achados que mesmo chegando as 21h de uma jornada de bikes, compras e atenção a crianças exigentes dei conta de vestir tudo rapidinho e cair no mundo.

Na esquina enquanto esperava o sinal abrir, um homem me perguntou:
-Está dando pra ver que passei lápis no olho?
-Hã? (lógico)
Pensei: gay. Afinal, estou na terra deles. E por sinal, os caras sabem das coisas.
Mas não era. Foi só a abordagem mais criativa que já tive. Jonhatan tem 32 anos e já namorou uma brasileira. Descobri isso em 15 minutos de conversa na esquina. Ele me chamou para um café e me deu o telefone. Eu agradeci e segui o meu caminho com um único pensamento: paguei baratíssimo pela roupa, kkkkkkk...

Fui parar no Starlight, um bar que fica no terraço de um hotel (a uma quadra do meu)  de onde é possível ver a cidade inteira. Tomei um drink de champagne pra comemorar a roupa perfeita que vesti para SF. O DJ tocando e eu dançando de costas pra pista e de frente pra cidade, sozinha, radiante!

De repente, sinto uma mão em minha cintura. Viro, é um homem bonitão de uns 45 anos. Antes que ele abra a boca eu falo:- Ok, let's dance.

Mentira, kkkkkkkk........ ainda preciso de mais uns três anos de San Fran pra fazer isso. Tomei foi um susto danado, mas conversei com o sujeito, bonitão até, mas tirado a sedutor demais, passava do ponto.

Terminei a minha segunda taça e voltei feliz da vida para o meu novo amor, San Francisco. Esta sim foi o meu date desta noite.

22 novembro 2010

San Fran

Eu tenho uma filha que nasceu banda voou. Ao chegar em qualquer cidade deste planeta ela sempre fala:
- Mãe, eu queria morar aqui...
Mas ao chegar em San Francisco ela perdeu a voz. De longe é a cidade mais linda e charmosa que já vimos.

Estamos em um hotel em Downtown, no meio de grandes lojas e restaurantes. Fica em uma das típicas ladeiras e o bondinho passa na frente. Nas ruas muita gente linda, bem vestida e diversa andando até altas horas. Saio da rua e vou pra janela do quarto, não me canso de olhar.

Um frio danado, mas não choveu. Hoje elas patinaram no gelo, é incrível como criança pega rápido as coisas. Eu até pensei em tentar mas o pensamento seguinte do prejuízo de uma bem possível queda me impediu. Que pena que a gente cresce...

Deixei-as com Mammy e fui dar uma voltinha pelo quarteirão. Lado a lado: Gucci, Chanel, Prada, Armani, Cartier, Tiffanys e muito mais. Só de olhar as vitrines já enche os olhos. Achei a loja da Louis Vuitton ainda mais espetacular e entrei com meu filhote para ver qual é. Escolhi uma bolsa jeans desbotada com alças de lona amarelas (achando que era resto de verão) para perguntar o preço. U$ 2.490. A mulher falou e ficou me olhando para ver a minha reação. I just said: Thank you, e saí suavemente abraçada com meu garoto, muito grata por não ser refém deste mundo.

Nestes dois dias aqui não comprei nem uma meia. Ainda. Acho que amanhã vou recuperar o juízo, rs. Estava só admirando; cada casal, cada escultura, cada planta, cada poste. Aqui na esquina tem uma galeria com algumas telas de Miró, Chagall e Picasso. Interessante é que eles colocaram alguns quadros na vitrine. Para degustação, imagina isso.

Os homeless estão em todos os lugares, fazem parte do cenário. Tem mendigo cantor, outra com fantoche, uns na esquina dizendo se você já pode ou não atravessar a rua. Tudo por um quarter de dóllar.

Hoje fomos a um jantar em um navio com música ao vivo. Como se não bastasse e Golden Gate e todos os prédios já iluminados para o natal, a equipe ainda me manda uma lua cheia. A cada gole de cabernet eu suspirava de contentamento. 

Lá pras tantas deu sono na filha e como acompanhamento da sobremesa tivemos calundú dos bons. Back to the reality, no problem. Passei cinco minutos de tensão porque o maitre não conseguiu chamar um taxi pra mim. Ainda eram 21hs hs, mas como aqui escurece às 17, já parecia bem mais tarde. Mas logo quando saímos caiu um do céu um por lá, bem amarelinho com um carioca no volante.

Tem como não amar muito uma equipe dessas?

Depois que deixei todo mundo fui a um pub colado no hotel, onde uma banda estava tocando rock dos anos 50/60. By myself. É a segunda vez que faço isso, a primeira também foi em uma viagem, eu adoro esta minha  versão.

Fui muito bem recebida. Não digo só pelos rapazes que se aproximaram, todos gentis. Mas pelas mulheres também. Teve uma, já com uns 70, que foi com a minha cara, me chamou pra sentar em sua mesa e passou pelo menos meia hora me advertindo contra os homens daqui. Não quis queimar muito a pestana com o inglês, daí só balancei a cabeça, mas se eu vê-la de novo vou tentar falar um pouco sobre os homens do lugar de onde eu venho, rsrs.

Vou dormir para chegar logo um novo dia em San Fran. Não estou nem aí pra fazer os pontos turísticos porque já está estabelecida a meta de voltar várias vezes. Acho que moraria aqui fácil.

Aiai, mãe de peixe... ;)

20 novembro 2010

Vou alí...

Está chegando a hora de arrumar as mochilas, pegar a galera e cair na estrada.

Peço licença ao mundo virtual para abrir bem os olhos para San Francisco, a nossa próxima parada.

Soube que está chovendo por lá, mas quem liga? Vou feliz da vida assistir a chuva tomando um capuccino em alguma esquina daquela cidade linda.

Quero pescar umas imagens e sensações para dividir com vocês. Nunca falei aqui sobre uma viagem, vou testar pra ver se vocês gostam.

Escrevo de lá então. Oba! Idéias fresquinhas de novos ares. Até mais! :)

19 novembro 2010

Vende-se cadeiras.

Estes dias eu tenho refletido sobre o amor, procurando pensar em tudo que me faltava assim como em tudo que deixei de entregar.  

Sempre querendo melhorar. Me lembrei hoje de um filme, Fenômeno, com Jonh Travolta e Kyra Sedgwick. Já tem um tempo, é de 1996, vocês se lembram? O que Geoge (Travolta), recebe no dia do seu aniversário uma luz forte e passa a um ter uma super inteligência e tal. A história toda é muito bacana mas eu quero focar só em uma parte.

O George se apaixona por uma mulher recém chegada na cidade (Kyra), que no início é resistente a ele. Ele descobre que ela faz cadeiras e resolve comprá-las, dizendo que vai revendê-las. Cadeiras bem feias até, de juta, bem tortinhas. E assim segue o filme, a desculpa dele para vê-la era ir comprar as cadeiras e com a frequência destes encontros ele acaba a conquistando.

Desculpem-me os que não assistiram, mas dessa vez vou ter que contar o final. O George morre e ela ao chegar em um depósito dele, vê todas as cadeiras que ela fez guardadas. Ele não vendeu nenhuma sequer, as elogiava e as comprava porque a amava.

Me lembrei desta história porque eu não estava conseguindo vender as minhas cadeiras, elas estavam invisíveis.

O quanto você conhece dos sonhos dele? O quanto você os ouve, participa e torce?
O quanto você o apoia nas suas decisões loucas, absurdas e apaixonadas?
O quanto você diz pra ele que o acha bom pra caramba no que faz?

Às vezes queremos cortar as asas de um pássaro para que ele continue conosco. Dizemos que não vale a pena pensar em cadeiras. Daí ele vai esquecendo de como sabia fazer. E com o tempo ele vira algo sem graça, previsível demais e perde a sua admiração.

Você sabe quais são as suas cadeiras? Eu mudo sempre as minhas, vou até procurar pintá-las agora de uma cor mais forte.

Acredito que para manter alguém por perto é preciso deixá-lo com asas e voar junto com ele.  Este é o maior de todos os fenômenos, chama-se amor.

16 novembro 2010

biRUtiCEs

Gente, estou num processo criativo aluscinante, esse foi o melhor nome que encontrei para classificar esta fase digamos...efervescente.

Estou escrevendo sem parar, as idéias vão parindo, agora estou trabalhando em um projeto pra futuro. Esta noite quase não dormi, os pensamentos iam falando cada vez mais alto, sabe?

Só saio pra levar as crianças pros lugares, resolver as coisas da casa e malhar. Pra almoçar hoje eu esquentei de novo a comida chinesa que comprei no domingo. Adoro quando não tenho escolha porque assim como pouco e perder mais um quilinho é sempre bom.

Por que não tenho vontade de passear, rodar por aí, fazer compras? A minha mãe e a minha tia saíram cedo arrumadérrimas enquanto olhavam para mim, uma descabelada de pijama às 11am. É, o vesti de novo depois de levar as crianças, mas juro que vou tomar banho antes que elas voltem.

Eu me conheço e sei que ele vai passar, esse TOC escrevedor. Quando eu perceber que vocês estão cansados de mim, tiro o meu time e  parto pra outra. Porque morro de medo de ficar escrevendo pra um espaço cibernético oco. Mas vocês não vão fazer isso, vão?

Por baixo, o que vai ficar é o registro de uma fase maravilhosa. Ontem perguntei a um amigo se corro o risco do blog desaparecer do nada da web. Não né? Certeza?

Porque eu vou querer saber como eu era daqui a algum tempo.

Viiii.... Talvez eu precise de uma consulta. Cadê meu primo neurologista? Lipe o que você acha? Você me lê né? Hã?